Roberto de Carvalho

A nora que Rita pediu a Deus

Mulher de Beto Lee, a produtora musical Júlia Petit é dona de um estilo que chama a atenção e agrada à sogra roqueira, sua companheira de salão

JORGE HENRIQUE CORDEIRO 

Neohippie, clubber, gótica, neoperua, descolada, moderninha, patricinha, punk, bonequinha de luxo, roqueira etc. Os adjetivos não são poucos quando alguém tenta definir a produtora musical Júlia Petit. Cheia de tatuagens (são dez ao todo), algumas jóias finas (outras nem tanto) e roupas que vão de transados vestidos decotados ao velho e bom jeans, o visual dessa bela paulistana de 28 anos, confunde mais do que ajuda na hora de apontar qual sua tribo. ''Não gosto de rótulos. Estou mais para esquizofrenia'', arrisca Júlia dona de, ao fim das contas, um estilo que volta e meia colore as colunas sociais e que chama mesmo a atenção onde quer que ela vá. Especialmente se ela estiver indo com Beto e Rita Lee, marido e sogra da ruiva.

Quem é da noite, principalmente no eixo Rio-São Paulo, já viu Júlia Petit circulando por aí, toda bela e faceira, agora na versão ruiva. Não em boates ou bares da moda – ''Não gosto de tumulto'' – mas preferencialmente em badaladas festas privês, organizadas por seus muitos amigos do mundo da música, publicidade, TV e adjacências. Mas o que gosta mesmo é de dar festas ainda mais seletas em casa. ''Nada como ficar em casa'', diz. Preguiçosa assumida, Júlia que não mora com Beto – ''porque precisamos de espaço''-, consegue fazer com que quase sempre seja o rapaz a se deslocar de sua casa no Morumbi para o apartamento dela, no Pacaembu. ''Sou folgada mesmo. Quero que tudo venha até mim''.

A preguiça não a impede de, ao menos uma vez por semana, bater ponto no cabeleireiro. Sempre com na companhia de Rita Lee. As duas adoram um cabelo vermelho. ''Mas o tom é diferente'', avisa Júlia. Rita adora a nora: ''A Juju é a filha que eu não tive. Isso me dá ainda mais alegria porque vejo que meu filho está superfeliz.'' Está mesmo. ''Minha vida era monocromática, depois que conheci Júlia virou um arco-íris'', derrete-se Beto. A família parece mesmo viver em estado de felicidade geral. Hoje, vão todos comemorar o dia das mães com um almoço na casa de Roberto de Carvalho. O cardápio é vegetariano. ''Até isso a gente tem em comum'', exalta Rita. Isso e muito mais. Como ela e Roberto, Júlia e Beto vivem em casas separadas. Júlia também é cinco anos mais velha do que Beto. A mesma diferença de idade entre os pais do menino. Como a sogra, Júlia adora uma estrada musical: ''Um dos meus programas preferidos é sair em turnê.'' Beto é da banda da Rita e quando a viagem não é muito longa Júlia leva Nina, sua filha de sete anos, fruto de um relacionamento anterior à Beto. ''Gosto dessa coisa família'', diz.

Há quatros anos tendo Beto Lee como namorido (namorado + marido), Júlia diz não se importar em ter essa sombra sobre si. ''Ter a Rita Lee como sogra não me afeta em nada. Já sofria isso por causa do meu pai. Acho que isso até pode ter contribuído para aproximar eu e o Beto.'' Júlia é filha de Francesc Petit, o P da badalada agência de publicidade DPZ. E nunca ficou inibida na presença de Rita. ''Ela é a melhor sogra que eu poderia ter e ainda me ajuda a conhecer mais pessoas da área musical.'' Apesar de estar dos pés à cabeça envolvida em produção musical, Júlia Petit prefere não interferir no trabalho do maridão, prestes a lançar seu primeiro CD. ''Sei quando posso ou não posso dar palpite. Prefiro evitar. Quando ele quer ajuda, sabe perfeitamente deixar claro isso.''

A postura não vale para o resto do mundo. Júlia adora dar palpites na área musical. ''Se a Sandy deixasse eu daria um jeito na carreira musical dela. Diria: Olha, você tem uma linda voz, mas só canta porcaria e de um jeito horroroso! Vamos mudar tudo isso já!'', anima-se Júlia, que é maníaca por música e desde os tempos em que trabalhava com o pai na DPZ já dava pitacos nessa área. ''O problema é que a influência que a Sandy tem em casa é a de Chitãozinho e Xororó… (imita o estilo deles de cantar) Se ela fosse filha de uma negona, cantaria com muito mais estilo! Mas não posso nem me animar, porque o irmão dela – o Júnior – agora também é produtor…

Isso vem desde os tempos em que trabalhava com o pai na DPZ – o que fez durante 13 anos. Decidiu ser produtora musical em 1994. ''Trabalhei no último Hollywood Rock (em 94) só pra ver como era. Quando a Nina nasceu, fiquei quase dois anos cuidando dela, curtindo a vida de mãe. Depois entrei de cabeça na produção musical.'' Em 1996, Júlia voltou para a DPZ, mais precisamente para o departamento de Rádio e Televisão. Lá, começou a por em prática o que chama de educação cultural das massas via publicidade. Como? ''Acho que é o sangue comunista que corre nas minhas veias. Gravei um comercial com a Alcione, o Falcão do Rappa e a banda Mantiqueira, que seis meses depois ganhou um Grammy. Pô, se alguém que não saca nada de música escutar e sair depois assoviando a música do comercial, já ajudei o cara a conhecer um pouco de boa música. É isso!''

Júlia ainda não produziu nenhum trabalho fora do ramo publicitário mas está amadurecendo a idéia. As trocas de idéias com Beto e Rita Lee, além dos amigos Otto, Apollo 9, Bid (do Funk Como Le Gusta), Falcão (O Rappa) e Zé Gonzalez (ex-Planet Hemp), entre outros, em breve poderão render frutos. ''Espero produzir um disco de rock.'' O mais curioso é que nem é exatamente nesta praia que Júlia se sente mais à vontade. Talvez a tribo que mais tenha a ver com Júlia Petit, como ela própria admite, seja a dos publicitários. Ela conta que foi entre homens de óculos de aro vermelho e senhores engravatados de grandes empresas multinacionais que se sentiu mais à vontade. ''Quando um executivo caretão vem conversar contigo sobre um filme, ele não quer saber se você está de batom preto, piercing no nariz ou cabelo roxo. Ele quer resultados. Você vai e mostra um bom trabalho, ele fica satisfeito.''

A questão é que nem sempre ela mostra seu trabalho. ''Ela tem muito talento, só não soube canalizar sua energia. Júlia poderia ser a melhor atriz, a melhor publicitária, produtora, o que quisesse'', baba o pai, que garante: ''ela não deixa ninguém, nem mesmo eu, dar um empurrãozinho na sua carreira.'' Carreira que bem poderia chegar à televisão. O problema, diz Júlia, é que geralmente as pessoas a convidam para programas com perfil moderninhos e ocos, devido ao seu visual pós-pós. ''Essa mania de rotular leva a isso. A pessoa me vê com as tatuagens e pensa que sou uma punk ou clubber, sei lá.'' O pai defende: ''Ela não é patricinha, hippie, perua. Ela é Júlia, que tem personalidade forte e sofisticada''. A menina vai além: ''Dizem que sou fofa e tal. Mas não sou bonequinha de luxo. Se fossem fazer uma bonequinha minha, tinha que ser uma que quando apertassem a barriguinha dela, ela soltasse um palavrão daqueles!'' Ôrra meu!

Fonte: Jornal do Brasil

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