Pelos animais

Por que evitar leite e ovos?

texto traduzido do antispe-site de Paris

Porque devemos recusar o leite

A imagem de vacas pastando tranquilamente em pastos e se deixando alegremente ordenhar é veiculada pela indústria leiteira visando incitar as pessoas a consumirem leite.

Entretanto, esta imagem fabricada esconde uma sórdida realidade. É evidente que, para obtermos leite, não matamos as vacas. Por isso, se nos mantivermos em uma abordagem superficial do assunto, chegamos rapidamente á conclusão que, consumir produtos lácteos não implicaria sofrimentos para os animais. Infelizmente essa análise não leva em conta que, para produzir leite, é necessário que uma vaca dê a luz, como todo e qualquer mamífero e, isto, uma vez ao ano. É aí que as coisas começam a se complicar: se os produtores deixarem os bezerros mamar, a vaca controlará e freiará a descida do leite; prejudicando a produtividade. Então, o bezerro é retirado da mãe logo alguns dias depois de seu nascimento. Você já pensou
no traumatismo que é inflingido á vaca, cuja ligação ao filhote não podemos negar?

Se for um bezerro fêmea, esta irá se juntar ás outras vacas leiteiras. Sua primeira gravidez acontecerá quando ela tiver cerca de 2 anos; ela será novamente fecundada 3 meses após cada parto (através de inseminação artificial em cerca de 65 a 75% dos casos), a vaca será mantida em ordenha durante pelo menos 7 meses ao ano e o produtor continuará a ordenha-la mesmo enquanto ela estiver grávida. Você pode imaginar a que ponto isto pode extenuar seu corpo cujas necessidades vitais não são de forma alguma repeitadas? Além do que, este produtivismo intensivo reduz seu potencial de vida (que normalmente é de 20 anos) á cerca de 5 anos, idade na qual ela será abatida por ter se tornado estéril ou por render pouco… Você sabia que 70% da carne bovina é proveniente das vacas leiteiras?

Por outro lado, se o bezerro for macho, seu destino dependerá da qualidade de sua carne. Se seu potencial em carnes for pobre, ele terminará virando patê para cachorros e uma parte de seu estômago será usada para fabricar o coalho destinado á fabricação de queijos. A quase totalidade dos queijos que encontramos no mercado contém carne animal (queijo= carne branca).

Se o produtor desejar produzir carne vermelha, o bezerro será enviado a unidades de engorda intensiva onde será super alimentado com cereais e mantido em um local estreito para evitar que ocorra a mínima perda de peso. Outros animais (cerca de 2 milhões de bezerros) serão enviados para criações industriais, confinados em boxes individuais que os privam de todo contato com seus congêneres e os impedem até mesmo de deitarem-se corretamente. Saiba que 90% deste tipo de confinamento é feito em locais fechados contra 10% de criadouros ao ar livre.

De toda forma, qual tenha sido o tipo de criação que tenham suportado as vacas e os bezerros, todos acabarão, sem exceção, no facão do açougueiro. A indústria leiteira é uma fornecedora direta da indústria da carne e dela não pode ser dissociada. Cada vez que você consome produtos lácteos, você envia animais ao abatedouro. Porque então continuar a consumí-los se existem substitutos como o leite de soja, o leite e arroz, o de amêndoas (também em forma de pastas , cremes e queijos) que são tão saborosos e equilibrados quanto o leite de vaca?! Temos á nossa disponibilidade substitutos que não implicam na exploração nem na morte de milhões de animais…

Se você teme uma deficiência de cálcio, saiba que a maioria dos legumes verdes, cereais integrais e até mesmo a água mineral o contém em grande quantidade.

Porque recusar os ovos…

A ética

Se o comer galinhas e frangos claramente consiste no fato de assassinar animais, comer ovos não é condenável em si. Que ele seja fecundado ou não, o ôvo evidentemente não sente nada.

Por outro lado, o ôvo é um produto oriundo da exploração de um animal, ou seja, de uma galinha que, assim como nós, animais humanos, é sensível á dor. Nós não temos então o direito, assim como em relação a uma pessoa humana, de dispor de seu corpo –um corpo que sente sofrimento e prazer- nós não temos, moralmente, o direito de matar este ser. Suas condições de existência e sua vida possuem uma importância capital para si.

As condições

Apresentaremos brevemente, em ordem de intensidade de crueldade, os 3 tipos de exploração animal de onde se originam os ovos que estão á venda no comércio. Em primeiro lugar, no que podemos classificar como sendo o sumo da barbárie, se encontram os aviários em ‘batterie’ (criação intensiva): 0,045 m2 de espaço vital para cada galinha. Este tipo de criadouros representa por sí só cerca de 93% da produção total de ovos. O resto da produção “ ao ar livre” outorga 2,5 m2 para cada galinha. Em ínfima proporção encontramos os criadouros ‘libre parcours’ (percurso livre): 10m2 por galinha.

Os Aviários de criação intensiva

Estas produções intensivas são verdadeiras usinas de sofrimento e de morte. As galinhas vivem amontoadas em gaiolas de ferro inclinadas para facilitar que os ovos escorreguem para o exterior. O espaço que as galinhas possuem durante toda sua vida não ultrapassam 450 cm2 (ou seja, o equivalente de uma folha A4). Dezenas de milhares de galinhas vivem assim em galpões iluminados artificialmente dia e noite, elas nunca verão o sol, nem conhecerão o repouso de uma noite escura e calma.

A superpopulação, a barulheira e a luz perpétua levam estes animais a se atacarem entre si, a se auto-mutilarem, levando-os até ao canibalismo. Para limitar as vítimas, os produtores atrofiam bicos e unhas com ferro quente, sendo que esta prática mata muitas galinhas antes de estas atingirem a idade adulta, após longas agonias.

Todos os machucados e a sujeira ambiente (as gaiolas são limpas apenas uma vez a cada dois anos) provocam infecções e doenças, o que obriga os produtores a colocarem substâncias químicas na ração animal. Os mais modernos aviários reciclam os excrementos das galinhas a fim de misturá-los aos alimentos novos. A única atividade das galinhas é comer…

Cada dia, centenas de cadáveres são retirados destes pútridos galpões onde os produtores entram somente com roupas especiais e inteiramente mascarados. Em tais condições, as galinhas não conseguem manter um alto rítimo de produção durante muitos meses. Quando se tornam menos rentáveis, elas sáo abatidas na idade de 18 meses (notemos que seu potencial de vida é de 10 anos) sem ter podido uma só vez ter visto o céu ou caminhar pelo solo do planeta.

A criação ao ar livre

Contrariamente ao que poderíamos pensar, este tipo de criação não é mais alegre… qualquer que seja o tipo de criação, nada muda quanto ao destino do animal. Nas criações ditas “bio” (biológicas) é a saúde do ser humano que é levada em conta. O acesso entre o galpão e o exterior é permitido ás galinhas durante 3 horas por dia; elas têm a possibilidade de andar um pouco em um estreito corredor gradeado. Neste tipo de aviário elas também não verão nem um pedaçinho de grama ou de vegetação. Os produtores, por lhes ‘permitirem’ andar um pouco têm o direito de chamarem estes animais de ‘galinhas felizes” e podem usar nas embalagens desses ovos uma foto, por exemplo, de uma bela galinha ciscando sozinha em um imenso campo verde!

A criação em livre percurso

Este tipo de criação é o menos “cruel” e benefico do que o “sistema extensivo de criação”; ao contrário dos sistemas precedentes, que são denominados como sistemas de criação intensiva. Esta dualidade de sistemas existe também quanto á criação de vacas leiteiras e de bezerros para carne.

A regulamentação européia obriga normalmente o acesso contínuo a um terreno vasto, recoberto , pelo menos em parte, por uma vegetação. O único problema (!) é que todo tipo de criação animal os utiliza como vulgares mercadorias, como simples objetos. E, assim como nos criadouros intensivos ou ao ar livre, é obrigatório que se eliminem os animais pouco ou não produtivos.

Os ovos fecundados são separados dos outros e, desde a eclosão, os pintinhos machos são automáticamente exterminados. Em cada dois animaizinhos, um sofre ‘genocídio’. Eles serão coletivamente eletrocutados, mortos em câmaras de gaz, sufocados em sacos ou esmagados por um rôlo compressor.

A conclusão

Eis porque nós recusamos consumir ovos. Ainda devemos ressaltear que nenhum alimento de origem animal é indispensável á nossa nutrição. Bem ao contrário, diversas doenças são causadas por este consumo. Pelas mesmas razões nós recusamos a carne, o couro, o leite das vacas e todas as formas de exploração animal. Nós levamos em consideração os interesses dos animais em função do que eles são: indivíduos sensíveis (á dor).

Percebemos rápidamente que nossa alimentação, assim como outras práticas ultrapassam nossos interesses pessoais. Por essa razão, nossa responsabilidade face ao massacre e ao sofrimento animal é total.

Fontes: Que sais-je? n°374 : l'animal dans les pratiques de consommation,Alliance Végétarienne, PMAF vidéo e reportagens diversas
O lugar consagrado aos animais…

É bastante paradoxal, em nossa sociedade. Por um lado, eles são adorados, mimados, admirados pela sua beleza, pela sua potência, considerados como membros de nossa
família… e, por outro lado, eles sofrem os piores tratamentos. Este paradoxo se explica pois, tanto em um caso como no outro, o destino dos animais está relacionado ás motivações egoístas dos seres humanos. Os animais são capazes de sentir alegria, sofrimento físico e /ou moral, porém raramente nós levamos em conta seus próprios interesses. As situações que evidenciam isso são numerosas:
–      tortura em laboratórios,
–      assassinato em massa nos abatedouros,
–      aprisionamento de animais por toda vida, em jardins zoológicos,
–      extermínio dos animais através da caça e da pesca,
–      criação extensiva concentracionária a fim de gerar mais rentabilidade,etc..

Tudo isso prova que nossa sociedade é especista. O especismo é, para a espécie, o que o racismo e o sexismo são, respectivamente, para a raça e o sexo: a vontade de não levar em consideração (ou de levar menos em consideração) os interesses de alguns em benefício de outros.

O movimento de igualdade animal foi criado a fim de informar, fazer refletir e dar um fim a essas descriminações arbitrárias entre todas as espécies (aí incluída a espécie humana). Nós nos opomos a todas as formas de domínio (homens/mulheres, htererossexuais/homossexuais, adultos/crianças, patrões / empregados, as) e nós denunciamos, mais especificamente, a opressão, a mais banalizada :a dos animais. Nós não sacralizamos a vida e não são razões místicas que nos animam: o que nos preocupa é o sofrimento e o massacre de indivíduos sensíveis.

Nós nos distinguimos também dos movimentos de defesa animal que reivindicam a melhoria das condições de exploração dos animais, e que não colocam em pauta a
exploração em sí.

Podemos facilmente colocar estas idéias em prática no cotidiano:
–      Não mais comer os animais (carnes, peixes…) nem produtos oriundos desta exploração (produtos lácteos, ovos, mel…). Esta atitude não prejudica a saúde e
permite não participarmos do maior massacre organizado pela humanidade,
–      Boicotarmos as touradas, os jardins zoológicos, as feiras onde se vendem animais, os circos onde animais trabalham.
–      Utilizar produtos de uso doméstico e cosméticos que não contenham substâncias animais e que não tenham sido testados em animais.
–      Não utilizarmos couro nem pele, nem lã nem seda…
–      Recusar a domesticação dos animais.

Trata-se de ollharmos criticamente os valores e as práticas de nossa sociedade e, através de nossas escolhas, lutarmos contra as que são arcaicas e perigosas.
Nossa personalidade e nossos comportamentos são o fruto de toda uma cultura e de toda uma educação. Por isso, uma análise e uma reflexão se impõem a fim de reestruturarmos novas idéias e práticas para transformarmos radicalmente a sociedade, para construirmos a emancipação humana e a liberação animal.

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