Dieta Para um Mundo Melhor

Vegetarianismo, boa nutrição e consciência limpa são um ótimo começo e  nos ajudam a enxergar o outro lado da vida.

Vegetarianismo: prática alimentar tão antiga como quanto a própria humanidade, apesar de tão polêmica. Além de boa saude, traz à lembraça a não- violência e a proteção aos animais. Porém, muito alem de simples vegetarianismo, oferecer os alimentos à Suprema Personalidade de Deus, e depois aceitá- los como sua misericórdia, significa enriquecer a espiritualidade e sintonizar-se com Deus. Quando combinado com o canto do mantra Hare Krisna, o vegetarianismo estrito deixa de ser mais um mero princípio ético ou racional no modo de vida e se torna o mais delicioso caminho no mundo para se atingir a realização espiritual.

A consciência de Krishna é a razão espiritual para o vegetarianismo e inclui razões secundárias como a ecológica, ética, estética, nutricional,  econômica e médica. Um espiritualista vai selecionar somente os alimentos mais frescos, suculentos, nutritivos, belos e saborosos para serem preparados e oferecidos à Krishna. Comer este alimento prasadam (espiritualizado) e ser vegetariano por razões espirituais trazem muitos benefícios, e devem-se analiza-los de maneia científica e racional. Vale tambem discutir as principais criticas e restrições ao vegetarianismo.

Podemos definir como "estritamente vegetariano" alguém que se abstém totalmente de carne, peixe e ovos. Alguns mais radicais, evitam não só a carne, mas tambem o leite, temendo o colesterol e os pesticidas. Entretanto, como as frutas, cereais, e vegetais contêm baixo teor de colesterol, o vegetariano pode tranquilamente beber alguns copos de leite e comer uma quantidade razoável de queijo todos os dias, sem se preocupar em atingir o nível máximo de colesterol recomendado. Já com relação aos pesticidas, o único que oferecia perigo ao consumo do leite, era o DDT, veneno abolido atualmente devido à sua ineficácia no combate às pragas e ao sério prejuízo que causava ao ser humano. Sem o leite, o vegetariano se vê obrigado a consumir alimentos pouco comuns como algas marinhas ou sementes de gergilim,  essenciais para se obter vitamina B-12 e o cálcio. O ideal é sermos lacto-vegetarianos, pois alem de ser a dieta completa para a saúde, tomar leite não contribui, de maneira alguma para a matança de animais.

 Criticas, criticas …

Uma das mais fortes objeções feitas pelas pessoas que comem carne, é que os vegetarianos continuam tendo que matar plantas, e isso tambem seria uma violência. Em primeiro lugar, precisamos comer verduras, frutas e cereais, por que as vitaminas e minerais desses alimentos são indispensáveis para nos mantermos vivos. Porém, é certo que as plantas são tão vivas como os animais – experiências cientificas já demonstraram que as plantas tem sentimentos- . 
O Bhagavad-Gita, a essência dos ensinamentos védicos, confirma que todas as espécies de vida contém alma, espiritualmente iguais umas às outras. Do ponto de vista civilizado, a preocupação em escolher uma dieta não é como evitar a matança total – uma alternativa impossível, mas causar o mínimo de sofremento enquanto se nutre o corpo. Uma bem dieta equilibrada de frutas, cereais, vegetais, leite e derivados, satisfaz este desejo e é de acordo com o Bhagavad-Gita, a mais verdadeiramente matural.

Quando procuramos verificar as razões pelas quais o hábito de comer carne é tão difundido, descobrimos um grande condicionamento desde a nossa mais tenra infância, o qual inclui uma série de mitos sobre a necessidade de comer carne, apesar do volume considerável de evidências científicas que provam o contrário.

    Proteínas em comparação

    Os carnívoros insistem: "mas a carne é perfeita, pura proteína! por que gastar horas procurando,  cozinhando e combinando os vegetais corretos para se obter proteínas que possam substituí-la?"

Em primeiro lugar, carne não é proteína "pura"e nem "perfeita", mas na melhor das hipóteses 20% de proteína. A taxa de aproveitamento dessa proteína, a taxa que é de fato digerida e absorvida pelo organismo é 67%, comparada aos 82% do leite, 70% do queijo, 67% da ervilha e 60% do trigo integral. Peso por peso, esses alimentos podem conter menos proteínas do que a carne, mas como a taxa de aproveitamento é mais alta, comendo um pouco mais, ou combinando esses alimentos entre sí, o vegetariano pode facilmente satisfazer as suas nescessidades diárias. O leite, por exemplo, tem apenas 5% de proteína, mas dois copos diários podem fornecer por volta de 40% do nescessário. Uma fatia generosa de queijo, fornece cerca de 30%.

   A crítica de que o vegetariano desperdiça muito tempo na procura dos alimetos é ridícula. Combinar e complementar corretamente alimentos é tão natural como pão com manteiga, e com bom senso é possivel evitar facilmente as deficiências na dieta. Alem disso, a complementação aumenta o valor proteico dos alimentos combinados. Por exemplo, a taxa de aproveitamento de proteína do arroz (puro), é de 60% e do feijão (puro) é de 40%. Quando ingeridos juntos, a taxa aumenta 43%. De maneira semelhante, o leite e o pão integral na mesma refeição aumentam a sua taxa combinada em 13%.

   A dieta carnívora é um enorme contra-senso: Para chegar à mesa, o animal abatido já consumiu cerca de dez vezes mais proteínas nobres do que poderá retribuir na forma de alimento cárneo. Do ponto de vista econômico os cereais representam a escolha lógica como alimento principal. No Brasil, segundo dados do IBGE e estudos realizados por técnicos agricolas, do Instituto Cepa (1991), um boi destinado ao abate necessita de 3 a 4 hectares de terra e porduz em média 210 kilos de carne, num período de 4 a 5 anos.  Neste mesmo periodo, numa extenção de terra equivalente, colhe-se no Brasil, em média 19 toneladas de arroz, 8 de feijão, 34 de milho, 32 de soja ou 23 toneladas de trigo. Isto sem contar que é possivel obter duas ou até três safras por ano desses cereais combinados, o que evidentemente aumenta o volume da produção.

   Mais oferta, menos fome

    Assim, tomando-se por referência a proteína contida por exemplo no arroz (8%), comparada com aquela fornecida pela carne (18,6%), poderemos chegar à seguinte conclusão: Se criarmos um boi nos 4 hectares nescessários,  teremos 39 quilos de proteína após quatro anos, o período que ele precisa para estar apto à ser consumido. Se plantarmos arroz nesta mesma área e no mesmo período de tempo, obteremos 1520 quilos de proteína, isto sem contar os demais nutrientes. Um adulto com 70 quilos consome cerca de 70 gramas de proteína por dia, o que significa que se criarmos gado, teremos proteína para cerca de um ano e meio, ao passo que se plantarmos arroz, teremos cereal para alimentar este homem por cerca de 60 anos. Em poucas palavras, isto significa multiplicar por 40 o número de pessoas que poderiam ser alimentadas numa mesma área e no mesmo espaço de tempo. Não precisa de muita imaginação para calcular que se as terras agricultáveis empregadas nas pastagem fossem utilizadas principalmente para a produção de cereais e legumes, a oferta de comida seria bem maior e a fome consequentemente bem menor. Qual é, então a razão para se matar animais, além do desfrute do paladar ou simples desejo sanguinário?

    Muitas pessoas não teriam dúvidas em adotar o vegetarianismo se visitassem um matadouro, ou se elas próprias tivessem que matar os animais que comem. Eufemismos como "filé mignon" , "picanha" , "churrasquinho" ou "rodízio" já não serviriam mais para não serviriam mais para esconder os horrores da matança e esquartejamento de bois. Os visitantes iriam relutar em colocar partes o órgãos de boi em suas bocas. Alguem pode pensar: "E daí? Quem vai punir-me por comer carne? O governo não manda prender quem mata bois". Mas esse alguém está enganado – os não vegetarianos serão punidos, 
como veremos mais adiante.

    Alerta Vermelho

   A ciência já provou que a dieta rica em carne, pode causar várias e sérias doenças. Alguns exemplos: um estudo recente da Universidade Estadual de Campinas, Unicamp, desenvolvido quatro anos por pesquisadores da Faculdade de Engenharia de Alimentos, afirma categóricamente que o churrasco é um perigoso cancerígeno. Os técnicos dizem que a fumaça carrega para a carne substâncias químicas capazes de causar tumores, e o hábito de comer churrasco pode ser tão prejudicial quanto o cigarro.

   Outra pesquisa, realizada pela Vigilância e Controle Sanitário da Secretaria Municipal do Abastecimento de São Paulo, constatou em 1993 que 38% da carne bovina analizada na captal estava contaminada e era imprópria para o consumo humano. O mesmo relatório ainda afirmava que 18% desta carne era imprópria até para o consumo animal. Quem não se lembra das 7.200 toneladas de carne de Chernobyl?

    Na Inglaterra, onde os vegetarianos já têm desconto no seguro de vida, o Journal of National Medicine, o principal órgão tecnico- informativo britânico sobre saúde, publicou em junho deste ano, provas cabais de que pessoas que seguem uma dieta vegetariana têm 40% menos probabilidade de ter câncer ou doenças cardíacas, se comparadas às que comem carne. Um grupo de pesquisadores, comparou 6.115 vegetarianos com 5.015 carnívoros, ao longo de 12 anos. O objetivo era constatar se a dieta vegetariana é capaz de reduzir 
o risco de morte prematura. Depois de incluírem variantes como tabaco, grau de obesidade e classe social, os pesquisadores concluíram que a dieta à base de verduras reduziu em 40% o risco de câncer e problemas cardíacos.

    Karma Instantâneo, desperdício insano

    Todos esses fatores, contudo, não são a causa original das doenças, mas são eles próprios manifestações de causa – violação das leis da naturaza – . Os seres humanos são constituídos fisiologicamente para uma alimentação vegetariana, mas quando seu incontrolável apetite faz com que comam carne, eles têm que sofrer as reações Kármicas que são igualmente repartidas por todos aqueles que participam da matança – do matador ao açouguiro, do vendedor ao cozinheiro, e ao consumidor. Esta é a ligação real entre dieta e doença: Karma instantâneo. Ela pode manifestar-se imediatamente, como no caso de botulismo e de intoxocações, ou mais tarde como no caso de osteoporose. Ela pode atacar individualmente, como no inferno pessoal de um câncer, ou coletivamente, como na peste bulbônica. Mas em todos os casos não há escapatória para as reações Karmicas. Nós colhemos aquilo que semeamos, nesta vida e na próxima. A natureza tem suas leis, acima de todas as razões.

   O Bhagavad-Gita (3.13) , de novo revela como o vegetarianismo estrito pode neutralizar o Karma: "Os devotos libertam-se de reações Kármicas por que primeiro oferecem sua comida ao Senhor, enquanto que os outros que, que preparam alimentos apenas para o desfrute pessoal dos sentidos, comem apenas pecado". Em outras palavras, quem molda sua alimentação aos princípios da Bhakti Yoga Transcende todas as reações Karmicas, enquanto que aquele que negligencia em faze-lo acarreta mau Karma. Mais ainda, quem se livra do Karma pode moldar sua conciência com a de Deus e tornar-se ciente da presença dEle a todo instante. Este é o benefício verdadeiro da prasadam, alimento espiritualizado.

    Economicamente, a dieta não vegetariana, tem produzido tragédias. Nas últimas décadas, a produção de grãos nos EUA aumentou em quase 100%. Mas como esses grãos foram distribuídos? Calcula-se que atualmente os rebanhos americanos consumam 85% de todo o milho, cevada, aveia, sorgo e soja produzidos no país e não exportados. E ainda os americanos dão aos animais aproximadamente a metade de todo o trigo que eles próprios consomem. Uma extença porção do país é utilizada para produzir carne de boi – uma terra valiosa que poderia ser usada para cultivar alimentos vegetarianos. A maioria das pessoas concorda que disperdiçar comida é pecado. Contudo, todo o esforço e energia, produz cerca de um quilo de proteína de carne para cada 16 kilos de proteínas de grãos. O desperdício sozinho (nos Estados Unidos) seria suficiente para cobrir 90% do déficit anual de proteína no mundo inteiro.

    Por outro lado, para quilo de grão consumido por uma vaca, ela produzirá mais de um litro de leite, que poderá se transformar em quijo, manteiga e iogurte. Esses alimentos irão fornecer os nutrientes essenciais para a dieta humana, quando inteligentemente combinados com grãos, frutas e vegetais.  Existem centenas de tipos de vegetais, cereais, frutas, nozes e laticínios disponíveis no mercado. Bons, saborosos e, quase sempre baratos. Qual é, então o propósito de tanta violência e desobediência às leis mais sublimes da humanidade, da natureza e de Deus? Vamos seguir um vegetarianismo estrito, cantar Hare Krishna e ser felizes nesta vida e na próxima.

Fonte: http://www.terravista.pt/meco/1518/Vegeta~1.htm

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