Mastercard discrimina vegetarianos – Ivan Garcia

Irritados com propaganda da administradora de cartões Mastercard, que diz que "não ter nenhum amigo vegetariano não tem preço", consumidores reclamam junto à empresa e muitos cancelam seus cartões.

A consumidora Celina Resende conta que já tinha o cartão há 17 anos e que se sentiu desrespeitada na sua opção de não comer carne. "Não quero me utilizar de um serviço que associou seu nome à ridicularização e discriminação de pessoas que acreditam no que acredito", ela diz.

Questionada por alguns consumidores, a McCann Erickson, agência responsável pela campanha da Mastercard, se defendeu dizendo que "não houve a intenção de segregar, ridicularizar ou ofender qualquer cidadão ou segmento social, optante ou não pelo vegetarianismo. A menção a 'não ter amigo vegetariano' apenas teve a intenção de reforçar o cunho da promoção que é destinada a pessoas que compareçam aos estabelecimentos participantes -no caso churrascarias- em companhia de outra pessoa."

Para o advogado Flávio Hernadez, "umas das interpretações mais claras entre as possíveis é a de que 'não ter nenhum amigo vegetariano' é algo muito bom, afinal não tem preço, logo esta sentença nos faz concluir que vegetarianos são pessoas indesejáveis." O advogado acredita que a agência não teve "a intenção de prejudicar, descriminar ou ainda rotular um grupo específico, no caso, os vegetarianos, entretanto, o resultado da propaganda foi a polêmica (negativa) no meio vegetariano."

Ivan Garcia – jornalista – São Paulo – Centro de Mídia Independente: aqui

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Boicotes funcionam, diz ONG
Folha de S. Paulo, 27 de março de 2003

DA REPORTAGEM LOCAL

Não é possível prever os prejuízos causados aos produtos americanos por causa dos boicotes, mas exemplos mostram que empresas afetadas por esse tipo de comportamento do consumidor sofreram consequências, de acordo com Helio Mattar, diretor-presidente do Instituto Akatu -ONG que defende o consumo consciente.
"Podemos citar o movimento de boicote de americanos à Coca-Cola em 1997, quando a empresa foi acusada de racismo e investiu US$ 1 bilhão em um novo programa de recrutamento", afirmou Mattar.

No entanto, a maior parte dos especialistas em comportamento do consumidor não acredita em consequências econômicas mais graves para as empresas boicotadas. No Brasil, os boicotes devem ser quase insignificantes, segundo o professor de marketing da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), Ismael Rocha: "Marcas americanas famosas, como McDonald's e General Motors, estão há muito tempo no país, e o consumidor brasileiro costuma estabelecer uma relação afetiva com produtos em geral". (ALESSANDRA MILANEZ E MAELI PRADO)

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A rede de lanches rápidos McDonald's, desejando abocanhar uma maior parte do mercado consumidor indiano de mais de 1 bilhão de pessoas, pretende focar mais nas opções de refeições vegetarianas. Na Índia, por questões religiosas e culturais, as pessoas preferem não incentivar a matança de vacas para o consumo de sua carne. Paradoxalmente, o país, que possui o maior número de vacas do planeta, exporta cerca de 420 mil toneladas anuais de carne bovina.
Cardápio do McDonald's na Índia (em inglês)

 

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