Mastercard discrimina vegetarianos – Sílvia Luiza Lakatos

Sra. Cristina,  

Sou jornalista, tenho 34 anos e desde os 13 sou vegetariana. Há aproximadamente 6 anos, tornei-me vegana — isto é, além de não comer carnes, também não consumo leite e derivados, ovos ou quaisquer outros alimentos oriundos da exploração animal. Tenho amigos que não compartilham de minha opção alimentar, e mantenho com eles uma relação de absoluto respeito.

Nunca fiz patrulha ideológica sobre as dietas alheias, ainda que, como membro da Sociedade Vegetariana Brasileira, eu participe de ações de amplo alcance que visam esclarecer a população acerca dos inúmeros pontos positivos do vegetarianismo (benefícios à saúde, ao meio-ambiente, ao bem-estar dos animais e à imensa gama de famintos deste mundo, que poderiam estar alimentados se 90% dos grãos produzidos não fossem destinados à ração do gado que alimentará os poucos privilegiados que podem pagar pelo luxo da carne…).

Assim, não entendi porque seria tão positivo para os meus amigos, vegetarianos ou não, se livrarem de uma pessoa como eu. Em que medida o vegetarianismo inferioriza alguém? O que me torna uma amiga menos agradável ou desejável? Devo declinar os convites que recebo? Devo concluir que minha companhia não é bem-vinda, embora eu tenha amigos não-vegetarianos com quem convivo há mais de 15 anos? O engraçado é que sempre acho inconvenientes os babacas que viram para mim e falam: "Mas você não tem vontade nem de uma picanhinha?". Agora, a propaganda da Mastercard insinua que a babaca sou eu… Puxa vida! Espero que sua agência não tenha nada contra as ruivas, as descendentes de húngaros, as pessoas de olhos
azuis, as balzaquianas, as jornalistas, as pessoas que praticam astrologia como hobby e as que gostam de jazz.  

Sílvia Luiza Lakatos RG 19.607.530-0

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Enviado para Cristine Ceder Cristine.Ceder@mccann.com.br, / Relações Públicas / McCann Erickson Brasil;

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