Marcelo – Porto Alegre

Confesso que estou tomando consciência de que estou me tornando vegetariano, não por opção ideológica, mas por motivos bem pessoais. Fui obrigado a diminuir o colesterol e o ácido úrico, presentes nas carnes e também já não consumo carne vermelha há um tempo
considerável por constatar que havia sempre efeito ruim sobre o próximo cocô.

Mesmo assim, não dispensei um bom churrasco de picanha e maminha. É tão esporádico e o evento é mais importante que minhas convicções alimentares.

Também sou profundo amante dos animais e respeito muito a vida. Muito mesmo. Sou daqueles que não pisa no caminho de formigas, não mato insetos e ultimamente me peguei conversando com uma plantinha que tenho em casa, quando percebi que ela insiste em viver apesar dos meus maus cuidados.

Animais pra mim são como irmãos. Trato como iguais, como humanos, respeitando a particularidade da espécie. Não por decisão. Sou assim e pronto e acho que o mundo precisa de gente assim, que tenha este mesmo pensamento em relação aos humanos, às árvores, aos rios, aos mares, às baleias, aos bens públicos, ao direito do próximo, ao
motorista e o pedestre do lado, ao planeta inteiro.

É isto que nos diferencia dos outros bichos. E ouso afirmar que tenho tido ótimo retorno do planeta agindo assim. Não dispensei totalmente a carne ainda, não por achar que necessito dela. Necessitamos sim é de nutrientes, vitaminas, sais minerais, proteínas… E NÃO IMPORTA A FONTE, SEJA ELA VEGETAL OU ANIMAL.

Me alimento de carnes de frango e frutos do mar por puro prazer da carne mesmo. E este é um prazer que também encontro na cozinha indiana e em restaurantes vegetarianos – que estranhamente só abrem meio dia. Vegetariano não janta?

Já assisti todo o processo da morte de uma vaca e de um porco… acompanhei o fino momento da morte e toda a transformação artesanal do animal em produto. Não preciso comentar que é uma experiência bem desagradável.

Apesar de traumatizado, continuei comendo carne pelo prazer da carne, algo muito mais indiscutível que qualquer ideologia. Nunca fumei, mas deve ser como parar de fumar.

Mas hoje, a memória da experiência me afeta muito mais que na época. Tudo isso ficou mais pesado tomando conhecimento de todo o desperdício e desequilibrio que a produção industrial da carne causam, acirrado ainda pela discussão recente sobre o aquecimento
global.

Soma-se ao fato de ter perdido um ente felino muito querido e a forma como isto me abalou e está pronta a fórmula que está me tornando vegetariano.

Mas não diria vegetariano simplesmente. Porque, não comer carne é muito mais que comer legumes, frutas e verduras sem graça.

É desfrutar de toda uma culinária REALMENTE deliciosa e riquíssima em nutrientes. Escolha um bom restaurante e comprove por si mesmo. Mas tem que ser bom como qualquer outro restaurante. É uma questão de adaptação, mudança de hábitos. Me diga quem não torceu o nariz na primeira vez que comeu um sushi!

Cada um a seu tempo, cada um com sua realidade e sua busca pessoal. É com a mudança individual que se muda o planeta. Ditador nenhum conseguiu mudar o mundo nem teve uma morte tranquila. Ser vegetariano também não significa ser uma pessoa melhor. Mas traz benefícios incontestáveis ao planeta e ao indivíduo.

Só fica o meu protesto aos restaurantes vegetarianos: abram também
pra janta!

marcelixx@hotmail.com
Porto Alegre

 

Please follow and like us: