Eu não quero ver

Na linha das três palavras de ordem do MST, ‘ocupar-produzir-organizar’, somos guiados pelo acampamento. Somos testemunhas da excelente organização, das produções comunitárias e individuais, do forte talento de organização de pessoas pobres que – juntos – lutam por justiça e uma vida melhor. Ficamos sabendo como é organizado o ensino para as crianças. O cuidado com a educação e capacitação está totalmente em sintonia com o empenho do MST por um sistema de ensino adaptado, no qual a realidade e a luta dos excluídos são os pontos centrais. O movimento dos sem-terra é um ponto de referência internacional, graças às centenas de escolas que criou, bem como a capacitação que é oferecida até o nível universitário.

Durante a visita, lembro de uma turista alemã. Ela me disse que ia ao Rio de Janeiro. Contei a ela sobre os aspectos menos atraentes da cidade: as favelas, a miséria…, mas também sobre a resistência, que os turistas (quase) nunca vêm. Após um breve silêncio, ela respondeu rispidamente: “I don’t want to see it! [Eu não quero ver isso!]” Foi minha vez de ficar em silêncio e atordoado. Se você não quer ver a pobreza neste imenso país, nesta ‘Belíndia’ (3), então você também nunca será tocado pela fé e pela força das pessoas que, juntos, querem mudá-lo.

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