Corte na carne – revista Galileu

Até as hamburguerias se rendem ao crescimento no número de pessoas que procuram pratos vegetarianos.

            Segundo um levantamento do grupo Ipsos, empresa que atua na área de pesquisas de marketing, propaganda, mídia, satisfação do consumidor e opinião pública e social, 28% dos brasileiros têm procurado comer menos carne. Não há estatísticas sobre o número de vegetarianos, mas a percepção geral é a de que não comer – ou evitar – carne já não é coisa de meia dúzia de hippies e naturebas. Corroboram com essa percepção o entusiasmo da indústria alimentícia com esses produtos.

            Pesquisa da Fundação Getúlio Vargas apontou crescimento de 15% ao ano na venda de produtos saudáveis. A constatação animou até indústrias que vivem da carne. Os frigoríficos Perdigão e Sadia lançaram produtos vegetarianos, como hambúrgueres, nuggets e quibes de soja. Também já é possível encontrar produtos como creme de leite, leite condensado e ovos de Páscoa com leite de soja.

            Os restaurantes também já começam a ceder às pressões dos vegetarianos. Guru de modas gastronômicas, o crítico Jeffrey Steingarten, da revista "Vogue", proclamou que a mais saborosa e eficiente dieta para emagrecer é o cardápio vegetariano do norte da Índia. O francês Alain Passard, chef com cotação máxima no guia francês "Michelin", montou um restaurante quase vegetariano – em que peixes e aves só aparecem se o freguês pedir muito.

            Redutos do carnivorismo nos EUA criaram cardápios vegetarianos. E Charlie Trotter, o mais conceituado chef americano, chegou a criar um cardápio de comida vegetariana crua, para adeptos da corrente que veta o aquecimento de alimentos acima de 42 graus (crudivorismo). Até mesmo as hamburguerias começaram a abrir espaços em seus menus para os vegetarianos. Como você vê nesta página, a moda já chegou ao Brasil.

            Neste ponto, há 5 pratos com opções e hambúrgueres vegetarianos, com cogumelos, castanha-de-caju, legumes grelhados, pesto de majericão, mussarela de búfala, rúcula, tomate caqui, molho de romã, nozes, cebola, gergelim, quinua, cenoura, coalhada seca, batata rösti, lentilha, abobrinha… em diversas casas comerciais do Brasil.

Comida sem sofrimento, sem degradação ambiental, com muito mais sabor e saúde, pois não se usa antibióticos, hormônios, anabolizantes e quase não se utiliza de conservante. Seja você também um adepto da alimentação sem crueldade, agindo com ética e amor na hora do seu almoço e do jantar.

Como reclamar da violência que assola o planeta, se ela começa durante o nosso simples almoço de cada dia? Pense nisso, para um mundo melhor para os animais, para nós e nossos filhos e para o planeta.

Revista Galileu, março/2008, p 20.

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