Melhores alunos do Provão são avessos a baladas

Francisco teve média 97 e diz que, até o colegial, empurrou "com a barriga"; David teve 95,5 e é vegetariano radical

David Turchick
Rubin: comida e lazer em casa

São Paulo – Sábado à noite, quando os amigos saem para a balada, Francisco José Alves, de 23 anos, que teve média 97 no Provão 2003, costuma ir ao Observatório Astronômico da Universidade de São Paulo, em São Carlos, onde mora. Não só vê estrelas como ouve palestras de físicos, engenheiros e matemáticos. "É um programão", garante. "Acho bem interessante."

Apesar de ter sido incluído entre os 45 alunos que tiveram as melhores notas no Provão, conforme a relação divulgada pelo MEC, Francisco não se considera um estudante fanático. "Até o colegial empurrei com a barriga." Isso quer dizer que ele não precisava enfiar a cara nos livros para ter notas altas. "Prestava atenção na aula e pronto."

Francisco fez só a 7.ª e metade da 8.ª série em escola particular. Todo o resto, estudou na rede pública. E enquanto isso, trabalhava à tarde, no escritório de contabilidade do pai. Ele acaba de se formar em Engenharia Mecânica pela USP-São Carlos. A família é de Assis, mas ele morou em São Paulo durante quatro anos. Hoje, vive numa república com três colegas.

Além de estudar, gosta de passear de bicicleta e fazer trilhas. Aprendeu a cozinhar e faz pastéis, bolinhos de arroz, omelete e macarrão. "De vez em quando, vejo o programa da Ana Maria Braga para aprender umas receitas." De festas, até que gosta, mas só se a entrada não passar de R$ 2,00. "Não posso gastar o dinheiro dos meus pais com bobagem."

Vegetariano

De classe média, David Daniel Turchick Rubin, de 21 anos, que se formou em Matemática pela USP, passou com nota 95,5 no Provão e está desempregado, sempre estudou em colégios particulares. Matemática ele sempre tirou de letra. "O que a gente precisa aprender não são fórmulas, mas estratégias para resolver os mais variados problemas", ensina. Filho de professores, David nunca precisou que os pais o mandassem estudar.

Ao contrário, foi o menino que, aos 3 anos, começou a pegar no pé dos pais. Com essa idade, ele decidiu que seria vegetariano. Durante algum tempo, ainda consumiu queijo, leite, ovos e peixe. "Eu pensava que atum era planta, por isso comia. Quando você se conscientiza de que está errado matar um animal, não tem jeito de comer?, argumenta. "Como frutas e no almoço um pratão de arroz, feijão, verduras e legumes. Não preciso mais do que isso."

David não pretende ser matemático, mas economista. Já está estudando para fazer mestrado nessa área. Fora isso, ouve muito rock dos anos 60 e toca um pouco de guitarra e piano. Sai pouco. Baladas, nem pensar. "Não sei dançar." Programas tipo cinema e fast food também não. Fica em casa, usa a internet, vê TV e pensa.

Rosa Bastos

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