Resistência regional em ambos os lados do oceano

Está claro que os políticos dessas regiões não se deixam intimidar. Liderados pela vice-presidente da Bretanha, Pascale Loget, aterrissaram aqui 35 representantes de 11 das 35 regiões, vindos da França, Espanha, Itália e Grécia. Durante a viagem, a agroindústria tentou atraí-los para seu lado, mas Fetraf conseguiu – de maneira sublime – apresentar sua alternativa.

Ao chegar, fomos recebidos com a devida deferência na sede da Federação das Indústrias do Paraná. É evidente que lá predomina a história de sucesso das crescentes possibilidades de exportação do Brasil. A visão holística e a prática da agricultura familiar soam mais ou menos como blasfêmias dentro de uma igreja.

Na Assembléia Legislativa do Paraná, a situação é outra, pois lá há vários políticos cujas bases são formadas por agricultores familiares. O presidente da casa de leis recebe-nos com cerimônia num salão chique. Em seguida, num semicírculo, desenvolve-se um debate interessante. Um parlamentar (de ascendência japonesa) discorre sobre o padrão de consumo no Japão. Os japoneses importam 7 milhões de toneladas de soja, dos quais 4 milhões de toneladas convencional (não-transgênica). Cerca de 1 milhão de toneladas destina-se ao consumo humano e deve ser orgânica. Além disso, o Japão – é claro – que esta soja seja livre de transgênicos com um teor de proteínas mais elevado. O Paraná ainda não dispõe dessa variedade de soja, mas o deputado vê nisso possibilidades para reforçar os laços com sua nova pátria. A Embrapa pretende, agora, desenvolver uma variedade de soja com teor de proteínas mais elevado.

No salão, uma parlamentar grega toma a palavra. Ela afirma que, na União Européia, a Grécia pode se tornar o país onde os transgênicos sejam mais intensamente rejeitados. Isso pode gerar grandes tensões, já que recentemente a grande imprensa noticiou que na vizinha Romênia há um enorme caos em torno da soja. Como uma das nações da Europa onde é possível cultivar soja, a Monsanto conseguiu ocupar o país. Foi um ex-funcionário da multinacional quem deu o alerta. Todo o país está contaminado com soja transgênica e o governo não é capaz de garantir se uma carga de soja é livre de transgênicos ou não. De imediato, esta situação compromete as chances da Romênia de se tornar membro da União Européia. Afinal, UE significa a tão aclamada ‘co-existência’.

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