Islâ e vegetarianismo

O propósito deste artigo é mostrar o que muitos muçulmanos(as) já vem suspeitando há muito tempo: o consumo de carne, laticínios e ovos vai de encontro com os ensinamentos islâmicos de bondade para com os animais. E não apenas isso, pois as indústrias de exploração animal são responsáveis pela poluição e destruição ambiental, e também contribuem para o aparecimento de diversas doenças fatais nos humanos.

O Corão é claro a respeito da vida dos animais:

Não vê você que tudo que há nos céus e na terra se prostra diante de Allah? O sol, a lua, as estrelas, as montanhas, as árvores, os animais…
Sura 22:18

Não existe ser algum que ande sobre a terra, nem ave que voe, que não faça parte de uma nação assim como você. Nada omitimos do Livro, e todos serão congregados ante seu Senhor.
Sura 6:38

O Corão nos diz que os animais formam comunidades e nações entre eles próprios, e que eles são muito mais do que meros recursos. Mesmo assim, os animais são tratados como máquinas nas "fazendas de criação" modernas. Estas fazendas de criação não são apenas encontradas no ocidente, elas estão se tornando o maior meio de produção de carne, ovos e leite de todo o mundo.

Em países industrializados bilhões de animais são abatidos a cada ano. No país mais industrializado do mundo, os EUA, este número chega a 8 bilhões anuais. Estes bilhões de animais são confinados em espaços extremamente minúsculos pois assim os produtores podem criar o maior número de animais possível. Como um exemplo, galinhas são abarrotadas em viveiros que possuem o tamanho de uma capa de LP.

As galinhas (ou frangos) tem seus bicos cortados com ferro quente; os bovinos são castrados e marcados à fogo, e suas caldas são tiradas sem anestésicos. As vacas leiteiras também são confinadas à estábulos minúsculos e são mantidas constantemente grávidas através de inseminação artificial.

Todos os animais de fazendas de criação sofrem!

A superpopulação das fazendas de criação faz com que os animais tornem-se psicóticos e mutilem-se devido ao tédio e ao stress. Para combater as excessivas doenças que se fazem presentes em tais condições de superpopulação, os criadores freqüentemente dão banhos de pesticidas e injetam antibióticos nos animais. Para que engordem com rapidez e sem muitos
custos, os animais são enchidos de hormônios. E resíduos destas drogas e químicas acabam indo para os que consomem suas carnes (e subprodutos).

Estas práticas violam os ensinamentos do Profeta (sas) que nos instruem a não causar sofrimento à nenhum animal antes dele ser abatido. E além disso, Mohammad (sas) proibiu o corte das caldas dos animais e qualquer outro tipo de mutilação, assim como também proibiu que se marcasse os animais.

Quando transportados, os animais que são criados para se tornar alimento são privados de se alimentar e beber, não têm nenhuma proteção dos fatores ambientais (chuva, sol, etc…) e podem permanecer doentes por vários dias até que sejam abatidos. Muitos frangos têm suas asas quebradas durante o transporte, e muitos morrem sufocados. O Profeta Mohammad (sas) disse que ninguém deveria fazer que um animal ficasse esperando ser abatido, e Omar (o segundo Califa) certa vez chicoteou um homem que se recusou a dar água a uma
ovelha antes que ela fosse abatida.

A carne de fazendas de criação não é halal (permitida). Os bovinos, as ovelhas e carneiros, os frangos e galinhas, e outros animais são constantemente alimentados com sobras de carne suína, de galinha e bovina, e também com excrementos de galinhas e outros resíduos não higiênicos que funcionam como suplemento alimentar. Isto deveria tornar a maioria da carne
haram (proibida) por 2 motivos:

1 – Estes animais comem porcos e,
2 – Estes animais podem ser considerados carnívoros, e animais carnívoros são geralmente proibidos para consumo no Islam.

Em alguns lugares chega-se a misturar carne suína com outros tipos de carne. Muitas vezes sem avisar ao consumidor.

Os(as) muçulmanos(as) são ordenados à defender o ambiente. O Corão diz: "Por certo que oferecemos a custódia aos céus, à Terra e às montanhas, mas eles se negaram e temeram recebê-la. E o homem assumiu isto…" Sura 33:72.

Mas consumindo os produtos de fazendas de criação estamos diretamente se encaminhando para a destruição ambiental e da Terra. A criação de animais devasta o solo, desperdiça vastas quantias de água, e polui tanto o solo quanto a água com o despejar de esgoto.

Os(as) muçulmanos(as) são convidados a comer alimentos bons, puros e sadios. Mas atualmente sabemos que através do consumo de produtos de origem animal nós adquirimos diversas doenças. As pessoas que consomem tais produtos são 10 vezes mais suscetíveis a ataques cardíacos, 40 vezes mais propensas a alguma forma de câncer, e aumentam os riscos de desenvolver uma série de outras doenças, incluindo derrames, obesidade, apendicite,
osteoporose, artrite, diabetes e intoxicações alimentares. E adicionalmente, a carne e subprodutos contêm acúmulos de pesticidas e outras químicas numa proporção 14 vezes maior do que a encontrada em alimentos de origem vegetal.

"Diz: De tudo o que me tem sido revelado nada acho proibido para quem necessita alimentar-se…" Sura 6:145.

O Corão apenas nos diz que as carnes permitidas podem ser consumidas se alguém assim desejar. Mas em nenhum lugar na mensagem do Islam se requer que um(a) muçulmano(a) coma carne ou outro produto animal. O consumo de carne e de produtos animais não é nem encorajado nem recomendado.

Nem a bondade para com os animais pregada pelo Profeta (sas) ou a condição especial para com os animais como descrita no Corão se vêem refletidas nos modernos métodos de criação de animais para alimento. Adotando uma dieta vegana (livre de carne, lacticínios e ovos) um(a) muçulmano(a) encontrará a maneira mais fácil de viver de acordo com os preceitos éticos, ambientais e saudáveis do Islam.

Tradução e adaptação do artigo "Islam and Vegetarianism" da webpage
"IslamVeg : www.islamveg.com

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