Hambúrguer sem confinamento

22 de Maio de 2007       Fonte: Instituto Akatu

A rede norte-americana Burger King, segunda maior cadeia de fast-food do mundo, anunciou que vai passar a selecionar os fornecedores de produtos animais com base em critérios humanitários. Terão preferência os pecuaristas que não criam os porcos enjaulados ou em caixas que os impedem de se movimentar. O mesmo critério será adotado em relação aos fornecedores de ovos. E quanto aos criadores de frango para abate, serão escolhidos, preferencialmente, aqueles que aplicam métodos de abate mais ‘humanos’ do que os habituais choques elétricos. Uma das alternativas é o uso de gases não prejudiciais à atmosfera.

A previsão da empresa é que, em até dois meses, 2% dos ovos e 10% da carne de porco adquiridos estejam de acordo com a nova política. Segundo declararam os dirigentes do Burger King, em entrevista ao jornal The New York Times, a razão para a taxa reduzida é a falta de oferta desse tipo de produto nos Estados Unidos. Entretanto, eles informaram que os percentuais podem aumentar até o fim do ano, para 5% e 20%, respectivamente, conforme a evolução da adesão dos produtores às novas exigências e também se os preços se tornarem mais competitivos.

A compra de produtos de animais criados sem confinamento exagerado trará custos extras à rede de fast-food, mas a empresa garante que não os repassará aos consumidores. A aplicação dessa política se restringe aos EUA e ao Canadá, países em que a cadeia produtiva abastece as unidades do Burger King com mais de 18 mil toneladas de ovos e 15,8 mil toneladas de carne de porco, anualmente.

As mudanças foram adotadas após a discussão, iniciada há cerca de cinco anos, entre a rede de lanchonetes e setores da sociedade e Organizações Não-Governamentais que defendem os direitos dos animais. Desde então, o Burger King vem alterando sua política de consumo de produtos animais, que já incluía, entre outras coisas, auditorias em abatedouros que fornecem carne e ovos.

A ação gerou uma expectativa positiva entre os especialistas, segundo o The New York Times. Eles acreditam que outros restaurantes serão incentivados a aplicar as mesmas práticas. “Acredito que toda a área de responsabilidade social e consciência social está se tornando mais importante para o consumidor”, afirmou Bob Gildin, consultor especializado no setor de alimentação.

Iniciativas como essa comprovam o poder do consumidor de alterar a realidade por meio de suas escolhas. O consumidor tem a oportunidade de maximizar as conseqüências positivas e minimizar as negativas de seus atos de consumo, ao avaliar os impactos dessas ações sobre si mesmo, as relações sociais, o meio ambiente e a economia.

Quanto mais consumidores se mobilizem para esse tipo de ação empresarial, mais efetivo será o interesse das companhias em alterar suas práticas. Nesse caso, a rede de fast-food mudou sua política de seleção de fornecedores por conta da demanda de uma parcela de seus consumidores que passaram a exigir não só a qualidade e o preço dos produtos, mas também as condições em que os animais são criados e sacrificados para a produção dos alimentos.

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