Japinha (CPM22)

Conversamos com o músico Ricardo Japinha, baterista das bandas CPM 22 e Hatteen. Como já diz o nick, Japinha é bisneto de japoneses originais. Ele nos contou sobre a história de sua família, da ilha de Okinawa, as tradições e costumes dos japoneses, conta sobre o que ele mais curte dentro da cultura japonesa e ainda dá dicas de algumas bandas de lá.

 

Ele também falou um pouco do que viu, quando o CPM fez uma turnê pelo Japão. O músico diz gostar da culinária, apesar de preferir a brasileira, pois é vegetariano.

 

Japinha nos fala também sobre algumas curiosidades do famoso bairro da Liberdade, em São Paulo:

 

Japinha - CPM 22!ObaOba – Qual o grau parentesco dos japoneses de sua família?

 

Japinha – Eu sou bisneto de japoneses originais, nascidos mesmo no Japão. Depois deles, todos nasceram no Brasil, mas até minha mãe, não houve mistura. Isso quer dizer que sou “yon-sei”, ou da 4ª geração. Mas, ao mesmo tempo, tenho 50 por cento de sangue japonês, porque minha mãe tem 100 por cento de sangue puramente japonês.

 

!ObaOba – A cultura japonesa (moda, filmes, desenhos, mangás etc.) faz parte do seu dia-a-dia?

 

Japinha – Sim, adoro desde pequeno assistir aos desenhos animados japoneses, como por exemplo, “Speed Racer”, ou mesmo aqueles seriados de super-heróis como o “Ultraman” ou o “Spectroman”. Hoje em dia, a molecada tem o Jaspion, os mangás etc. Quanto à moda, posso dizer que sou adepto de uma coisa que eles adoram, que é pintar o cabelo. Já tive várias cores de cabelo, azul, roxo, vermelho. Os filmes não me atraem muito e os mangás ainda não conheço tão bem. A culinária é algo que gosto bastante. Sempre vou aos restaurantes “japas”. Além disso, a cultura “samurai” me fascina.

 

!ObaOba – Você se interessa pela história de sua origem?

 

Japinha – Sim, me interesso e bastante. Inclusive acabei de fornecer um grande material a um site da Abril (http://japao100.abril.com.br/perfil/637/), onde conto muito da história da minha família aqui no Brasil, inclusive em vídeo. Somos descendentes de pessoas nascidas em Okinawa, que é uma ilha no Japão bem bonita, onde os habitantes têm a pele bem queimada e alguns até cabelo crespo, devido ao sol forte. Acredito que a história de cada um tem muita influência no jeito de ser das pessoas, em como elas pensam, agem e aparentam. No caso da minha descendência japonesa, isto faz muito sentido. Penso que sou bastante fruto desta herança.

 

!ObaOba – A cultura japonesa influência seu trabalho de alguma forma?

 

Japinha – De certa forma influencia sim, pois o povo japonês tem algumas características como disciplina, respeito, determinação, perseverança, que eu, de certa forma, acabei herdando e colocando no meu dia-a-dia profissional. Até pra tocar bateria, sinto que isso ajuda, pois me dá um bom ritmo, constância, pé no chão mesmo, pra conduzir as músicas e o CPM22. Fora do palco e dos estúdios também, pois temos que lidar com diversas situações de trabalho, como a comunicação com a mídia e o público, os compromissos de gravação e ensaio, as negociações com empresário e gravadora, além de comandarmos uma equipe de trabalho de 15 pessoas em média.

 

!ObaOba – Você escuta música japonesa?

 

Japinha – Não tenho o hábito, mas curiosamente, na última segunda-feira, estive em consulta com meu acupunturista e ele colocou um CD de músicas tradicionais japonesas. Adorei o clima, a execução, tudo. Acho de muito bom gosto e passa uma tranqüilidade tremenda, que eu acho que é bem típica do país. Quando em turnê com o CPM22 pelo Japão, escutei muita FM e gostei de muita música pop e rock de lá. Pena que não entendia os nomes das bandas e não consegui comprar nenhum CD pra trazer. Havia muita coisa boa.

 

!ObaOba – Fale sobre algumas bandas.

 

Japinha – Há um cantor de música pop japonesa, que inclusive é brasileiro, que fez um grande sucesso por alguns anos no Japão e que, hoje em dia, é meu amigo, o Kendi. Ele canta muito bem. Tem uma banda que apareceu no filme “Kill Bill” que é muito divertida e interessante, além de ser formada por três garotas japonesas. O nome é “The 1, 2, 3´s”. Outra banda legal, mais alternativa e que fez sucesso pelo mundo, é o “Shonen Knife”. Tem até uma banda de hardcore, punk-rock que fez um barulhão por aí, depois que foi contratada por uma gravadora norte-americana, a “Hi-Standard”. Dá pra perceber que o povo japonês adora música.

 

!ObaOba – Você prefere a culinária japonesa ou brasileira?

 

Japinha – Gosto muito das duas. Mas se tivesse que optar, optaria pela brasileira, em especial a mineira. Adoro arroz, feijão, couve, tutu e ovos fritos. Sem contar que sou vegetariano e a comida mineira é a que tem mais variedades pra mim, sem carne. Já a comida japonesa tem muito peixe, daí fica mais complicado, apesar dos shitakes, shimejis, tempurás de legumes e sushis de pepino que eu adoro.

 

!ObaOba – Quais restaurantes você recomenda?

 

Japinha – Gosto muito do Sushi do Padre, na Pompéia, do Nakombi na Via Funchal e do Mori, em Perdizes.

 

!ObaOba – Existe algum lugar no Brasil com forte influência japonesa que você costuma freqüentar?

 

Japinha – Com certeza, o bairro da Liberdade. É um lindo lugar, com decoração oriental e ótimas lojas, além de restaurantes típicos. Destaque para os karaokês também.

 O bairro da Liberdade é cheio de atrativos e existe um jardim muito bonito em uma fundação de cultura japonesa lá. A rua tem iluminação típica japonesa, com abajures e tudo mais. Existem lojas com diversos produtos importados do Japão, e eu sempre compro uns biscoitos de coala, de chocolate nelas. Recentemente descobri que existem escolas de karaokês no bairro e que estão sempre lotadas.

 

!ObaOba – O que lhe causa mais interesse no modo de vida, na história e na cultura japonesa?

 

Japinha – Há várias coisas que admiro. A forma como os descendentes de japoneses se comportam, com respeito às tradições e aos mais velhos. O fato de ter havido uma dinastia de samurais, que durou séculos, onde o Japão era comandado por eles, me fascina também. A reconstrução do país após a 2ª. Guerra Mundial e a posição que a economia japonesa atingiu após tal esforço é algo de se admirar também. A habilidade que se tem para aperfeiçoar invenções já existentes é incrível, além de deixá-las menores. A mistura do antigo com o moderno é muito forte e me causou muito interesse quando visitei o Japão. A dedicação, o comprometimento com os compromissos, a perseverança são qualidades muito bacanas dos japoneses e que eu sempre tento me espelhar.

 

!ObaOba – Você acredita que o Brasil é bastante receptivo a esta etnia?

 

Japinha – Acredito que sim. Há uma grande dose de simpatia, no geral, pelo povo e pela cultura japonesa. O slogan criado em alguma campanha de propaganda um tempo atrás “Nossos japoneses são bem melhores” mostra um respeito e carinho pela raça. Creio também que muitos brasileiros gostam de médicos ou dentistas japoneses, ou mesmo engenheiros ou professores, porque lhes passam confiança. O brasileiro é um povo que gosta de pessoas que se aproximam com cuidado, “chegam devagarzinho”, como os japoneses. Além de respeitá-los por serem bastante capazes em diversas áreas, como nos estudos. Sinto que o brasileiro percebe no descendente japonês um aliado para deixar o país mais forte, mais esforçado e inteligente, e por isso também, gosta dele.

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