Normal

 

Sábado à noite, sentado à mesa repleta da incrível diversidade de produtos das propriedades familiares, revejo o dia como num filme. Ou melhor, principalmente durante o aperitivo: um vinho licoroso feito de laranja. Delicioso!

 

[Foto 62]

Os pequenos nos morros. Os grandes nos vales.

 

Compartilho com o grupo algumas distorções interessantes que observei ao longo do dia: ‘soja transgênica convencional’ como se a soja transgênica fosse a situação normal. ‘Eco’ para uma propriedade que cultiva 2,5 milhões clones de pinus e eucalipto. Como se um ‘reflorestamento’ com estas duas espécies exóticas pudesse dar alguma contribuição na recuperação ambiental da região. ‘Integração’. Esta palavra maravilhosa tem aqui um duplo sentido: ela é utilizada tanto para o time de futebol de amanhã quanto para o sistema de produção integrado de aves e seus produtores, que se encontram nas garras de poucas empresas multinacionais. Integração pode significar resgate e promoção das relações humanas. Futebol como um momento de integração dos diferentes projetos vinculados à Fetraf, em Sananduva. Ou seja, vida! Integração também pode significar um prenúncio do fim. O agricultor que, com suas aves e suas dívidas junto ao banco, se encontra num beco sem saída…

No Rio Grande do Sul, 90% da soja é ‘transgênica’. E desta, 99% é soja da Monsanto, tornando-se a situação convencional, ‘normal’. Infelizmente o produtor de soja transgênica não estava em casa, senão poderíamos ter ouvido seus motivos.

Normal? Há muitos anos, dei um pôster a um amigo com o texto: “Você já encontrou uma pessoa normal? Gostou do que viu?” Era um pôster imitando um espelho, para enxergar a si mesmo. Como você é.

Normal! O que é normal? O Rio Grande do Sul do espelho?

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