Economia ecologia

 

Os dois irmãos que ainda cultivam soja orgânica estão a postos. Constatamos que eles são totalmente ‘anormais’. Tomando o costumeiro chimarrão, discutimos a situação; enquanto isso, observamos a colheita da soja transgênica na grande propriedade de seu vizinho. Uma área ondulada, mas totalmente ‘limpa’, cheia de soja, está à nossa frente. Há alguns anos ainda havia um pequeno bosque no meio da área. Pedir autorização para cortá-lo seria impossível. É que o governo deseja salvar os últimos fragmentos remanescentes de vegetação florestal. Então eles ‘dão um jeito’: todo ano, ao preparar o solo, eles ‘acidentalmente’ derrubam um pedacinho do bosque. Depois de algum tempo, não restou mais nada e até o morro foi rebaixado para tornar a área mais plana, de modo que as colhedeiras e outras máquinas agrícolas pudessem realizar seu trabalho libertador mais facilmente. Isto me faz pensar no texto ‘Soja e o lobo bravo’. Nas últimas semanas, ouvi de diversos agricultores que esta crônica retrata com exatidão o conflito entre os dois modelos agrícolas e, também, a destruição da natureza pelos ‘lobos modernos’. É com grande satisfação que descubro que as crônicas estão sendo utilizadas por Terra Solidária – e outros grupos. Como um espelho da realidade.

Soja orgânica: fora de moda? É quase impossível continuar no sistema orgânico com toda a violência da soja transgênica em volta. Mas a razão do declínio está em outro fator. Até o final da década de 1990, uma empresa comprava soja orgânica para exportar para o Japão. Quase 40 agricultores passaram a produzir soja orgânica. Num determinado momento, as exportações cessaram. E, veja só! Aparentemente a conversão ecológica da maioria não estava arraigada profundamente. Atualmente, restam apenas três produtores de soja orgânica. A soja que produzem é enviada para São Paulo e destinada ao consumo humano. Entre outros, a deste agricultor-professor. Novamente um professor! É como se eles fizessem a conversão com mais firmeza, contra a corrente dominante. Agricultores-professores em ambos os lados do oceano. Chapeau, companheiros!

Enquanto isso, a cooperativa Coopvida (‘Cooperativa da Vida’) trabalha com as alternativas. Ela constituiu diversas agroindústrias familiares para o processamento de cana-de-açúcar e suco de uva e beneficiamento de feijão. Nesta propriedade está sediado o beneficiamento de feijão. A safra do último ano está armazenada em grandes sacos e é exposta com orgulho. Este agricultor produz dez variedades de feijão. A cooperativa comercializa 14 variedades.

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