Rabobank e soja

Luc Vankrunkelsven

A ONG Milieudefensie [Defesa do Meio Ambiente], da Holanda, me pediu com urgência uma entrevista para sua revista. É que, num futuro próximo, eles vão travar uma dura batalha na Holanda, contra o banco Rabobank. Devido a problemas com a internet, o texto chegou atrasado. Por isso, vamos transformar a entrevista numa crônica sobre soja.

 

1. O senhor pode contar, resumidamente, qual é o seu trabalho? Por que o senhor trabalha tanto no Brasil quanto na Europa?

De 1990 até 2003, fui o coordenador de Wervel. Vou dar o site, pois metade de nossos visitantes são ONGs, universidades, faculdades e pessoas físicas da Holanda: <http://www.wervel.be>. Desde o primeiro momento da criação de Wervel levantamos, na imprensa belga, o tema da criação intensiva e confinada de aves, suínos e gado leiteiro em Flandres [Bélgica] e na Holanda. Esta atividade somente é possível graças às imensas importações de ração animal, inicialmente dos EUA. Gradativamente, passamos a importar
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O templo do Rabobank com sinos

 

 cada vez mais do Brasil, Argentina, Paraguai e agora também da Bolívia. É que, a partir de 1962, devido a um acordo entre os EUA e a então Comunidade Européia, na Rodada de Dillon (1960-1961), formalizado pelo GATT (atualmente OMC), abriu-se uma brecha no ‘navio da União Européia’, a ‘Brecha de Rotterdam’. Com a ditadura militar no Brasil (1964-1985) e sua adesão à Revolução Verde, no final da década de 1960 – início da década de 1970, o Brasil se insinuou cada vez mais na brecha da ração animal de Rotterdam. Isto fez com que a Holanda se transformasse num gigante na exportação de produtos agrícolas, apesar de sua pequena extensão territorial no mapa-múndi, utilizando-se de terras que estão localizadas em outras regiões: na América Latina, nos EUA, Tailândia, Senegal, nos mares mundiais – para produção de farinha de peixe. Graças a esta ocupação de terras ultramar, a agricultura holandesa consegue ser cinco vezes mais intensiva do que a agricultura francesa, embora a área da França seja 15 vezes maior do que a da Holanda. É claro que os problemas ambientais são proporcionais ao grau de intensidade do uso.

Uma vez que as relações internacionais determinam em grande parte a política agrícola – principalmente no âmbito da OMC – a Fetraf-Sul/CUT me pediu, em 2003, para colaborar nos processos de formação de lideranças rurais. Uma vez que, na América Latina, a OMC era um ponto cego e, desde 1990, eu me preocupei e me aprofundei no tema, fui convidado a participar dessa história de OMC-soja. No futuro, buscaremos dar uma forma mais concreta ao conceito abstrato ‘Soberania Alimentar’. Eu moro e trabalho cerca de seis meses por ano no Brasil e seis meses por ano na Europa. Na verdade, trabalho em ambos os lados do oceano pela mesma causa: denunciar as distorções do sistema agrícola mundial e ajudar no desenvolvimento de alternativas. Eu também procuro, por meio de crônicas regulares sobre soja e outros temas, apontar os problemas em ambos os lados e divulgar e estabelecer conexões entre as alternativas desenvolvidas pelos agricultores na Europa e no Brasil.

 

2. O Rabobank tomou a iniciativa de financiar 230 milhões de dólares para a expansão das lavouras de soja da empresa ‘Amaggi’, no Brasil. O que o senhor e Fetraf‑Sul/CUT acham disso?

Eu sou escritor e um consultor independente da Fetraf no âmbito das relações internacionais e, mais especificamente, em relação à soja e seu efeito sobre o modelo agrícola, OMC, soberania alimentar, entre outros. Para a posição da Fetraf, vocês devem se dirigir diretamente a ela.

Eu desconhecia esta cifra de 230 milhões de dólares. Eu pensei que o banco ‘cooperativo’, ‘nascido’ no meio rural holandês pretendia destinar, nos próximos anos, 150 milhões de dólares para construir, prioritariamente, uma carteira de crédito de 2 bilhões de dólares no Brasil. O Rabobank quer abrir 25 novas agências no país. O banco ABN-Amro, da mesma Holanda, já atua há anos nas cidades brasileiras. Com os interesses que a Holanda mantém na soja, o banco Rabobank dificilmente poderia estar ausente no campo. Além disso, no momento, os bancos estão obtendo lucros astronômicos no Brasil (1).

Se for verdade que o banco Rabobank vai investir 230 milhões de dólares no maior sojicultor do mundo, isto realmente é um escândalo. Principalmente quando se conhecem as raízes históricas do banco. No mundo todo há uma batalha entre dois modelos agrícolas, mais especificamente entre a agricultura com utilização intensiva de capital (geralmente) de alta tecnologia, excludente de mão-de-obra e voltada para exportação versus a agricultura familiar (geralmente) mais ecológica, geradora de trabalho e que produz, prioritariamente, para o mercado interno. No Brasil, este contraste entre o que chamam de ‘agricultura patronal’ e ‘agricultura familiar’ é ainda mais forte. Diariamente há mortes. E é exatamente no estado do Mato Grosso – onde ocorre a maior expansão da soja e onde Blairo é o governador – que ocorre o maior número de mortes. Blairo Maggi gosta muito de se justificar dizendo que ‘tudo é feito dentro da lei’ e que ele, afinal, mantém preservados 110 mil hectares de mata. Ele esquece de dizer, porém, que ele – para cultivar seus 150 mil hectares de soja – teve que queimar o mesmo número de hectares de floresta, envenenou a água e é co-responsável por encurralar povos tradicionais em suas reservas ameaçadas, que foram cercadas pela expansão da soja. Além disso, é o estado governado por ele que possui um dos mais altos índices de ocorrência das novas formas de trabalho escravo, inclusive nas plantações de soja.

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Ainda há futuro para a floresta amazônica? Wervel em ação

 

3. O banco Rabobank deve parar de financiar as grandes plantações de soja voltadas para exportação?(2)

Por meio desta opção indisfarçável pela agricultura patronal exportadora, o banco Rabobank ameaça contribuir para o golpe fatal na ‘agricultura familiar’, tão celebrada na Holanda. Celebrada justamente pela federação de agricultores familiares[1], que está ligada a este mesmo banco. Tanto no Brasil quanto na Europa este modelo de empresa familiar está sob forte pressão. Se o banco Rabobank apóia tão fortemente a agricultura patronal – não só a monocultura da soja, mas também a da cana-de-açúcar –, os produtores de beterraba açucareira da União Européia podem desistir. Na Holanda, entre outros, em Schiphol (principal aeroporto do país), estão em exposição painéis publicitários inequívocos do Rabobank, informando que eles são ‘The Number One’ in Agri-investeringen [O Número Um em Agroinvestimentos]. À luz dessa política expansionista, não é extraordinariamente cínico que – simultaneamente – ‘abram o porta-níqueis para oferecer ajuda para os pequenos’.

A ‘Fundação Rabobank’ pratica ‘boas ações’. No Programa de Desenvolvimento do Rabobank fala-se de 25 milhões de dólares para atividades de microcrédito em 15 ‘países em desenvolvimento emergentes’. O Brasil é um desses ‘países emergentes’. As cifras falam por si: 25 milhões para microcrédito em 15 países e 150 milhões para concessão de crédito à agricultura de exportação latifundiária no Brasil.

 

4. Ou o cultivo de soja em grande escala deve se tornar mais sustentável?

A questão é se, em algum momento, o cultivo de soja em grande escala pode se tornar sustentável. Se você conhece alguma coisa sobre ecossistemas, você sabe também que isto é uma mentira deslavada.

Por isso, não é surpreendente que, recentemente, tenha surgido o cultivo de soja orgânica em grande escala naquelas regiões. Nesse mesmo estado do Mato Grosso, está o maior produtor de soja orgânica do mundo (2 mil hectares), com uma produção de 5 mil toneladas de soja orgânica. Eu tenho minhas dúvidas quanto a isto. Deve ser orgânica, mas se é sustentável e ecológica, é outra questão. Por outro lado, a soja orgânica produzida pela agricultura familiar na região de Capanema (Paraná) é uma história bem diferente. Lá, o cultivo está inserido na rotação de culturas convencional em uma propriedade em escala humana. Neste contexto, a soja – com suas propriedades fixadoras de nitrogênio – pode ser uma excelente cultura de rotação.

 

5. Por exemplo, buscando estabelecer diretrizes? Esta é a linha aplicada pelo Fundo Mundial para a Natureza (WWF) com a Mesa Redonda sobre Soja Responsável. Esta é uma boa maneira? A organização para a qual o senhor trabalha participa da Mesa Redonda?

Para mim, não é necessário que toda soja seja orgânica. Para a soja convencional também podem ser estabelecidos critérios. Foi o que fizeram os agricultores da Fetraf, em 2004, com apoio da fundação holandesa DOEN e de Solidaridad, integrantes da Articulação Soja – Holanda. Eu acho que o mais importante é o destino dessa soja e como podemos restabelecer ciclos de produção regionais e ecológicos, tanto no Brasil quanto na Europa. E a grande pergunta que vocês, holandeses – mais do que nós, belgas – deveriam fazer é a seguinte: “Será que podemos continuar mantendo este sistema intensivo de criação de animais confinados com nossos grandes interesses na exportação? Será que o balanço energético da crescente substituição de proteínas vegetais por proteínas animais pode ser chamado de ‘sustentável’? Quantos planetas Terra serão necessários para isso, agora que até na China e na Índia o consumo de carne vem aumentando ano a ano? Cerca de 70% de toda soja produzida no mundo vai parar nos cochos das aves, suínos, perus e gado bovino. E não vamos esquecer da incrível ascensão da aqüicultura, já que a pesca praticamente esvaziou os mares mundiais.”

A ‘Mesa Redonda sobre Soja Sustentável’ realmente acreditava que seria possível conciliar a água e o fogo. Ao longo do encontro, em Foz do Iguaçu (março de 2005), o termo ambíguo foi convertido em ‘soja mais responsável’. Fetraf-Sul/CUT foi um dos parceiros na criação desta Mesa Redonda. Sobre qual vai ser o envolvimento no futuro, o senhor deve perguntar à diretoria.

 

6. O Rabobank é um importante financiador da criação intensiva e confinada de animais na Holanda. Ele detém 80% a 90% do mercado financeiro agrícola. O que o Rabobank deveria fazer? Aperfeiçoar a tecnologia ambiental (por exemplo, instalações sem emissões nocivas) ou parar de financiar este modelo de pecuária intensiva?

Até pouco tempo atrás, a Holanda era o maior importador de matérias-primas para ração animal (recentemente, foi ultrapassada pela China) e o segundo exportador de produtos agrícolas e alimentos. Se o Rabobank detém 80 a 90% dos financiamentos, então este banco possui uma elevada co-responsabilidade neste modelo agrícola desequilibrado. Tanto ecologicamente e socialmente, na Holanda, quanto nas relações com os países importadores e exportadores. Com subsídio da UE, a Holanda faz dumping de seus produtos derivados de leite em todo o mundo – inclusive no Brasil – e com isso ameaça a atividade leiteira dos agricultores familiares aqui neste país, enquanto a criação intensiva e confinada das vacas holandesas somente é possível graças à ração concentrada. As aves produzidas na Holanda concorrem com as aves brasileiras, na Rússia. Ou seja, no mundo todo há uma guerra de carne e laticínios, na qual a Holanda desempenha um papel de destaque. Sabe-se que o gás metano produz 23 vezes mais efeito estufa do que o CO2. E cada cabeça de gado bovino produz uma quantidade de gás metano com potencial poluente equivalente ao de um veículo de passeio pequeno. Até a FAO [Food and Agriculture Organisation = Organização das Nações Unidas Para Agricultura e Alimentação] já reconhece o fenômeno. O problema mundial do aquecimento global, no qual o gado tem grande participação, não vai ser solucionado com instalações mais ‘limpas’ para criação intensiva de animais. Estas são medidas paliativas de um sistema de ‘produção’ não-ecológico (repare só nesta palavra ‘produção’, enquanto, na verdade, se trata de vida). Os dois símbolos máximos de nosso padrão de consumo são o veículo particular e o consumo de carne em excesso. E são justamente estes dois símbolos máximos que exigem a maior parcela das terras e da água. Além disso, são responsáveis por grande parte da poluição atmosférica. É fácil falar mal dos agricultores, quando somos nós que não ajustamos – globalmente – nosso modo de vida. Pior, nós ainda impomos –globalmente – este modelo!

É por isso que eu proponho que nós – em Flandres, na Holanda, na Europa, no mundo todo – questionemos este modelo de consumo e mudemos. Eu sei que isso é um tabu, pois reduzir consumo de carne e compartilhar o veículo cortam, diariamente, ‘na própria carne’ e nos interesses comerciais de seu país. Mas se nós, gradativamente, revertermos este padrão de consumo em todo o planeta para um modo de vida mais ‘sustentável’, o financiamento de, por exemplo, um Rabobank poder ter um papel de apoio nisso.

 

7. A Zuid Nederlandse Land en Tuinbouw-organisatie [ ZLTO – Organização de Agricultores e Horticultores do Sul da Holanda] é uma das federações de empreendedores rurais mais poderosas da Holanda, na região onde a criação intensiva de animais é mais forte: a província de Noord-Brabant [Brabantia do Norte]. A ZLTO é, também, uma das mais importantes acionistas de Dumeco (um dos maiores abatedouros de suínos da Holanda). O que o senhor acha disso?

No século XIX, meu confrade norbertino, o padre Van den Elsen, de Heeswijk, estava bem intencionado, visando melhorias para os agricultores pobres em Brabantia e no Sul da Holanda. Ele fundou o Boerenbond [Federação de Agricultores Familiares], a qual também daria origem, posteriormente, ao Rabobank. Ele agiu motivado pela crise na agricultura que surgiu devido à importação de cereais a preços baixos dos Estados Unidos da América. Estas importações se tornaram possíveis pela conjunção de dois fatores: o trem a vapor, nos EUA, do qual os agricultores se tornaram dependentes e o navio a vapor, que fazia o dumping dos cereais na Europa. Já no século XIX, os trens, portos e navios eram controlados pela Cargill. A ‘empresa familiar’ Cargill é, ainda hoje, o maior ‘polvo’ do mundo e, em conjunto com Bunge e ADM, controla o comércio de cereais e seus substitutos em todo o mundo. Seus navios cruzam os oceanos na calada da noite. Nós desconhecemos seu funcionamento e está mais do que na hora de revelar este sistema destruidor. No século XIX, seus navios fizeram o trabalho e tornaram possível o modelo no qual, hoje, a Holanda possui inúmeros criadouros intensivos de suínos confinados, que Brabantia esteja com um gigantesco problema de acúmulo de esterco e que a Holanda apresente um balanço comercial tão interessante. ZLTO e Dumeco atuam dentro da lógica deste sistema. Eu desconfio que o padre Van den Elsen se revolveria em seu túmulo se ele visse o que aconteceu com suas iniciativas emancipadoras.

Depende de vocês, holandeses, fazer o dever de casa para a reversão. Nós devemos fazer o nosso, em Flandres, que recentemente foi declarada – integralmente – uma região vulnerável pela UE[2]. As nossas criações intensivas de aves e suínos em confinamento (sem terras) também só são possíveis graças aos portos, ao capital financeiro decorrente do entrelaçamento de interesses dos bancos, às indústrias de ração animal, abatedouros, frigoríficos. É verdade, aqui também eles estão, freqüentemente, nas mãos dos mesmos ‘integradores’.

 

8. As grandes federações de empreendedores rurais, indústrias de ração animal, empresas de processamento de carne e o Rabobank mantêm relações estreitas. Por exemplo, o presidente da ZLTO é vice-presidente do Conselho Fiscal do Rabobank, presidente do Conselho Fiscal de Sovion (da qual o processador de carnes Dumeco faz parte) e membro do Conselho de Administração da LTO (Federação Nacional de Empreendedores Rurais). O presidente da união das indústrias de ração animal holandesas e européias, por sua vez, é conselheiro do Rabobank. O que o senhor acha desse entrelaçamento de interesses? É possível combatê-lo? Além disso, é um ‘clube’ tão coeso e fechado, com grandes interesses: as organizações da sociedade civil podem fazer alguma coisa? E, em caso afirmativo, o quê?

Eu vejo o mesmo entrelaçamento entre o ‘braço sindical’ e o ‘braço econômico’ da federação de agricultores familiares em toda a Europa. COPA[3] é o ‘braço sindical’ da internacional européia das federações de agricultores familiares, COGECA[4] é a internacional dos interesses econômicos que o senhor relacionou. É claro que também em Bruxelas, onde está a sede de ambas, é COGECA quem dá as ordens. Não oficialmente, é claro, mas estas coisas são realizadas de maneira muito sutil. Em alguns países, mantém-se uma aparência formal de independência – embora as duas organizações sejam dirigidas pelas mesmas pessoas – mas, informalmente, são servidos os interesses do grande capital ‘a pretexto de preservar o bem-estar da classe rural’. E este é um ponto discutível: As empresas-líderes quase sucumbem sob a pressão da enorme carga financeira, jovens agricultores não encontram mais esposas, o número de suicídios entre agricultores alcança índices alarmantes. Se vocês querem a minha opinião, eu acho isso preocupante, sim. É como se o abade fosse, ao mesmo tempo, economista da abadia. Ou como se o presidente da Milieudefensie fosse, simultaneamente, o tesoureiro. E, devido a estes entrelaçamentos de interesses, um determinado modelo agrícola é imposto. Alternativas têm pouca chance de prosperar; na melhor das hipóteses, são financiadas com as migalhas.

O que você pode fazer? Tenho a impressão de que vocês já estão no caminho certo, revelando este entrelaçamento e esta concentração de poder. Este é o primeiro trabalho a ser feito. Ao mesmo tempo, procurar formular alternativas, não só na Holanda, mas mundialmente. Pois há uma correlação entre os fatos: importações sem barreiras de matérias-primas para ração animal (desde 1962!), OMC e a UE, criação intensiva de animais, problemas ambientais, interesses de exportação. O mundo todo sofre os efeitos de um modelo agrícola destruidor. Neste trabalho de ‘tornar as coisas públicas’ eu sempre lembro de uma pequena publicação de Vaclav Havel: ‘Poging om in de waarheid te staan’ [Tentativa de permanecer na verdade]. Um pequeno grupo, até mesmo uma única pessoa, pode permanecer na verdade. Não que alguém seja dono da verdade, mas você pode tentar se aproximar da verdade. E, de repente, a grande mentira fica evidente.

___________
[1] Há um problema na tradução de ‘Boerenlandbouw/agricultura familiar’. No Brasil, devido à polarização na agricultura, o significado de ‘agricultura familiar’ é muito claro. É a verdadeira agricultura familiar. Na Europa a situação é diferente. Embora, em sua origem, a federação abrangesse agricultores familiares propriamente ditos, atualmente há um grande número das empresas industriais que são chamadas de ‘familiar’. Em vários países da Europa, a definição de ‘agricultura familiar’ é mais complexa, já que existem muitas formas intermediárias de industrialização.

[2] Isto significa que não é permitido o uso de grandes quantidades esterco para adubação, visando proteger o lençol freático e a água potável.

[3] COPA – Committee of Professional Agricultural Organisations in the European Union [Comissão de Organizações Agrícolas Profissionais na União Européia].

[4] COGECA – General Confederation of Agricultural Co-operatives in the European Union[4] [Confederação Geral de Cooperativas Agrícolas na União Européia]. As duas organizações compartilham o site <http://www.copa-cogeca.be/en/cogeca.asp>

 

 E o antes tão poderoso imperador, então, está nu.

 

Guarapuava, 22 de dezembro de 2005.

 

(1) Antes de 2005, os juros cobrados pelos bancos brasileiros eram de 44,7% (podendo chegar a 147%, no cheque especial), enquanto os juros oficiais (Selic) variaram de 18,25% (janeiro de 2005) a 19,75% (maio-agosto de 2005) e 18% (dezembro de 2005). Com isso, o Brasil é o ‘campeão mundial’ dos juros. O segundo lugar é ocupado por Angola, com 43,7%, seguida de Gâmbia, com 31,8%, do Paraguai, com 23,8% e da República Dominicana, com 22,6%. No mesmo período, a Argentina apresentou juros negativos de –2,6%!

Os maiores bancos do Brasil obtiveram, em 2005, um lucro de 20,9 bilhões de dólares norte-americanos; ou seja, 38% a mais do que em 2004 (o lucro total obtido pelas de 104 instituições financeiras foi de 28,3 bilhões de reais; 36% a mais do que em 2004, que também foi um ano recorde). Sua rentabilidade aumentou de uma média de 25% para 28% (a média de todas as 104 instituições foi de 22,65%). Só para comparar: com exceção das empresas exportadoras, as empresas brasileiras tiveram uma rentabilidade média de 12% a 13%. Em 2000, a rentabilidade média dos bancos também era somente de 11,49%. O lucro histórico dos bancos está relacionado, principalmente, com o aumento na concessão de crédito e com o ‘spread’, a diferença entre o custo do banco para captar o dinheiro e os juros que são cobrados. Um exemplo: o banco Itaú obteve seu maior lucro de todos os tempos, 5,2 bilhões de dólares.

(2) No ano de 2007, Milieudefensie conseguiu, no âmbito de uma nova lei, via uma iniciativa popular, obrigar o Parlamento a realizar um debate sobre a criação intensiva de animais. A conexão com a soja certamente será contemplada se o debate for efetivamente realizado. Veja <http://www.milieudefensie.nl/landbouw/publicaties/rapporten/boeren-met-toekomst-burgerinitiatief-milieudefensie-jma.pdf>

Veja também <http://www.sojaconnectie.be>, um site para jovens sobre a problemática da soja. Uma iniciativa do Provinciaal Instituut Milieueducatie (Pime) [Instituto Provincial de Educação Ambiental], do governo da província de Antuérpia, Wervel, Fetraf-Sul/CUT e Ferm Local (que representa cerca de cem agricultores belgas que buscam voltar a fechar o ciclo ecológico e recuperar sua independência; eles próprios cultivam as proteínas vegetais de que necessitam para sua ração animal).

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