Eudes de Mirville

 [A vivissecção] é uma especialidade dos abatedouros científicos nos quais a tortura, cientificamente economizada por nossos acadêmicos açougueiros, é aplicada durante dias inteiros, semanas e até mesmo meses a fibras e músculos de uma e mesma vítima. Ela (a tortura) faz uso de todo e qualquer tipo de arma, executa sua análise diante de uma platéia impiedosa, divide as tarefas toda manhã entre dez aprendizes ao mesmo tempo, dos quais um trabalha no olho, outro na perna, um terceiro no cérebro, um quarto na medula; e cujas inexperientes mãos têm sucesso, não obstante, até a noite, depois de um árduo dia de trabalho, em deitar nua a carcaça viva que sob ordens dissecaram, e que à noite é cuidadosamente guardada no porão a fim de que bem cedo na manhã seguinte possa novamente ser manipulada se tiver sobrado um sopro de vida e sensibilidade na vítima! Sabemos que os curadores da Lei Grammont tentaram rebelar-se contra esta abominação; mas Paris mostrou-se mais inexorável do que Londres e Glasgow.*

Eudes de Mirville, Des Esprits, etc., Vol. VI, Apêndice G, pp. 160-61.

 

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