Embalagens descartáveis de soja? – Luc Vankrunkelsven

Numa crônica anterior (28 de março de 2004: ‘Embalagens derivadas de soja’) nós já falávamos de embalagens e sobre a idéia de produzir saquinhos biodegradáveis derivados de soja, assim como também podem ser feitos a partir de batata, milho e outras ‘matérias-primas’. Bastante prático, porque é só jogá-los na composteira após o uso. Menos poluição, menos petróleo, excelente para os supermercados, etc.

 

Entretanto, faz sentido pararmos mais uma vez para refletir sobre as muitas embalagens descartáveis que, diariamente, somos forçados a ‘engolir’, que são colocadas em nossas mãos. Segundo o World Watch Institute já são produzidos entre 4 e 5 bilhões de embalagens descartáveis por ano.

Eu não quero repetir todos os argumentos utilizados na crônica anterior, que há petróleo envolvido na agricultura química, que assim se mantém o sistema de desmatamentos massivos para agricultura de exportação; você não altera este fluxo supérfluo de embalagens, etc. Assim como, com o biodiesel de óleo de soja, você reforça o desmatamento, você proporciona ao setor de ração animal uma desculpa dando a ele um ‘subproduto ecológico’ (ou produto principal; depende de a partir de qual lado do processo você começa a refletir) e você não precisa questionar a febre de transporte.

No Brasil, a situação é – se possível – pior do que na Europa: praticamente todos os produtos que você compra são colocados, individualmente, num saquinho. Em cada caixa de supermercado há um jovem – mal pago – pronto para colocar suas compras nos sacos plásticos. Sempre que tento diminuir o número de saquinhos, eles me olham indignados e confusos, como se eu estivesse tirando seu trabalho e sua identidade. Sua dignidade. Sua ‘cultura brasileira’.

Na panificadora, quando tento reduzir o plástico, eles me olham como se eu fosse um extraterrestre. “Não, senhora, venho do outro lado do oceano. Lá a situação é tão grave quanto aqui. Plástico, plástico e mais plástico! E, viva, agora vamos fazer embalagens derivadas de soja.”

 

Será que devo desistir dessas conversas? São momentos de conscientização ou é só ‘encheção de saco’ e moralismo?

Para minimizar minha aflição encontro no jornal uma notícia informando que o governo da região de Bruxelas investe em sacolas não-descartáveis gratuitas para compras. Para que usemos menos plástico.

Uma iniciativa que merece ser aplaudida.

 

Agora, esperemos que, em Bruxelas, eles não continuem colocando as compras em saquinhos para, em seguida, colocá-los nas sacolas.

 

11 de novembro de 2004.

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