Paz

Ainda está muito longe a luz no fim do túnel para enfim sairmos desta violência generalizada e confortarmo-nos na tranqüilidade da tão sonhada paz.

As pessoas não se cansam de apelar, com passeatas, faixas e diferentes manifestações a favor deste tão utópico desejo, paz. Mas a truculência da ignorância parece zombar de todos esses protestos, como se fossem simples choro de crianças inocentes.

O troar das bombas, o rio de sangue, o choro das vítimas, tudo isso se espalha pelos quatro cantos deste nosso imenso e sofrido planeta. Para alguns é pior, pois que sentem na própria pele ao vivo e a cores as coisas acontecendo, para outros, mais fácil, embora também deprimente, captando tudo pelas telas da televisão. E a grande pergunta continua sem resposta, por que? Por que já em pleno ano 2003 ainda não nos convencemos que as armas de destruição de qualquer espécie não resolvem nenhum de nossos problemas? Por que teimamos em nos considerar diferentes de outros seres humanos conforme a cor da pele, formato do olho, língua diferente, maneira de louvar a Deus, quantidade de bens ou seja lá o que for?

Esta simples frase: “faça aos outros o que desejares a ti mesmo”, se fosse levada a sério, já acabaria com a maioria de nossos problemas, mas infelizmente, de tão simples tornou-se incompressível. Especula-se sobre os muitos motivos para as origens da violência, mas raramente alguém se atreve a dizer o que, a meu ver, tem uma importância vital na causa dessas ocorrências, a brutalidade contra os animais. O terrível costume de se alimentar com a carne de outras espécies de vida, está completamente disseminada em todos os cantos do mundo e procurar convencer os seres humanos a abandonarem esta prática me parece como tentar derrubar a cabeçadas, a grande muralha da China. Grandes pensadores, sábios e filósofos, já se pronunciaram contra esta prática, mas invariavelmente suas opiniões caem no vazio. O enorme egoísmo vigente em todas as camadas de nossa sociedade, geralmente com os olhos voltados para seu próprio umbigo, não tem o menor interesse em sequer dar alguns minutos de sua atenção para a enormidade deste milenar e bárbaro costume de maus tratos e assassinato de vidas inocentes para aplacar o desejo de seus esfomeados estômagos. Totalmente apegados à teoria corrente da chamada cadeia alimentar, onde o mais forte tem o direito de matar ou “pagar para matar” e comer, armam-se de velhos clichês como justificativa, totalmente alheios para a fisiologia de nosso organismo claramente adaptada para a digestão vegetariana. Matar para comer é um hábito selvagem que deve ser limitado aos carnívoros animais irracionais que já nascem equipados com as ferramentas adequadas para esse fim, ou seja, garras, dentes e aparelho intestinal.

Quando comemos carne, ingerimos também todo o sofrimento pelo qual passou aquele animal, desde os maus tratos enquanto prisioneiro, até a terrível hora final de sua execução. “Ao matar, o homem suprime em si mesmo, desnecessariamente, a capacidade espiritual mais elevada da compaixão para com os seres vivos como ele e, ao violar seus próprios sentimentos, torna-se cruel, levando assim, a uma progressão natural da violência que conduz inevitavelmente a sociedade humana à guerra contra seus próprios irmãos” (Tolstoi). Não existe motivo real para a prática da carnificina. Muitas das causas da fome e desnutrição dos seres deste planeta deve-se a este costume, pois a criação de animais para este fim ocupa milhões de hectares que poderiam ser melhores distribuídos para o cultivo de legumes e cereais, aumentando em muito a massa alimentícia e diminuindo por sua vez os custos destes alimentos, além de proporcionar mais empregos e melhorar a saúde da população, livrando-as das muitas doenças comprovadamente causadas pelas toxinas da carne. Culpa-se muito as drogas como principal motivo para a origem da violência, mas, a meu ver, droga maior é esta disseminada e carnívora prática alimentar.

Fernando Bittencourt – nandonatureza@yahoo.com.br

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