Fátima Chuecco – jornalista

Por volta dos 14 anos de idade eu li o livro "Urubu Cândido Urbano" que conta a história de um urubu da cidade que tem um amigo peru. Na época do Natal os dois se despedem e o peru lamenta ter de se separar da família. Essa leitura me marcou muito e desde então não comí mais peru. Com o passar dos anos fui deixando a carne vermelha e, por último, a carne branca. Ainda não consegui deixar de tomar leite e nem de comer queijos. Mas tenho o incentivo do meu próprio endocrinologista que me disse que não temos a menor necessidade desses alimentos. Aliás, ele afirmou que o ser humano é o único mamífero que continua tomando leite na fase adulta, sendo que esse alimento só é essencial na época da amamentação. 

Não sinto falta de carne e posso ir a festas tranquilamente sem passar qualquer vontade. Mas ainda me sinto muito mal por viver num mundo tão atrasado quanto este. Recomendo o livro "Ismael" que fala dessa prepotência do ser humano e questiona essa insistência em continuar comendo carne mesmo depois do advento da agricultura. Eu não creio que esse mundo vá mudar. Pode até melhorar um pouco, mas essa cultura de carne, tão enraizada, e esse sentimento de superioridade que os humanos têm, não irá desaparecer nunca. Mas já que estou aqui procuro contribuir de alguma forma evitando comer defuntos.

Fátima Chuecco
Jornalista 

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