Envolvimento com os pés no chão

O público comparece em bom número e a noite começa com o novo DVD de Trias, no Paraná. Em seguida, desenrola-se um debate interessante. Louis De Bruyn, presidente de Wervel, acaba se destacando pelas suas intervenções precisas. Regularmente recebe apoio dos presentes, quando faz perguntas fundamentais acerca da imposição e invasão da ‘manipulação genética’ (OGM) no mundo em que vivemos. Isto me faz relembrar de um encontro na semana passada. O bem conhecido holandês conversava conosco sobre ‘envolvimento’ na educação, no jornalismo, na política, em instituições de um modo geral. Seu chefe, regularmente, reclamava: “Você é um bom pesquisador, mas se envolve demais!” Resposta a este chefe tão cristão: “O que é que você faz na igreja aos domingos?” Resposta: “Domingo é domingo e segunda é segunda. Uma coisa não tem a ver com a outra.” Será que isto é esquizofrenia total? E será então que a mensagem de fundo é que na ciência, no jornalismo, na política, nas igrejas você deve ser ‘neutro’, ‘insensível’ e ‘indiferente’?

Acho ótimo que Louis vincule a objetividade ao envolvimento. Assim, a emoção da santa indignação pode, gradativamente, entrar em equilíbrio com os fatos nus apresentados. Aliás, foi assim que Wervel surgiu: a partir da indignação com o que há de errado na agricultura e a partir da cólera despertada por esta esquizofrenia onipresente. Quando fui diretor do centro de reflexão, no mosteiro em Averbode, eu costumava encerrar os fins de semana com: “Caros amigos, amanhã é segunda-feira! Vamos fazer algo com isso? Ou será que este fim de semana de reflexão, este mosteiro, é tudo uma área de fuga no domingo, fora da realidade da segunda-feira?” A partir deste choque, às vezes surgiam iniciativas. Wervel foi uma delas.

Wervel irá bem enquanto vincular envolvimento e emoção a uma análise sóbria dos fatos.

Wervel irá mal se nós nos tornarmos um bando de tecnocratas ou nos guiarmos somente pela emoção.

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