O sistema deve mudar de curso

Durante o intervalo, a vice-presidente da Bretanha vem conversar comigo. Por causa dos dizeres na camiseta que uso – “boeken op bosvriendelijk papier” [livros em papel de florestas sustentáveis] ‑, ela pensa que eu trabalho para o Greenpeace. Ela começa a falar sobre o excelente trabalho do Greenpeace-Bélgica: pecuária de leite com ração livre de transgênicos. Ela me conta que agora, na Bretanha, também há muitos produtores que substituem seu milho pela combinação gramíneas-trevo. E completa afirmando que, por enquanto, a dificuldade continua sendo desenvolver alternativas para aves e suínos, mas que isto é extremamente necessário. É que a Bretanha abriga 50% de todas as aves e suínos na França por causa da proximidade dos portos que recebem a matéria-prima barata para ração animal.

Ela confidencia: “Todo o sistema precisa ser derrubado, com o retorno de ciclos mais regionais. Mas, como neste momento a posição do governador Requião está enfraquecida em sua luta contra os transgênicos, não vou propor na frente das câmeras de televisão a redução de nossa importação de soja. Em curto prazo isso traria problemas, tanto para os agricultores brasileiros quanto para os da Bretanha. Em longo prazo, porém, precisamos retornar a uma agricultura menos intensiva e produzir nossas próprias proteínas. Neste momento devemos bater na tecla da soja não-transgênica, para garantir a autonomia de agricultores e agricultoras.”

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