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“Ongueiros” vivem maratona climática às vésperas de Copenhague

MAURÍCIO KANNO
colaboração para a Folha Online

As atividades das ONGs ambientais cresceram em 2009, ano decisivo para quem aguarda uma solução quanto ao aquecimento global. Militantes, ongueiros e ativistas "verdes" vivem dias de correria e agenda cheia, no Brasil e no mundo.

Um bom exemplo de como um evento como a conferência de Copenhague modifica a rotina de quem milita pelo meio ambiente é a coalisão de cerca de 240 entidades para a chamada campanha TicTacTicTac, formada neste ano especificamente para pressionar os líderes mundiais por um acordo.

Divulgação
Grande Pirâmide de Giza, durante manifestação convocada pela coalisão de ONGs TicTacTicTac, com 5.200 eventos em 181 países
Grande Pirâmide de Giza, durante manifestação convocada pela coalisão de ONGs TicTacTicTac, com 5.200 eventos em 181 países

Em 24 de outubro, a coalisão organizou um evento cuja mobilização foi considerada por eles recorde em um único dia: 5.200 eventos em 181 países, apenas 11 países a menos que o total de 192 participantes da ONU.

Essa foi a chamada em busca do limite de 350 ppm (partes por milhão) de CO2 na atmosfera.

A coalisão TicTacTicTac também coletou quase 10 milhões de assinaturas em todo o mundo, sendo 170 mil no Brasil.

Outra ONG que reforçou suas mobilizações neste semestre foi o Greenpeace. Na última terça-feira (1º), estenderam um banner de 9 mil metros quadrados em Brasília, o maior aberto pela ONG em seus 38 anos de história.

Também na capital brasileira, em outubro, estenderam um varal com 77 mil assinaturas.

Alan Marques/Folha Imagem
Manifestantes do Greenpeace estenderam banner de 9 mil metros quadrados na Esplanada dos Ministérios com recado para Lula
Manifestantes do Greenpeace estenderam banner de 9 mil metros quadrados na Esplanada dos Ministérios com recado para Lula

Durante a reunião preparatória de Barcelona, em novembro, ativistas do Greenpeace escalaram uma estátua de Colombo e também a igreja da Sagrada Família, onde penduraram faixas de protesto.

Em outubro, subiram até em um obelisco de cem metros na Espanha.

Desde a semana passada, os ativistas atuam com "orelhões móveis" pelas ruas.

O objetivo é convocar as pessoas a telefonar ao gabinete do presidente Lula, para pedir metas mais ambiciosas.

Rivaldo Gomes/Folha Imagem
Com fantasias de vacas, Greenpeace protesta na av. Paulista para alertar sobre desmatamento na Amazônia, causado pela pecuária
Com fantasias de vacas, Greenpeace protesta na av. Paulista para alertar sobre desmatamento na Amazônia, causado pela pecuária

Em setembro, houve ainda a Semana do Clima, com eventos diários pelas ruas. Não faltaram ativistas fantasiados de vacas, para alertar sobre o impacto da pecuária no aquecimento global e outros vestidos de guardas, dando multas para quem poluía a atmosfera com automóveis.

Contratações

A luta contra o aquecimento global pode ser também uma boa oportunidade para quem procura um emprego. A equipe para Mudanças Climáticas e Energia da ONG WWF no Brasil cresceu em 2009, com a contratação de um coordenador dedicado exclusivamente ao tema. Três representantes estarão presentes atuando durante toda a conferência de Copenhague.

Reprodução/WWF
Ponte Octávio Frias de Oliveira, que cruza o rio Pinheiros, em SP, durante o evento Hora do Planeta, organizado pela ONG WWF
Ponte Octávio Frias de Oliveira, que cruza o rio Pinheiros, em SP, durante o evento Hora do Planeta, organizado pela ONG WWF

Em março, o grupo realizou o evento A Hora do Planeta, quando milhares de pessoas em cerca de 4.000 cidades em 88 países do mundo –113 no Brasil–, desligaram suas luzes durante uma hora para manifestar seu engajamento contra as mudanças climáticas.

"Durante este ano, as negociações de clima foram o foco principal de nosso trabalho", diz Carlos Rittl, coordenador da área do WWF-Brasil, ONG que lançou em sua vertente internacional uma série de estudos sobre o tema este ano. "A agenda de negociações internacionais foi muito intensa", diz.

Municípios unidos

A associação internacional de governos locais Iclei (Governos Locais pela Sustentabilidade) acompanha as discussões climáticas desde 1990, quando foi fundada. Florence Karine Laloe, gerente de projetos para Mudanças Climáticas da associação, conta que o número de cidades que aderiram à associação praticamente dobrou entre 2008 e 2009.

Relativamente novo no Brasil, em 2005 o Iclei contava com oito municípios associados, um número que passou para 13 em 2008 e cerca de 25 em 2009. Pelo mundo, o crescimento de municípios associados pulou de aproximadamente 900 em 2008 para 1.100 em 2009.

Apesar de o número de municípios brasileiros ser pequeno comparado ao total global da associação, Laloe explica que a população nas cidades brasileiras correspondente equivale a quase 20% do total de municípios pelo mundo associados.

Fonte: Folha

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