O cânhamo demonstra que há futuro para a agricultura no Norte e no Sul

Wervel possui uma revista e vários boletins eletrônicos. Os temas são:

·                     transição de proteínas;

·                     agrossilvicultura e agroecologia;

·                     política agrícola;

·                     comércio local justo;

·                     campanha pró-cânhamo.

Após a decisão política sobre a utilização de cânhamo no Uruguai, Wervel fez circular em Flandres [Bélgica] e na Holanda a seguinte notícia para a imprensa. O texto foi traduzido para o português e distribuído pelas nossas redes no Brasil. O texto foi bem recebido por vários grupos.

Na semana passada, o Uruguai foi notícia porque o parlamento aprovou o projeto de lei que legaliza a Cannabis. A imprensa internacional, prontamente, classificou o Uruguai como um país que liberou as drogas, embora o avanço legal também tenha tornado possível o cultivo de Cannabis isenta de substância alucinógena, o que vem sendo pleiteado pela Latin America Hemp Trading (LAHT) [Grupo de promoção de cânhamo para fins industriais] há seis anos. O cultivo de cânhamo industrial abre o caminho para alimentos e materiais sustentáveis na América Latina.

Não, Cannabis isenta de substância alucinógena não é como a cerveja sem álcool. É uma das possíveis soluções para a crise na agricultura em todo o mundo.

A agricultura ocidental evoluiu para o cultivo em larga escala de um pequeno número de culturas, que são controladas por poucas empresas de grande porte. Essas empresas não recuam diante do desmatamento de áreas naturais, de desocupações violentas, de se infiltrar em governos, de envenenar a circunvizinhança com Roundup e manipulação genética de semente para obter o controle absoluto da produção de alimentos. A soja transgênica da América Latina destinada ao nosso gado é um claro exemplo disso.

Há anos Wervel pleiteia que, também aqui na Europa, sejam cultivadas espécies ricas em proteínas e que elas sejam utilizadas com mais inteligência. De acordo com os nossos cálculos, isso é possível mesmo com a nossa limitada área de terras agrícolas e sem que tenhamos de deixar de consumir carne. O hábito passaria a ser uma vez por semana: ou seja, “domingo, dia de carne”. O cânhamo é uma fonte local de proteína e ainda é muito pouco conhecido. Essa planta pode substituir a soja na alimentação animal, mas seria mais inteligente se nós mesmos consumíssemos as sementes. A cada ano, aumenta a gama de produtos alimentares que contêm cânhamo.

Também do outro lado do oceano, a LAHT já pleiteia, há anos, a legalização do cânhamo. Os empresários da América Latina visualizam o fim da história da soja para a pecuária em larga escala. Eles veem o cânhamo como uma alternativa socioeconômica: o cultivo exige menos fertilizantes, pode se desenvolver sem agrotóxicos e rende mais. Além das sementes ricas em proteínas, o cânhamo produz palha e fibras de alta qualidade. Por meio de aplicações inovadoras, esses produtos podem ser utilizados em materiais para construções não passivas, ou seja, materiais que armazenam CO2, ao invés de emiti-lo.

O jornal uruguaio El Observador noticia hoje que “especialistas indicam o Uruguai como possível líder no uso de cannabis industrial”. O jornal cita Don Wirtshafter, que cultiva e processa cânhamo no Canadá. Ele vê muitas oportunidades para o cultivo de cânhamo no Uruguai, bem como para o desenvolvimento de variedades que permitem duas colheitas por ano. Juan Vaz, da organização Planta tu Planta, diz que o uso recreativo de cannabis “não é a melhor nem a mais importante aplicação”. Ele conclui: “Cannabis tem aplicações em têxteis e até bioplásticos, passando por melhoramento do solo.”

Site da campanha “Dá para ser com Cannabis?”: www.kannabis.be

 

Contato para imprensa:

Patrick De Ceuster, Wervel [Grupo de trabalho por uma agricultura justa e responsável]

Endereço: Mundo B, Edinburgstraat 26, B-1050 Bruxelas, Bélgica; http://www.mundo-b.be

Telefone: (0032) (2) 893 09 60 

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