Mondina: mondadoras descobrem a natureza na agricultura

Luc Vankrunkelsven

O sítio ’t Livinushof, em Sint-Margriete, é um desses lugares interessantes em Flandres, onde está sendo implementada a conversão. A conversão para um novo futuro. Na paisagem aberta acima de Eeklo, não muito distante da fronteira entre a Bélgica e a Holanda, a família de Carlos Noé e Sonia Sucaet ocupa, de corpo e alma, a propriedade que está na família há muitas gerações. Sonia dá aulas em uma escola em Aalter, mas, em casa, busca junto com Carlos novos rumos para a propriedade agrícola. Carlos é um agricultor muito apegado a suas terras ancestrais e, ao mesmo tempo, não tem medo de trilhar novos caminhos. Eles fizeram, parcialmente, a conversão para agricultura orgânica e, em 2005, Carlos foi um dos primeiros produtores flamengos de cânhamo.

De Livinus para Mondina

A partir de 2004, ’t Livinushof tornou-se uma colméia laboriosa Centenas de crianças vêm, entusiasmadas, experimentar a agricultura orgânica. Nasceu Mondina (1). Segundo a apresentação no site:

A palavra significa ‘mondadora’ / trabalhando bem próximo da Mãe Terra / ajoelhada / estar conectada /

‘Mondadora’ / escolhida na forma feminina / o papel da mulher na agricultura / ‘co-laboradora’

‘Monde’ / mundo / ampliar, transpor fronteiras / conexão de Leste a Oeste de Norte a Sul.

 

Mondina conta uma história cheia de vida e deseja que as crianças vivenciem que natureza e meio ambiente, agricultura e cooperação Norte-Sul estão interligados.

Este trabalho é animado, principalmente, por Katrien Brinckman. Ela domina arte de – de maneira criativa, lúdica, mas também profunda – restabelecer o vínculo das crianças com a vida que fervilha na superfície e no interior da Mãe Terra.

 

[Foto 44]

Cânhamo com 4 metros de altura!

Agricultora Sonia explica, animadamente, as vantagens dessa planta maravilhosa

A ressurreição do cânhamo

Está na hora de realizar um ‘Dia de Campo aberto ao público’, tanto da propriedade agrícola quanto da atuação de Mondina. Somos gentilmente recepcionados por voluntários que nos orientam sobre a ampla oferta de atividades. As pessoas estão chegando de localidades próximas e distantes. Chama atenção o grande número de agricultores familiares interessados em conhecer os primeiros experimentos de Carlos, o produtor de cânhamo. É claro que há muito mais para ver na propriedade, mas na excursão técnica para agricultores – em cooperação com PCBT (2) – esta cultura redescoberta é a atração principal. ‘Redescoberta’?

[Foto 45]

Com Mondina, crianças vivenciam natureza e agricultura

 

O cânhamo é uma das espécies cultivadas mais antigas de nossa cultura, mas desde a década de 1950 sua produção foi abandonada. A indústria de tecidos sintéticos deixou de lado esta espécie de múltiplos usos, que produz fibras, óleo e proteínas. O argumento: a venda de drogas nas cidades. Portanto, o meio rural foi obrigado a banir esta planta tão interessante. Desde o século XIX, o algodão importado do Hemisfério Sul, das antigas colônias, já oprimia o cânhamo. A importação de soja a baixo custo, a partir da década de 1960, tornaria o cultivo de cânhamo totalmente ridículo. Mas isto pode mudar. No início do século XXI, inesperadamente, o cânhamo começa a mexer com o ânimo do meio rural. Será que a cidade e o campo chegarão a um consenso sobre esta planta miraculosa, uma espécie que reaproxima a natureza e a agricultura? Neste dia de apresentação, tudo aponta nesta direção.

Apresentação

O sítio’t Livinushof também trabalha junto com um grupo de agricultores orgânicos da região de IJzendijke, na Província de Zeeland [Holanda]. Eles apoiaram a excursão para consumidores. ‘Apresentação e informação’ são um dos principais pontos de partida de Mondina e do’t Livinushof.

Enquanto agricultores amigos esclarecem o cultivo orgânico de maçãs, as crianças podem explorar a vida dentro e no entorno de um lago. É assim que um dos programas de Mondina traz o sugestivo nome: ‘Assassinato no lago’. Mas também são abordadas as oito Metas do Milênio, do ‘mundo dos adultos’, escondidas em um armário de brinquedos. Um pouco adiante, Frederik Claerbout, de Wervel, explica a problemática da soja no Brasil. Realmente, Norte e Sul, Leste e Oeste estão informalmente presentes no Sítio de Livinus. Livinus, o ‘bom amigo’, ensina as crianças não só a se darem bem umas com as outras, mas também a lidar cuidadosamente com a Mãe Terra. No programa ‘a ninfa das águas’, por exemplo, as crianças podem aprender que rituais podem ser um guia nesse processo de busca.

Na cantina, podemos comprar uma bela lembrança: óleo de cânhamo produzido ali mesmo. Um dos frascos traz um texto inspirador: “O fogo brota na terra quando raízes tocam a água”.

Sim, o casamento entre Mondina e Livinus possibilita que muitos vivenciem novamente o fogo e a terra, a água e o ar.

 

Em Flandres há muitas ‘escolas rurais’. Porém, Mondina proporciona claramente um valor adicional. A dimensão espiritual contida nos quatro elementos de nossa existência brota como fogo no deserto da paisagem rural de Flandres.

 

Sint-Margriete, 20 de agosto de 2006.

 

 

(1)   Veja: <http://www.mondina.be>

(2)   PCBT: Interprovinciaal Proefcentrum voor de Biologische Teelt [Centro Interprovincial de Experimentação em Agricultura Orgânica]; <http://www.west-vlaanderen.be/upload/pcbt>.

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