E se a gente parasse de comer carne?

Comentário sobre 

E se a gente parasse de comer carne? (artigo da Superinteressante reproduzido abaixo)

na edição de maio de 2011
Pensar como vai ser a vida num planeta Terra Vegetariano é um exercício
de futurologia e concentração muito bom. Mas, a meu ver,  a revista cometeu
 várias falhas.
Vou comentar aqui alguns trechos do artigo.
não teriam mais função nas fazendas
Nessa realidade (dificil de prever, sobre tudo com um pensamento antropocentrista)
os animais poderiam viver livres em reservas e parques naturais.
Talvez seu excremento pudesse ser utilizado para nutrir o solo de fazendas orgânicas.
Agora, o mais importante aqui é dizer que os animais não precisam que nós
humanos atribuamos funções para eles. Eles nascem, crescem, vivem, 
fazem escolhas, sentem dor e prazer, dorme e sonham, transam e se reproduzem
SEM a nossa interferência, sem que a gente precise dar funções a eles.
Os animais são sustentáveis e autossuficientes, desde que não sejam enjaulados
e domesticados, escravizados e desnaturados.
 daria para aproveitar um ou outro para puxar carroça. 
mas que péssimos vegetarianos seríamos, hein? Comendo
batata frita e dando de relho em éguas e cavalos! Numa
sociedade eminentemente vegetariana ninguém nem saberia
como prender alguém a uma carroça a menos que fosse
pesquisar isso para, sei lá, fazer um filme ou escrever uma
enciclopédia.
Essa passagem do texto evidencia que (por ignorância
ou propositalmente) a revista prefere não se pronunciar
sobre os motivos que levam cada vez mais pessoas
viverem o vegetarianismo.
 boizinho teria de enfrentar até onça.

Aqui a revista teve uma enorme dificuldade em se colocar no lugar do outro.
Isso é uma falha no jornalismo e na vida.
Enfrentar onças ou qualquer outro predador não-humano é muito mais
fácil e justo do que enfrentar o homo sapiens. Na natureza
as novas gerações de bovinos livres teriam seus chifres longos e
estariam protegidos pelo espírito da manada (quem assistiu a
batalha de kruger, por exemplo, sabe o que é isso).

Então, o que é uma onça para quem enfrenta hoje: separação da mãe nas primeiras
semanas de vida, marcação a ferro e fogo, mochamento (mutilação dos
chifres), engorde precoce em pastagens  que devastam ecossistemas
inteiros, pesticidas, antibióticos, transporte em caminhões nojentos, fila 
desesperadora para o abate e o abate covarde e solitário, com métodos 
violentos e cruéis e poluidores. Uso indevido de sua pele em adornos,
roupas, sapatos e objetos de gosto macabro e desnecessário.


o açougue do lado da sua casa estaria fechando as portas, junto com abatedouros e frigoríficos.

E seria uma grande festa em cada um desses estabelecimentos. Seus funcionários

livres das roupas brancas manchadas de sangue, das botas de borracha, das mãos
assassinas e do frio das câmaras frias.

Com programas estatais e a vontade dessa nova e inesperada população
vegetariana, os açougues virariam sacolões (feiras de frutas e hortaliças). 
Os matadouros seriam demolidos e transformados em pomares e hortas publicas
 e orgânicas. (alguns poderiam ser preservados como museus, ao estilo (Auschwitz). 
Toda a indústria que hoje produz produtos com crueldade produziria alimentos com mais
vida.

Comeríamos pratos ainda mais diversificados, já que a sociedade vegetariana
global seria unida em torno dessa vivência pacífica.

Quanto à saúde, a revista está desinformada e a dieta veg é capaz de 
sustentar com qualidade o ser humano em qualquer idade, incluindo grávidas, 
de acordo com a OMS. Mas dependeria muito do tipo de culinária. Com fast-food e
rodízios de pizza veg… ficaria tudo igual… mas é possível ao longo dos
anos aprendêssemos uma nova relação com a comida e a atual epidemia
de obesidade, câncer e problemas cardíacos diminuísse.


Câmbio negro

Sendo todos veg não haveria um mercado pirata. Assim como atualmente
não há açougues clandestinos que vendam carne de crianças. Se “o mundo
o mundo todo resolveu parar de comer carne“ como condiciona o texto,
é sinal de que temos razões de sobra para isso.



De qualquer forma, parabéns pela pauta, que vai de encontro à crescente necessidade de um mundo
cada vez mais vegetariano. Contudo, o acúmulo de erros, especulações levianas e enganos
 foi tanto que a revista deveria refazer a matéria, de uma forma mais longa, séria e comprometida, 
ouvindo e citando especialistas em várias áreas de conhecimento.
Isso é necessário para que a Superinteressante não passe a ser vista como uma
publicação que desinforma e confunde seu leitor.
Inspiração e muita feijoada vegana pro6,
Rodrigo Espinosa Cabral

E SE…

E se a gente parasse de comer carne?

Comer carne seria mal visto pela sociedade, cachorros e gatos seriam animais de dondoca e porcos seriam os "novos" vira-latas.

por Bruna Maia e Rodrigo Rocha

Os vegetarianos venceram. Do dia para a noite, o mundo todo resolveu parar de comer carne. Seria bonito: só no Brasil pouparíamos as vidas de 43 milhões de bois, quase 40 milhões de porcos e 4,5 bilhões de frangos a cada ano. Esses são animais de corte, criados para virar comida. O que significa que eles não foram nutridos e tratados para entrar em outras linhas produtivas, como de leite ou ovos. E que eles cairiam em algo como um desemprego funcional: não teriam mais função nas fazendas. Quer dizer, daria para aproveitar um ou outro para puxar carroça. Mas o grosso ganharia alforria do homem. Apesar de linda, a liberdade tem preço. Sem ninguém para alimentá-los, os animais teriam de buscar comida. Competiriam por alimento com outras espécies e ficariam vulneráveis a ataques de predadores. Em áreas de pastagens, como nos Pampas brasileiros, a vida seria boa. Já no Pantanal, boizinho teria de enfrentar até onça.

Enquanto isso, o açougue do lado da sua casa estaria fechando as portas, junto com abatedouros e frigoríficos. Pior para o Brasil, maior exportador de carne de boi e de frango do mundo, além de quarto na exportação de carne suína. A economia de EUA, China e União Europeia também sofreria. Esses países produzem muita carne para atender à demanda de seus próprios habitantes. Já os ambientalistas comemorariam, e não só porque pararíamos de matar bichos. A pecuária tem um grande impacto ambiental. De todo o desmatamento causado no mundo, 14% acontece na Amazônia para abrir espaço para a criação de animais. Derrubaríamos menos årvores, o que, de quebra, contribuiria para reduzir o peso de nossas emissões de gases.
Não comeríamos feijoada, peru de Natal, bacalhau (carne branca também estaria fora). Isso não significa necessariamente mais saúde. Perderíamos vitaminas, proteínas e minerais. Teríamos de nos adaptar a uma nova dieta. Essa não seria a única mudança na rotina: seu guarda-roupas também passaria por uma revolução.


Animais de estimação
Todos intocáveis: vaca, porco, peixe, galinha… A não ser que você queira desafiar a sociedade

Ração a prestação
Ter cachorro ou gato seria coisa de madame. Os bichanos são carnívoros, precisam de carne para absorver nutrientes. Fazendas teriam de manter o abate de animais só para produzir ração para cães e gatos, o que encareceria o produto. Alternativa: por que não adotar um porquinho selvagem, que tem uma dieta mais flexível?

Chuleta vegetal
Em um mundo sem churrascaria, o jeito seria se contentar com rodízios de carne de soja. E buscar outras fontes para os nutrientes que absorvíamos ao comer carne. O caso mais crítico seria o da vitamina B12, presente naturalmente só em fontes animais. Ovos nos ajudariam nisso, assim como suplementos sintéticos.

Câmbio negro
Consumir carne seria como prostituição no Brasil: legalmente permitido, um crime aos olhos da sociedade. Os revoltados teriam de procurar açougues clandestinos, que dependeriam da ação de fazendeiros gananciosos e venderiam carne de qualidade duvidosa.

A revolução dos bichos
Os animais livres teriam de procurar alimento sozinhos. Por que não aproveitar aquela plantação verdinha tão suculenta? Porcos comem de tudo – de estômago vazio, não se refreariam frente a ovos e pintinhos. À procura de alimento, os animais perambulariam até pelas cidades. Seriam as novas pragas.

Sapatênis é tendência
Esqueça sapato, bolsa, casaco de couro. Ter um artigo desses seria tão reprovável quanto comer feijoada gorda. Os sapatos mais formais precisariam de materiais alternativos, como plástico, borracha e couro falso. Com o marketing correto, o sapatênis poderia ser a estrela dessa nova era.

Fontes Abiec; Abipec; Ubabef; USDA; IBGE; Eurostat; Greenpeace; Peta; Maria Lúcia Pereira Lima, diretora do Instituto de Zootecnia; Associação Brasileira dos Criadores; Jacira Conceição, nutricionista da Asbran.

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