Duplo Ativismo

Eles são famosos, gays, vegetarianos e lutam pelas duas causas

Por Tino Monetti

11/3/2006


Morrissey está em forma e declara que o motivo é sua alimentação. O cantor britânico lançou seu novo CD “Ringleader of the Tormentors”, saiu de turnê pelo mundo e voltou a fazer campanha e apoiar a causa da PETA contra o maltrato de animais. Notório ativista vegetariano há mais de 30 anos, Morrissey faz parte de um grupo que ainda tem pouca visibilidade, mas que começa a levantar não uma, mas duas bandeiras: a gay e a vegetariana.


 

 

 

 

 

 

 

O trabalho mais radical do cantor apareceu no álbum “Meat Is Murder” (“Carne é Assassinato”), ainda na época dos Smiths. A letra questiona a morte sem sentido de animais para a alimentar humanos.

Outras estrelas, como a cantora lésbica K.D. Lang, a tenista Martina Navratilova, os músicos do Erasure, a comediante Ellen DeGeneres e o ator Sir Ian McKellen, engrossam o coro dos gays vegetarianos.

Os famosos defendem a tese de que vegetarianos, além de possuírem corpos mais bem cuidados, fazem melhor sexo. No orkut, a comunidade “Vegetarianos Trepam Melhor” tem mais de 1.700 membros. Eles afirmam que um corpo livre de toxinas, sangue e crueldade, gordura saturada e colesterol, constrói um melhor desempenho sexual.

Na internet, funciona a comunidade de Brett (foto), um morador vegetariano e gay de São Francisco, a LGBQT Vegetarian Page. Ali, é possível trocar figurinhas e entrar em contato com outros vegetarianos gays espalhados pelo mundo. A página já foi matéria da revista The Advocate e aborda o encontro entre o ativismo dos dois movimentos.

Apesar de mais saudáveis, os gays vegetarianos também podem sofrer preconceito dobrado. O editor Ricardo de Castro, de 27 anos, gay e adepto da alimentação sem carne, diz que o pior é o questionamento de propósitos e princípios. “O maior incômodo são as perguntas sobre as motivações. ‘Por que você não come carne?’. ‘Porque você come?”, é o que sempre respondo. As pessoas não percebem que é basicamente a mesma problemática da questão gay. ‘Por que você é gay?’. ‘Por que você é hétero?’. Algumas coisas são princípios individuais e, encontrar uma explicação, por melhor que ela seja, nunca esclarece totalmente”, pontua o rapaz.

Ricardo conclui que, no final das contas, “são apenas hipóteses e pontos de vistas que, claramente, sempre irão variar. É a diversidade, é o que move o mundo. Respeito quem coma carne, assim como respeito quem é hétero. Só não me peça para ser igual”.

Please follow and like us: