O Passáro Cativo (Olavo Bilac)

Não quero o teu alpiste!

Gosto mais do alimento que procuro

Na mata livre em que voar me viste;

Tenho água fresca num recanto escuro

Da selva em que nasci;

Da mata entre os verdores,

Tenho frutos e flores

Sem precisar de ti!

Não quero a tua esplêndida gaiola!

Pois nenhuma riqueza me consola,

De haver perdido aquilo que perdi…

Prefiro o ninho humilde construído

De folhas secas, plácido, escondido.

Solta-me ao vento e ao sol!

Com que direito à escravidão me obrigas?

Quero saudar as pombas do arrebol!

Quero, ao cair da tarde,

Entoar minhas tristíssimas cantigas!

Por que me prendes? Solta-me, covarde!

Deus me deu por gaiola a imensidade!

Não me roubes a minha liberdade…

Quero voar! Voar!

Estas cousas o pássaro diria,

Se pudesse falar,

E a tua alma, criança, tremeria,

Vendo tanta aflição,

E a tua mão tremendo lhe abriria

A porta da prisão…

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