O que é a “doença da vaca louca”?

Conhecida tecnicamente como Encefalopatia Bovina Espongiforme (a sigla original em inglês é BSE), a "doença da vaca louca" é uma doença de progressão lenta e que leva a um desequilíbrio neurológico no boi adulto. A versão humana da BSE é a doença de Creutzfeldt-Jakob (sigla original CJD), ou Encefalopatia Humana Espongiforme, descoberta em 1920 por Creutzfeldt e ratificada por Jakob em 1921.

Em 1996, o governo britânico foi avisado por um comitê de cientistas de que uma nova variante da CJD foi identificada e relacionada à BSE encontrada no gado. Em 20 de março de 1996, o governo anunciou a provável relação entre as duas doenças.

Ambas doenças se caracterizam por fazer com que o cérebro de seu portador (humano ou não), examinado ao microscópio, se pareça com uma esponja. Isto é causado pelo processo chamado de vacualização do citoplasma neuronal.

A BSE recebeu a atenção geral da comunidade científica pela primeira vez em novembro de 1986 com o surgimento de uma nova forma de doença neurológica na Inglaterra. Depois disso, até 31 de maio de 1996, foram confirmados 160 mil casos no país.

Os estudos epidemiológicos sugeriam que a origem da doença era a ração para gado preparada a partir das carcaças de outros animais ruminantes, e que os processos de fabricação da ração introduzidos em 1981-1982 podem ter sido uma causa adicional.

A BSE é associada com um agente transmissor, o qual não é bem conhecido. Esse agente afeta o cérebro e a medula espinhal do gado causando as lesões semelhantes aos buracos de uma esponja.

Esse agente é muito estável, resistindo à temperaturas de cozimento, temperaturas ainda mais altas como a de pasteurização, esterilização, como também ao congelamento e desidratação. A doença é fatal àlgumas semanas depois do contágio.

Até outubro de 1996, a BSE foi encontrada em 10 países. Em Portugal, França, Irlanda e Suiça, a doença ocorreu em gado nativo. No Canadá, Dinamarca, Ilhas Malvinas, Alemanha, Itália e Oman, houveram casos que foram atribuídos à importação de gado da Inglaterra.

Hoje em dia, 400 a 700 reses estão sendo diagnosticadas com BSE a cada semana na Inglaterra.

Há várias formas de doenças cerebrais transmissíveis e a BSE é apenas mais uma delas. Outras doenças similares ocorrem em ovelhas, mink, cervos, alces, gatos domésticos e ruminantes.

As doenças em humanos incluem o Kuru – uma doença transmitida pelos rituais de manipulação e canibalismo de corpos e cérebros humanos na Papua Nova Guiné – e a CJD. Essas doenças se caracterizam por perda da coordenação e posterior demência.

Em 10% dos casos, a CJD é uma predisposição hereditária, e no restante dos casos ela pode ser transmitida pelo consumo de hormônio de crescimento humano, equipamento cirúrgico contaminado e transplantes de tecidos em redor do cérebro.

A teoria estudada atualmente é a de que a contaminação se dá por uma proteína anormal, chamada prion, que interage com o material genético (DNA) para reproduzir a si própria e sua acumulação causaria os efeitos da doença.

Possivelmente, a BSE presente no gado teria causado alguns casos de CJD em humanos através do consumo da carne. Alguns cientistas como o Dr John Collinge, especialista em CJD e professor de neuro-genética no St Mary's Hospital, acreditam que a doença pode ser transmitida de uma espécie à outra (de gado para humanos).

O aumento da BSE em 1986 foi atribuído ao uso de carcaças de animais contaminados na produção de ração para alimentar o gado.

Desde 1993, três fazendeiros leiteiros que possuíam rebanho contaminado com BSE morreram de CJD. Uma menina adolescente sem histórico familiar e sem possibilidade de origem médica da doença desenvolveu CJD, que foi confirmada por biópsia.

http://www.vegsoc.org/info/bse.html
http://www.animalconcerns.org/news/mad_farmer.html
http://www.nmia.com/~mdibble/prion.html
http://www.who.int/inf-fs/en/fact113.html

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