O que aconteceu?

Nesta madrugada, em torno das 4 horas, cerca de 2 mil pessoas (principalmente mulheres) invadiram a multinacional Aracruz Celulose e atacaram três milhões de mudas de eucalipto nos telados. Em meia hora a tarefa foi concluída. Além disso, destruíram o coração da empresa: o laboratório com experimentos de ‘melhoramento’ dos plantios de eucalipto no Brasil. Leia-se: ‘tornar ainda mais produtivos’, pois todas as pesquisas do agronegócio estão voltadas, exclusivamente, para aumento da produção. Esta superespécie arbórea da Austrália possui cerca de mil variedades, das quais pelo menos metade consegue se desenvolver no Brasil. Economicamente, a espécie é muito interessante, pois é possível fazer a colheita dentro de sete anos. Para estas empresas, os lucros alcançam níveis estratosféricos (3). Os desertos verdes de soja deslocam-se do Sul para o Centro-Oeste, os desertos verdes de eucalipto ocupam seus lugares no Sul. Aracruz é a líder. A empresa já plantou 250 mil hectares de eucalipto, dos quais 50 mil hectares no Rio Grande do Sul. A empresa internacional norte-americana, com seus 30% do mercado, é líder mundial em celulose de eucalipto e está a ponto

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Contra o deserto dos eucaliptos, a miséria e a fome

 

 de investir 1,2 bilhões de dólares em uma nova indústria de celulose. Para sua localização, eles ainda vão escolher entre os estados Bahia, Espírito Santo ou Rio Grande do Sul. Se a opção for pelo Rio Grande do Sul, a capacidade de produção será aumentada em 1 milhão de toneladas de celulose. Isto significaria que 2% a área do estado seriam ocupados por reflorestamentos de eucalipto. As atuais indústrias da Aracruz já produzem, atualmente, 2,4 milhões de toneladas de celulose branqueada por ano no Brasil. Isto causa uma enorme poluição da água e do ar, e ainda nem falamos dos problemas de saúde e dos inúmeros focos de tensão social. Graças à ditadura militar, a multinacional entrou no país em 1967 e foi beneficiada financeiramente pelos sucessivos governos. O último impulso para o agronegócio é a ‘Lei Kandir’, de 1996, que estabelece isenção de Imposto Sobre Circulação de Mercadorias – ICMS para ‘produtos primários e produtos industrializados semi-elaborados destinados ao exterior’. Uma vez que a Aracruz produz, basicamente, para o mercado norte-americano, ela praticamente não paga impostos.

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