Crudismo, peso e vitalidade fisica

Ontem eu falei no meu post sobre "As várias faces do crudismo" que o texto de Úrsula Jahara "Confissões de uma 'ex' 90-100% crudívora" dava margem para escrever várias outras coisas, então hoje vou comentar sobre a questão do peso.

Muitas pessoas escolhem inicialmente o crudismo por ser uma forma eficiente de emagrecer e manter o tal "peso ideal", o que realmente é verdade. O problema é quando essa perda de peso acontece em excesso e, como a Úrsula citou no blog dela, a pessoa para de refletir saúde e vitalidade.
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Para exemplificar, vou falar um pouco da minha história neste sentido. Desde a adolescência sempre fui um pouco acima do peso (esses dias até achei umas fotos antigas e levei um susto de como meu rosto era redondo!) e tinha muita facilidade de engordar e também de emagrecer rapidamente, naquele famoso efeito sanfona. Quando comecei no crudismo há cerca de dois anos e meio estava com um peso bom, pois tinha enxugado vários quilos por causa dos dois anos que meu filho tinha amamentado. Porém, estava começando a engordar de novo pois ele estava parando e eu continuava a comer como se ele ainda estivesse amamentando. Então para isso o crudismo foi bom no início, e como nessa época eu não conseguia passar longos períodos 100%, a perda de peso não foi tão grande.

Depois de um ano, mais ou menos, comecei a perder mais peso devido aos períodos mais longos em 100%. Isso se intensificou mais ainda com os juice feasts (apesar que já considero isso outra história, mas depois comento) e comecei a ter medo por estar ficando tão magra. O pior é que mesmo ainda estando um pouco acima do tal "peso ideal" (que teoricamente seria 65 kg para os meus 1,75 m), comecei a me achar estranha, angulosa, as pernas desproporcionalmente finas. Mais estranho ainda é que vários anos atrás eu já tinha estado com esse peso (67 kg) e apesar de nem ser crudista, vegetariana, nem nada, estava com um aspecto melhor.

Quando comecei a me interessar mais pelo frugivorismo em meados do ano passado, fiquei com ainda mais medo pois vi que poderia emagrecer mais do que gostaria. Comecei a adicionar algumas coisas mais calóricas à dieta, como frutas mais gordurosas (abacate, coco), nozes, castanhas, óleos prensados a frio e até mel. Porém, senti que aquilo não estava me fazendo bem, mesmo porque nunca fui muito chegada nessas coisas. O que me ajudou a mudar esse quadro foi ter conhecido uma frugívora quando eu ainda estava em Quebec. Já a conhecia virtualmente por causa do seu blog, o Via811, mas lá nos encontramos pessoalmente, conversamos bastante e ela me deu várias dicas sobre o frugivorismo. Também comecei a ler o livro do Dr. Douglas Graham, The 80/10/10 Diet, e apesar de não concordar com tudo que ele fala (o que também fica pra outro post), de forma geral simpatizei com suas idéias e pude aproveitar muito do que ele escreveu. Basicamente o que diz é balancear a dieta comendo 80% de carboidratos, 10% de gorduras e 10% de proteínas, comendo principalmente frutas e folhas, pois apesar da pressão que existe na nossa sociedade em torno da quantidade de proteínas ingeridas, ele argumenta que na prática o que acabamos comendo em maior proporção calórica são gorduras, mesmo entre as pessoas que seguem dietas vegetarianas, veganas ou crudistas.

Outro dia pretendo escrever um post só sobre o frugivorismo e o que venho aprendendo nesta área, mas especificamente em relação ao peso gostaria de apresentar a dica que recebi da colega frugívora lá de Quebec. Quando falei pra ela do medo de perder peso, ela sugeriu usar um diário de dietas online (no caso usei o Nutridiary, cujo uso básico é gratuito). Não é que se tenha que usar isso pra sempre, mas no começo é legal pra se ter uma idéia do que e quanto é preciso comer. Funciona assim: todo dia se preenche o que foi ingerido e ele vai somando as calorias e mostra também um quadro com os principais nutrientes. Outra coisa interessante para quem segue o formato 80/10/10 é que este site dá, justamente, a proporção carboidrato/proteína/gordura.

Usei essa ferramente nas últimas duas vezes que passei tempos exclusivamente frugívora e realmente notei a diferença. Vi que estava deficiente em calorias e passei a ter mais noção da quantidade e qualidade do que deveria comer.

Abrindo um parêntese para sair um pouco do lado físico, gostaria de ressaltar que isso só não basta. Como falei no início do texto, alguns anos atrás eu estava com um aspecto bem melhor com o mesmo peso e sem ser crudista, entram aí dois aspectos importantes: além de dar atenção à dieta, precisamos nos exercitar e cuidar do nosso lado emocional/espiritual. Coincidentemente, na tal época eu estava cuidando de ambos. O exercícios por motivos que todos já sabem e o emocional/espiritual por transcender o físico. E se ficarmos o tempo todo obcecados pelo físico vamos acabar deixando de lado nossa missão de vida.
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Deixando esses dois aspectos para outro dia e voltando à questão física, gostaria de pontuar algumas coisas sobre o ser ou não ser 100% crudista e o peso. Não há dúvida que os seres humanos passaram a maior parte de sua história vivendo de alimentos exclusivamente crus e sobreviveram muito bem, obrigada. As pesquisas paleontológicas indicam que grande parte das calorias ingeridas vinham de frutas, folhas e raízes e um pouco de proteína animal. Alguns pesquisadores acreditam que só depois de bastante tempo iniciou-se a caça em maior escala e o uso sistemático de grãos. Porém, independente do que comemos no passado, as escolhas e contexto do mundo de hoje é diferente, bem como nossa relação com a natureza. Temos muito o que reaprender. Hoje temos a opção de escolher não ingerir proteína animal mesmo que tenha sido parte da nossa história, da mesma forma que podemos ingerir grãos cozidos ou desidratados apesar de não ser algo usual para nenhum animal. Ou seja, podemos reativar nossa ligação com o meio e reaprender muita coisa que se perdeu no tempo, mas também manter algumas coisas dos tempos mais recente.
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Assim, cada um pode buscar o tipo certo de alimentação parar manter a saúde e o aspecto físico que lhe agrade. Usando de práticas que remontem aos primóridos da nossa história ou ao que há de mais moderno, precisamos buscars sempre conhecer o próprio corpo, nos exercitar, cuidar do nosso lado emocional e espiritual e tomar decisoes éticas. Assim não há como errar.
*Figura retirada do blog Via811.
 
Fonte: Cozinha Metafísica
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