ONU não consegue moratória à pesca de arrasto

Depois de Canadá e Espanha, que tentavam barrar a proposta, cederem, grupo liderado pela Islândia bloqueia negociações em Nova Iorque

Por: Gustavo Simon
Publicado em: 27/11/2006

A proposta de uma moratória mundial para a pesca de arrasto no fundo dos oceanos nadou e morreu na praia.

O comitê da Organização das Nações Unidas, ONU, que supervisiona a pesca em alto mar, que negociava o projeto há diversas semanas em Nova Iorque (EUA), não conseguiu unanimidade para efetivar a proposta – feita por Costa Rica, Micronésia e Palau em 2001. Foto: Greenpeace/Kate DavisonPesca predatória

Tudo indicava que a moratória seria iniciada, depois que Canadá e Espanha cederam à pressão internacional e apoiaram a iniciativa – os dois sempre haviam se mostrado contrários à proposta.

Mas o jogo virou quando um grupo de países liderado pela Islândia resolveu bloquear as negociações. China, Coréia do Sul e Rússia resistiram à proibição, que contava com o apoio de Estados Unidos, Austrália, África do Sul e Brasil, entre outras muitas nações.

"Há vários países que, na verdade, não querem controle nenhum", apontou à agência Associated Press Claudia Murray, secretária-assistente de Estado dos EUA e representante de George W. Bush nas reuniões. "Estamos desapontados com o resultado".

Karen Sack, Consultora de Políticas Para os Oceanos do Greenpeace, uma das entidades que mais lutou pela moratória, foi ainda mais radical.

"A comunidade internacional deveria estar ultrajada com o fato da Islândia ter podido, quase que unilateralmente, naufragar uma proposta de proteção ao fundo do mar", criticou Sack, que acompanhou as discussões finais. "Os islandeses devem ficar envergonhados, assim como todos aqueles países que não os enfrentaram e lutaram pelo futuro dos oceanos".

Os resultados – De qualquer forma, nem tudo está perdido para aqueles que batalharam pela moratória. A ONU conseguiu aprovar um documento que não impõe a proibição, mas aponta uma série de medidas que podem ser adotadas pelos países para minimizar os efeitos da prática, uma das mais destrutivas para o meio ambiente marinho.

 

Foto: Greenpeace/Kate Davisonpesca predatória

A resolução final do comitê recomenda que os Governos se certifiquem de que barcos envolvidos na pesca de arrasto não estejam danificando o fundo dos oceanos ou simplesmente adotem moratórias locais ou regionais, proibindo a modalidade a embarcações que usem suas bandeiras nacionais.

O Greenpeace sugere ainda que sejam estabelecidas restrições à importação de pescado proveniente de países que exerçam o arrasto e que nações dispostas a continuar lutando pela moratória criem uma rede mundial de reservas marinhas.

Por enquanto, a luta continua.

Fonte: http://pesca-cia.uol.com.br/noticias/noticias.asp?idMateria=520 

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