Nazareno pede união no Dia Mundial do Meio Ambiente

06/06/2007 – 11:23:36

Em pronunciamento na Câmara, nesta terça, o deputado Nazareno Fonteles (PT-PI) chamou a atenção para as centenas de milhões de pessoas que, em todo o mundo, serão afetadas pela diminuição da cobertura de neve e gelo no planeta: "Segundo pesquisa das Nações Unidas, 40% da população mundial pode ser afetada. Os impactos, conforme já está amplamente divulgado, variam do escasseamento da água para uso humano, animal ou agrícola, ao perigo de inundação de regiões costeiras e ilhas oceânicas, causados pela inevitável subida do nível dos mares, fenômeno provocado pelo derretimento das geleiras polares", alertou.

Ao reconhecer o imenso desafio de reverter este processo, Fonteles disse que esta é uma tarefa grandiosa e que não está ao alcance de apenas um governo, um país ou um grupo social, mas que pode ser enfrentado por todos e que, para isso, é indispensável conscientizar a população. "A mudança só pode ser feita com a mobilização da sociedade, aqui e nos demais países, e precisa ser cercada de cautela, para que não venha a gerar outros efeitos igualmente nocivos, como a fome e a destruição da biodiversidade".

No discurso, Nazareno abordou os impactos da expansão das monoculturas para a produção de bioenergia. No entendimento do parlamentar, para que novas fontes de energia mereçam ser chamadas de limpas, renováveis ou sustentáveis, novos padrões de produção e de consumo precisam ser adotados, com a agricultura familiar orgânica ocupando papel relevante.

O parlamentar petista citou estudo da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), mostrando que , para se produzir 1 caloria de proteína animal, queima-se dez vezes mais combustíveis fósseis e emite-se dez vezes mais gás carbônico que a produção de 1 caloria de proteína vegetal. Segundo a pesquisa, a criação inadequada de bovinos, por exemplo, é responsável por quase um quinto do aquecimento global, o que representa mais emissões que todos os meios de transportes combinados.

"Como parlamentar interessado na questão da segurança alimentar e nutricional, sei que, hoje, a carne bovina ocupa lugar de destaque na mesa dos brasileiros. Esta importância, entretanto, não pode fazer com que nos omitamos e deixemos de refletir a respeito dos efeitos da cadeia de produção dos bovinos no aumento do efeito estufa e, conseqüentemente, no aquecimento global e deretimento das calotas polares", citou

A seguir, a íntegra do pronunciamento

Pronunciamento do deputado Nazareno Fonteles, realizado no dia 06 de junho de 2007, comemorando o Dia Mundial do Meio Ambiente

Sr. Presidente,

Sras. e Senhores Parlamentares

Povo brasileiro.

Ontem o mundo inteiro celebrou o Dia Mundial do Meio Ambiente, data que é comemorada desde 1972, para marcar a Conferência de Estocolmo – a primeira conferência realizada pela Organização das Nações Unidas para debater o ambiente. A cada ano, um tema é escolhido. Em 2007, a discussão gira em torno de dois assuntos relevantes: as mudanças climáticas e o derretimento das calotas polares.

Conforme constatado pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, cujo relatório foi divulgado há menos de um mês pela ONU, centenas de milhões de pessoas em todo o mundo serão afetadas pela diminuição da cobertura de neve e gelo no planeta. O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) afirma que 40% da população mundial pode ser afetada. Os impactos, conforme já está amplamente divulgado, variam do escasseamento da água para uso humano, animal ou agrícola, ao perigo de inundação de regiões costeiras e ilhas oceânicas, causados pela inevitável subida do nível dos mares, fenômeno provocado pelo derretimento das geleiras polares.

São prognósticos aparentemente pessimistas, mas terrivelmente reais, Sr. Presidente. Reverter este processo é uma tarefa grandiosa, que não está ao alcance de apenas um governo, um país ou um grupo social, mas que pode ser enfrentado por todos. Para isso é indispensável conscientizar a população. A mudança só pode ser feita com a mobilização da sociedade, aqui e nos demais países, e precisa ser cercada de cautela, para que não venha a gerar outros efeitos igualmente nocivos, como a fome e a destruição da biodiversidade. A este propósito, causou-me preocupação a leitura de um artigo intitulado "Agronegócio e biocombustíveis: uma mistura explosiva", que trata dos impactos da expansão das monoculturas para a produção de bioenergia.

Publicado pelo Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, o texto alerta que o regime de monocultura na produção de álcool, óleo de soja e carvão vegetal pode ser agravado com o aumento da demanda de biocombustíveis. Para que novas fontes de energia mereçam ser chamadas de limpas, renováveis ou sustentáveis, diz o estudo, novos padrões de produção e de consumo precisam ser adotados, com a agricultura orgânica familiar ocupando papel relevante.

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais divulgou recente estudo mostrando que, se o ritmo de desmatamento não for reduzido, até o ano 2050 a Amazônia perderá 2,1 milhões de quilômetros quadrados de cobertura florestal, o que significa uma área maior do que a do México. O desmatamento é feito, principalmente, pelos grandes grupos agropastoris. Já tive a oportunidade de mostrar aqui mesmo nesta Tribuna, dados do IBGE que mostram que entre 1998 e 2004 o total de cabeças de gado na Amazônia Legal passou de quase 37,8 milhões para mais de 65,7 milhões. São números assustadores, se considerarmos que a pesquisa abrangeu um período de desaceleração da expansão do setor agropecuário.

Estes números também me chamaram a atenção. Como parlamentar interessado na questão da segurança alimentar e nutricional, sei que, hoje, a carne bovina ocupa lugar de destaque na mesa dos brasileiros. Esta importância, entretanto, não pode fazer com que nos omitamos e deixemos de refletir a respeito dos efeitos da cadeia de produção dos bovinos no aumento do efeito estufa e, conseqüentemente, no aquecimento global e deretimento das calotas polares, com graves conseqüências para as próximas gerações e mesmo para a nossa.

Em novembro do ano passado, a FAO divulgou um estudo que mostra o tamanho desse problema e o grau de nossa responsabilidade pessoal e social para revertê-lo. O relatório Livestock's Long Shadow – que em Português pode ser traduzido para A Longa Sombra dos Animais para o Abate, mostra que as atuais técnicas e métodos utilizados na produção dos gêneros de origem animal – que incluem o desmatamento para o plantio de pastagens, são responsáveis por quase um quinto do aquecimento global, o que representa mais emissões que todos os meios de transportes combinados!

Este estudo mostra que, para se produzir 1 caloria de proteína animal, queima-se dez vezes mais combustíveis fósseis e emite-se dez vezes mais gás carbônico que a produção de 1 caloria de proteína vegetal!

Como disse antes, o setor pecuário tem grande importância econômica, política e social no Brasil, como de resto em todos os paísas em desenvolvimento. Mas não posso deixar de chamar a atenção de todos para a necessidade de mudarmos hábitos pessoais que têm repercussão social e, quem sabe, contribuir para a substituição de parte da proteína animal que ingerimos em demasia, por alimentos ecologicamente mais adequados e saudáveis, por conseguinte devemos priorizar a adoção de formas mais adequadas de produção agropastoril, superando problemas hoje inerentes a esta ocupação, como a degradação do solo, a emissão de gases, a contaminação da água e a perda da biodiversidade.

Para concluir, gostaria de cumprimentar a todos os cidadãos e cidadãs que contribuem para a construção de novos paradigmas de desenvolvimento social e econômico, baseados no respeito à vida e no cuidado com o meio ambiente.

Muito obrigado.

 

Deputado Nazareno Fonteles – PT/PI

  É um dado que deixa clara a nossa responsabilidade pessoal, pois comemos cada vez mais carne: nos últimos 50 anos, o consumo de carne aumentou cinco vezes no mundo e deve dobrar novamente nos próximos 50. Confirmando os dados internacionais, hoje, o jornal O Popular, de Goiânia traz como principal destaque uma reportagem que mostra que o rebanho bovino goiano contribui mais para o efeito estufa que toda a frota de veículos do estado..

Fonte: http://www.nazarenofonteles.com/noticia.php?id_noticia=00363 

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