Havaianas

E o que mais é tipicamente brasileiro e que não está relacionado com samba ou carnaval?

Bem, são as havaianas! Quem é que não conhece, os chinelos de dedo, feitas 100% com borracha? Simples, mas muito resistentes.

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Havaianas

 

Você vê pessoas usando havaianas na praia, em casa e no quintal, nas cidades e no campo.

No campo: é aqui que eu queria chegar. O que é que as ‘havaianas’ têm a ver agricultura?

Bem, como você sabe, aqui há dois modelos agrícolas em permanente tensão: a agricultura familiar e a agricultura patronal.

Em uma das crônicas anteriores, eu utilizei a metáfora da violência do trânsito e do elemento mais vulnerável, o pedestre, que é empurrado para fora da estrada. Outra metáfora poderia ser: a ‘agricultura de havaianas’, atropelada pela ‘agricultura de botas’.

Quando visito as famílias de agricultores, chama minha atenção quantos deles estão com este calçado leve e simples. É claro que eles possuem outros calçados, dependendo do trabalho, mas mesmo assim… Este calçado leve representa o contato com a terra. E muitos devem preferir andar descalços, principalmente dentro de casa.

Formam um contraste gritante à tradição de cowboy: o homem que, montado em seu cavalo, controla os negócios e olha de cima para baixo.

Nunca esqueço da foto de Blairo Maggi, numa entrevista no ano passado para o jornal Folha de S. Paulo. Aquela, do maior sojicultor do mundo, com seus 150 mil hectares de lavoura de soja. O homem que também é governador do Mato Grosso e fala, abertamente, de seu sonho de ser presidente do Brasil.

Na entrevista ele criticava o governo federal e a legislação, que querem impor-lhe algum limite. Uma botina de couro, ricamente enfeitada, está sobre sua mesa, como um símbolo da resistência dos empresários e fazendeiros às preocupações ambientais, sociais e outras. Ele conclamou a formação de uma ‘frente da botina’! A botina, a bota, representando a sede incontrolável de conquistas, à qual tudo e todos devem ceder. Só o que interessa são o lucro e o aumento anual da área cultivada (1).

Quando vejo esta imagem, lembro de grandes painéis publicitários, em Bruxelas [Bélgica]. Um tênis da Reebok, representado como um tanque de guerra, que chega ao planeta Terra para, em seguida, dominá-lo. ‘Planet winners [Vencedores do planeta]’, dizia o anúncio, sem ambigüidade. A ocasião me inspirou uma reflexão na TGL [Revista para a Vida Espiritual]: ‘A espiritualidade da sandália’(2).

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