Os agricultores como colonizadores

 

O interessante é que o termo ‘colonial’, aqui no Brasil, não possui (ainda) este significado negativo. Ao contrário, é uma expressão de identidade e até de renovação. O termo ‘colonial’ dá aos agricultores e às comunidades uma característica própria, assim como ‘norbertino’ diz algo sobre minha identidade. ‘Colonial’ carrega, com razão, as lembranças do sofrimento dos primeiros colonos enquanto, nas aulas de história, o sofrimento e a morte dos indígenas são injustamente silenciados. Às vezes, o sabor colonial se transforma em ‘sabor natural’: estes são os produtos da agricultura familiar. Produtos cuja fabricação os agricultores familiares querem manter em suas próprias mãos, longe das garras do agronegócio que quer dominá-los. Ou será que os agricultores aqui simplesmente querem manter o significado original da palavra latina colonus, indiferentes à história de violência associada à palavra (4)? Também não se pode deixar de mencionar que aqui, em Santa Catarina, ainda há uma grande quantidade de conflitos entre agricultores e sociedades indígenas. Isto, obviamente, está relacionado com a invasão não tão pacífica dos agricultores. No último século, as relações não foram – e não são – isentas de comportamento racista. Veja uma crônica anterior, de 25/02/06, sobre ‘Erva Mate’; escrita na casa de Rose e Orlando. Aliás, qual é a diferença com a colonização do território palestino pelos israelenses? Sim, talvez seja esta a grande diferença: os palestinos não têm para onde ir, porque a Terra ‘Santa’ é menor do que um selo no mapa-múndi. Os guarani, os kaingang, os yanomami ainda podem fugir para regiões mais distantes neste imenso país chamado Brasil. Os palestinos são confinados atrás de muros. Os indígenas recebem reservas. É um ‘benefício’. As terras são cedidas em regime de comodato pelo Estado brasileiro, enquanto a América é sua terra ancestral.

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