Dez coisas que você precisa saber sobre… FAST FOOD

Por Elisa Menezes

1- A "comida rápida" é uma legítima invenção americana. Foi no estado do Kansas, em 1921, que surgiu a primeira cadeia de restaurantes especializada em hambúrgueres, a White Castle, que funciona até hoje. Mas o conceito de alimentação prática e ligeira demoraria algum tempo para fazer sucesso. Ele só emplacaria mesmo a partir dos anos 30 e 40, com o aparecimento dos drive-ins, que atraíram os jovens com sua mistura de garçonetes bonitas, carros e comida fora de hora.

2- Um desses drive-ins pioneiros se tornaria histórico. Aberto em 1937, o McDonald Brothers Burger, na Califórnia, não dava o faturamento que os irmãos Richard e Maurice McDonald's esperavam. Insatisfeitos, os dois desenvolveram um novo sistema. Nada de garçonetes ou refeições com talher. Os próprios clientes pegavam os pedidos, que vinham em copos, pratos e sacos descartáveis. Além disso, os irmãos dividiram as etapas de preparo da comida, para que cada funcionário executasse só uma tarefa, como numa linha de montagem de uma fábrica.

3- O Brasil não demorou muito a entrar na onda. Em 1952, um americano chamado Robert Falkenburg inaugurou no Rio uma lanchonete batizada com o seu apelido: Bob's. Coisas como hambúrguer e milk shake começaram a se popularizar no país. Décadas depois, o Brasil daria uma contribuição original a esse segmento: a rede Habib's, de 1989, viraria a maior cadeia de fast food de comida árabe do mundo.

4- As inovações dos irmãos McDonald's tornaram os hambúrgueres da lanchonete muito baratos, atraindo famílias operárias. Os estabelecimentos de fast food deixavam de ser lugares freqüentados apenas por jovens. Um desses novos clientes, o vendedor Ray Kroc, visitou o McDonald's e ficou impressionado com a rapidez do serviço.
Em 1954, Ray comprou os direitos de franquear a lanchonete em todo os Estados Unidos e, em um ano, montou uma cadeia com mais de 20 restaurantes. Hoje, a rede de fast food mais famosa do mundo possui mais de 30 mil lojas em 119 países, atendendo 46 milhões de pessoas por dia.

5- Vários criadores de grandes redes seriam personagens interessantes para filmes hollywoodianos. William Rosenberg largou a escola aos 14 anos, foi camelô e dirigiu um caminhão de sorvete antes de abrir, em 1948, uma lojinha de rosquinhas chamada Dunkin' Donuts. Harland Sanders fugiu da escola ainda mais cedo, aos 12 anos, trabalhou de peão, advogou (sem diploma de direito), fez partos (sem diploma de medicina) e teve um posto de gasolina, onde servia comida caseira, antes de abrir a Kentucky Fried Chicken (KFC), em 1952.
Já Thomas S. Monaghan era órfão, virou fuzileiro naval e, em 1960, comprou uma pizzaria em sociedade com o irmão. Oito meses depois, o irmão de Thomas trocou sua parte no negócio por um Fusca usado, abrindo mão de participar da Domino's Pizza…

6- A produção de uma comida padronizada em todas as lojas de uma grande rede gerou uma revolução. Hambúrgueres, batatas fritas e pães chegam hoje congelados às lanchonetes, que apenas "montam" a comida. Como as técnicas de enlatar, congelar e desidratar destroem parte do sabor dos alimentos, foi preciso desenvolver o "gosto de fast food". Ou seja, várias cadeias usam em itens de seus cardápios aromas artificiais especialmente criados por indústrias químicas.

7- Em 1970, os americanos gastaram cerca de 6 bilhões de dólares em fast food. Em 2000, essa cifra ultrapassou os 110 bilhões! Nos Estados Unidos, as famílias torram mais dinheiro com esse tipo de comida que com ensino superior, computadores ou carros novos. Esses dados estão no livro País Fast Food, do jornalista Eric Scholosser.
As três maiores redes no país — Burger King, McDonald's e Tricon Global Restaurants (dona da Taco Bell, Pizza Hut e KFC) — abrem um novo ponto a cada duas horas no mundo.

8- Mas nem só de números gloriosos vive a indústria da alimentação ligeira. Mais da metade de todos os adultos e cerca de 25% das crianças americanas estão acima do peso e a obesidade é a segunda maior causa de morte no país, atrás apenas do cigarro. E, quando se fala em problemas com a balança, não dá para deixar de falar em fast food, normalmente uma comida muito rica em gorduras. Para comprovar os efeitos indesejáveis desse tipo de dieta, o cineasta Morgan Spurlock passou um mês comendo apenas no McDonald's e registrou tudo no documentário Super Size Me, lançado este ano. Além de engordar 12 quilos e ver seu colesterol subir, ele teve dor de cabeça, depressão e problemas no fígado.

9- Outra pedra no sapato das grandes redes são os boatos. Quem nunca ouviu a lenda de que o hambúrguer do McDonald's é feito de minhoca? Pois essa história rendeu tanto que, em 1992, membros da rede convocaram uma coletiva de imprensa para provar que o boato não tinha o menor cabimento, afinal, um hambúrguer feito de minhoca seria cinco vezes mais caro que um de carne bovina. O site www.topsecretrecipes.com conta a origem de uma série de "lendas urbanas" sobre redes de fast food, como a de um suposto rato morto encontrado numa porção de frango frito da KFC.

10- Na contramão do lanche rápido, foi criado em 1989, na Itália, o movimento slow food, ("comida lenta"), que defende a valorização da culinária regional, a degustação calma e tranqüila das refeições. A Slow Food International Association (www.slowfood.com), cujo símbolo é um caracol, tem mais de 70 mil membros em 45 países, inclusive no Brasil.

Publicado na Edição 29 – 07/2004

Fonte: http://mundoestranho.abril.com.br/edicoes/29/almanacao/conteudo_mundo_43508.shtml 

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