Doux, a dura

 

Gilmar e Ivete Sagioratto são nossos anfitriões. Na época em que sua filha mais velha nasceu, em 1991, eles criavam seu primeiro lote de aves: 6500 cabeças. Eles conseguiram se manter na atividade até 2005. Eram produtores ‘integrados’ da Frango Sul, adquirida posteriormente pela empresa francesa ‘Doux’. Em francês, doux significa ‘macio’ mas, não, a abordagem desta multinacional foi – e é – extraordinariamente dura. O agricultor sempre é obrigado a fazer novos investimentos. Além disso, ele depende do ‘integrador’, que fornece todos os insumos e é comprador exclusivo da produção. Na verdade, é o mesmo sistema que conhecemos na Bélgica e na Holanda. Um sistema que, no outro lado do oceano, todos também acham ‘normal’: o agricultor como vassalo de um senhor feudal moderno, invisível. Um senhor feudal disfarçado em inúmeros acionistas. Gilmar era obrigado a atender às mudanças constantes das exigências e a fazer grandes investimentos. Percebeu que se tornava mais pobre a cada ano, com dificuldade de manter sua renda. A partir desta crise, eles mudaram o curso de suas atividades. Eles demoliram a granja de aves e voltaram à diversidade de produção de antigamente. Porém, não foi um simples retorno a práticas antigas e, sim, à sabedoria dos antigos fertilizada com os novos conhecimentos da agroecologia de hoje. Quando pergunto quantas espécies eles cultivam, constato que eles nunca haviam se preocupado em contá-las. Tudo indica que se aproxima da diversidade de Gilso, em Seara (SC), inclusive com a grande variedade de sementes próprias.

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