Nada a fazer?

Desde 2003, o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), ligado ao MST, debate a importância de uma cooperativa de camponeses. Assim os pequenos agricultores teriam mais controle sobre a formação de preços e seria possível melhorar a produção, chegando até ao cultivo orgânico de fumo. Também são realizadas manifestações políticas para romper a ‘inclusão perversa’ na indústria internacional do fumo. Fetraf-Sul/CUT combina, também, o desenvolvimento local de alternativas para a agricultura familiar com o trabalho de pressão política em Brasília. No final de outubro de 2005, este trabalho esteve voltado para a ratificação da ‘Convenção Internacional para Controle do Fumo’, que aguarda votação no Senado. A Fetraf visitou ministros e parlamentares para, dentro da tradição brasileira de combate ao fumo, também ratificar esta convenção – tanto em defesa da saúde pública no Brasil e também mundial, quanto em virtude do prestígio conquistado pelo Brasil nas relações com a ONU devido à sua campanha de combate à fome. Ao mesmo tempo, Fetraf apóia a iniciativa do governo federal para criar um ‘fundo de reconversão’. Localmente foi tomada, no dia 1o de novembro, em São Lourenço do Sul (RS), a decisão de criar uma cooperativa para gerir de forma autônoma a venda de fumo e fugir do jugo das multinacionais. Potencialmente, 10 mil agricultores da base da Fetraf têm interesse direto nesse processo de libertação da exploração extrema a que estão submetidos.

 

Enfrentar a realidade é parte do trabalho da Fetraf: partir da situação vivida por milhares de famílias sem perder de vista o ideal da transformação. Ou então, fazendo uma analogia com as palavras dos profetas bíblicos: ‘Transformar espadas em arados’ – ‘Transformar fumo em mandioca, arroz e feijão’. Alimentos saudáveis para os brasileiros.

Enquanto isso, Fetraf trabalha para revelar a situação real dos produtores de fumo no interior e torná-la mais justa.

 

Curitiba, 13 de novembro de 2005.

 

(1)   A partir de 1o de janeiro de 2006, a legislação em muitos países da Europa se tornará mais rigorosa. Será proibido fumar em todos os locais públicos.

(2)   <http://www.terradedireitos.org.br>

(3)   O livro, com todos os discursos feitos no tribunal e com as recomendações dos ausentes de todo o mundo, que apoiaram a iniciativa, ainda pode ser adquirido no endereço terradedireitos@terradedireitos.org.br: Anais do Tribunal Internacional dos Crimes do Latifúndio e da Política Governamental de Violação dos Direitos Humanos no Paraná.

(4)   O livro pode ser adquirido junto a Terra de Direitos: Fumo, servidão moderna e violações de direitos humanos, de Guilherme Eidt Gonçalves de Almeida (Curitiba: Terra de Direitos, 2005). Com um prefácio instigador de Sebastião Pinheiro, conhecido em Flandres em virtude do ‘Wervelforum 5’ pelo texto de sua autoria: ‘Landbouw, markt voor chemische wapenindustrie in vredestijd?’, Bruxelas: Wervel, 2002 [título em português: Cartilha dos agrotóxicos. Canoas, RS: Fundação Juquira Candiru, COOLMÉIA, 1998. 66 p., com ilustrações de Eugênio de Faria Neves].

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