Ovídio (43AC – 17DC)

Ovídio (43AC – 17DC), poeta romano, em "As Metamorfoses", décimo-quinto livro, escreveu:

"Ah, que maldade introduzir carne em nossa própria carne, engordar nossos corpos glutões empanzinando-nos com outros corpos, alimentar uma criatura viva com a morte de outra ! No meio de tanta riqueza como a terra, a melhor das mães, provê, nada, na verdade, te 
satisfaz, a não ser o comportar-se como os ciclopes, que infligem dolorosos ferimentos com seus dentes cruéis !  Não podes apaziguar o desejo faminto de teu estômago cruel e glutão exceto destruindo outras vidas.

Não tire a vida que você não pode dar. 
Porque todas as coisas têm um mesmo direito de viver, 
Mate criaturas nocivas onde seja pecado salvar;
Esta é a única prerrogativa que temos;
Mas nutramos a vida com alimento vegetal,
E evitemos o gosto sacrílego do sangue.

Abstenhamo-nos, ó mortais,
De corrompermos nossos corpos com alimento tão ímpio!
Há milho para você, maçãs, cujo peso faz vergar 
Os galhos entortados;  há uvas que enfeitam 
Os vinhais, e ervas agradáveis, e verduras
Feitas suaves e macias com o cozinhar; há leite 
E mel. A terra é generosa
Com sua provisão e seu sustento
É muito gentil; ela oferece, para suas mesas,
Alimento que não necessita derramamento de sangue e nem assassínio.

Ó boi, quão grande é a sua sobremesa ! Um ser sem traição, inofensivo,
Simples, disposto ao trabalho ! Ingrato e sem valor dos frutos da
Terra é o homem, que seu próprio empregado assassina e golpeia com o
Machado o pescoço de quem tantas vezes renovou para ele o rosto da
Terra dura por tantas colheitas."

A poesia de Publius Ovidius Naso incluía poemas sobre o amor (Ars Amatoria), sobre os mitos (Metamorfoses) e sobre seu sofrimento no exílio (Tristia).

Embora não haja evidência de que Ovídio tenha realmente praticado o vegetarianismo, é evidente que ao menos simpatizava com a opinião de Pitágoras.

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