O paraíso dos shopping centers

Freqüentemente, os supermercados são apenas um componente de imensos shopping centers, que seguem o modelo norte-americano. A classe média gosta de circular nestes shoppings, nem sempre para comprar, mas também para ver e para ser visto. Além disso, é um lugar seguro, vigiado por serviços de segurança particulares. Mas até nisso pode haver mudança. As desigualdades na sociedade brasileira são tão grandes que os excluídos estão reivindicando sua parte de maneira cada vez mais agressiva. Há alguns meses, Curitiba foi sacudida por violência entre jovens em shopping centers. A bolha da ilusão do paraíso do consumo recebeu uma alfinetada.

 

Será que a agricultura familiar, com sua agroindústria familiar e suas feiras da agricultura familiar, não poderia se revelar um caminho mais seguro para o futuro? Rumo à segurança dos alimentos, segurança alimentar e soberania alimentar. Um mercado justo, onde – além disso – qualquer pessoa pode se sentir ‘segura’ e manter sua dignidade.

Produtor e consumidor.

 

Chapecó, 28 de fevereiro de 2006.

 

(1)   Saquinhos de plástico constituem problema ambiental na África: <http://news.bbc.co.uk/2/hi/africa/4292205.stm>.

Buscando a solução: blocos de pavimentação feitos com saquinhos plásticos e areia, um projeto social com jovens, em Níger: <http://www.planeteafrique.com/Republicain-Niger/index.asp?affiche=News_Display.asp&ArticleID=2308>.

E uma ONG apóia o processo: <http://www.ipsnews.net/fr/_note.asp?idnews=2999>.

O governo da região de Valônia, na Bélgica, decidiu banir os saquinhos plásticos dos supermercados a partir de 2010 e de todas as mercearias a partir de 2012. Um pouco mais tarde, o governo federal seguiu o exemplo, criando um pequeno imposto sobre saquinhos plásticos. No Brasil, encontro de vez em quando, ao longo das rodovias, placas de sinalização informando que “o plástico leva 150 anos para se decompor”. Veja também o debate ‘Embalagens descartáveis de soja?’, no livro ‘Navios que se cruzam na calada da noite. Soja sobre o oceano’. Desde maio de 2007, no Paraná, os supermercados estão sendo responsabilizados – com base na lei – pela poluição causada pelos saquinhos plásticos. O governo do Paraná, por meio da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) e os supermercados estão, agora, negociando sobre as alternativas: fornecimento de saquinhos de degradação mais rápida (18 meses), convencer os consumidores a utilizarem sacolas de pano, campanhas de reciclagem, etc. Veja <http://funverde.wordpress.com/2007/05/24/sacolas-plasticas-com-os-dias-contados-no-parana>.

(2)   Review of agricultural policies in Brazil [Análise das políticas agrícolas no Brasil]’, de Jonathan Brooks, OESO [OCDE – Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico], 2005 (jonathan.brooks@oecd.org). Mesmo que a OCDE seja um reservatório liberal de pensadores, ainda se encontram lá questões que valem a pena ser consideradas. Eles reconhecem, entre outros, como a agricultura familiar foi seriamente oprimida devido à onda de liberalização da década de 1990. Um fato bastante significativo é que o relatório se refere, constantemente, à ‘substituição das importações’: uma política que o Brasil conheceu de 1945 até o início da década de 1990. Como se a regra de ouro e ponto de partida da economia fosse ‘importação-exportação’. Ou seja, promover ao máximo o comércio internacional, transportando alimentos e bens de lá para cá e vice-versa. Esta ‘substituição das importações’ é interrompida pela ‘liberalização’, na década de1990.

(3)   A concentração de poder dos supermercados é um fenômeno mundial. Enquanto as três maiores multinacionais de alimentos (Nestlé, Kraft e Unilever) detêm – cada uma – ‘apenas’ 3% do mercado mundial, os supermercados, em conjunto, detém com suas marcas próprias cerca de 12% do mercado. Eles impõem preços ao produtor e consumidor. Com suas marcas próprias, eles conseguem até suplantar as grandes multinacionais de alimentos.

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