Equilíbrios repicados

O Brasil é um excelente exemplo de como a Revolução Verde da década de 1960 fracassou completamente. O meio ambiente, os agricultores e os consumidores pagam um preço alto por isso. Na verdade, há muito tempo não se trata mais de produção de alimentos para a população. O setor agrícola evoluiu para um enorme produtor de matérias-primas, a serviço de um pequeno número de gigantes do setor alimentício que têm apenas uma preocupação: fazer o maior lucro possível.

A generalização de uma agricultura intensiva, em larga escala, baseada em grandes quantidades de insumos externos (fertilizantes, agrotóxicos, combustíveis fósseis), fez com que o equilíbrio do solo ficasse completamente perturbado, que o ambiente se tornasse distorcido e que, em toda parte, a biodiversidade fosse severamente pressionada.

Os números falam por si: a agricultura mundial é diretamente responsável por cerca de 15% das emissões dos gases produtores do efeito estufa e, além disso, indiretamente, por mais uns 20% em decorrência da conversão de florestas em terras agrícolas.

No plano social, o sistema alimentar global também está em crise, já que não consegue cumprir sua função mais básica, ou seja, garantir que todos tenham o suficiente para comer! Ainda existem 870 milhões de pessoas famintas no mundo e mais da metade deles são pequenos agricultores.

O outro lado da moeda é igualmente chocante: de acordo com a Organização Mundial de Saúde, há mais de 1 bilhão de pessoas que apresentam as assim chamadas “doenças da civilização”, porque elas ingerem alimentos em excesso, ou alimentos muito gordurosos ou muito doces, e a quantidade de mortes prematuras causadas por uma dieta desequilibrada aumenta sistematicamente.

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