Religião e Vegetarianismo

do Boletim da IVU, Fevereiro/Março de 1996
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Maxwell G. Lee

Religião é um tema difícil uma vez que desperta fortes sentimentos. A IVU (União Vegetariana Internacional) não adota nenhuma fé e é neutra em assuntos de religião. Entretanto, a religião é uma aspecto da vida que não se pode ignorar porque tem desempenhado um papel importante ao longo da história com relação ao tratamento dispensado pelos seres humanos aos animais. Seja usando animais para alimento, sacrifício ou objetos de todo o tipo, os grupos religiosos adotaram várias abordagens que provocaram graus variados de sofrimento aos animais. Os seres humanos tentam justificar o tratamento que dispensam aos animais referindo-se a várias obras religiosas.

Embora muitos vegetarianos sejam religiosos, outros se opõem à religião pois consideram-na a principal causa do sofrimento dos animais, Seja qual for o ponto de vista de cada um, a religião é um aspecto da vida que ninguém de nós pode ignorar completamente, portanto, a IVU o está destacando aqui.

A abordagem ao vegetarianismo dada por várias religiões parece ir dos jainistas, com seu respeito total à vida, passando pelos budistas, até certas ordens cristãs que praticam o vegetarianismo.

Muitos membros da Igreja Adventista são vegetarianos, porém nem todos seguem o caminho vegetariano. A Igreja Anglicana em geral vê os animais como seres postos na Terra para o uso dos seres humanos e esta é similar à abordagem da Igreja Católica Romana. Em um exemplar recente da INROADS, o boletim da International Network for Religion and Animals (INRA) – ver endereço abaixo – esta assinala que a fundadora da INRA abandonou a Igreja Católica Romana na qual nasceu. A razão para sua ação foi a última edição do Catecismo da Igreja Católica. Ela afirma que o novo Catecismo salienta a idéia de que, para todas as gerações, têm sido um conceito público que os animais foram criados para o uso humano (Catecismo, página 280). "Animais, como plantas, e seres inanimados, são por natureza destinados para o bem comum, no passado, presente e futuro, da humanidade". Na página 590, continua, "Eles podem ser usados para servir à justa satisfação das necessidades do homem". 

 

Ela vai em frente sugerindo que a tradição, passada de geração a geração, tornou-se o mesmo que um mau hábito, seguido sem nenhuma razão, sem examinar as premissas iniciais e sem considerar as normas culturais da época em que a tradição surgiu. Essa tradição ignora os avanços em conhecimento e tecnologia ou seus efeitos sobre o reino animal.

Os homens agora detêm completo controle sobre o reino animal e são capazes de fazer o que querem com ele. Detemos conhecimento e poder para eliminar completamente a maioria, senão todas, as espécies. Certamente, isto nos dá responsabilidades especiais com relação aos animais. 

O Catecismo afirma (página 580) "por sua própria existência eles bendizem e dão glória". Os animais não podem falar por si, portanto, precisamos agir e falar por eles.

O Catecismo instila as pessoas a procederem com bondade e amabilidade com os animais, mas este apelo cai no vazio se tais afirmações não são apoiadas com o firme propósito de garantir que os seres humanos ajam com compaixão.

Práticas na Espanha em festivais religiosos e eventos similares muitas vezes se centram no abuso dos animais, incluindo o apedrejamento que leva à morte, atirá-los de uma torre e torturá-los nas ruas sob os aplausos do público. Muitas ações como estas são justificadas em nome da religião e não somente na Espanha.

Discussões sobre o consumo alimentar de animais com muitas pessoas religiosas resultam em elas tentarem justificar sua prática referindo-se a Deus e sugestões de que Ele aprovaria tal conduta.


 
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