Pensamento compartimentalizado

Lembra um pouco os ‘acordos de gestão’, em Flandres [Bélgica], que buscavam uma maior integração entre natureza e agricultura. Hoje, o contexto mais amplo é o Protocolo de Kyoto, que entrou em vigor em 2005 e que imediatamente apresentou alguns efeitos indesejados. Dos muitos recursos, poucos – ou nada – chegam às pessoas que, há gerações, vivem em relativa harmonia com a natureza. Ao contrário: há – inclusive na região de Curitiba – muitos exemplos de pessoas que são expulsas da mata, enquanto eles já vivem e se sustentam lá desde os primeiros registros feitos pelo homem. Devido a uma visão estreita de preservação da natureza e com recursos decorrentes de uma lógica capitalista, tenta-se recuperar a natureza enquanto as pessoas são transferidas para as favelas das cidades. O que também lembra a visão dominante em Flandres: um pensamento compartimentalizado das funções ‘agricultura e natureza’, ao invés de recuperação da natureza a partir de uma ótica de entrelaçamento. Esta mentalidade impregna tanto o ‘Plano Estrutural de Flandres’ quanto as cabeças de algumas organizações ambientais e agrícolas. É claro que Wervel defende o entrelaçamento de agricultora e natureza, pelo menos nos locais onde isso é possível e para o enriquecimento de ambas (1). ‘Separação’ é uma boa solução para regiões vulneráveis. Estas são representadas por reservas naturais, em Flandres, e pelas reservas florestais, no Brasil.

Please follow and like us: