Conversa com um gênio

 Gênio  Greg
   

É graduado em matemática. Viaja pelo mundo, levando palavras de esperança a crianças carentes. Por duas vezes, foi indicado para prêmio Nobel da Paz. E só tem 13 anos. Conheça-o neste entrevista à Maga.zine. Por João Magalhães. E-mail: jsmaga@atribuna.com.br

Fotos: Arquivo particular

 

Greg Smith seria um garoto como outro qualquer, não fosse autor de raras façanhas: acaba de receber o diploma de graduação em matemática no Randolp-Marcon College, escola de ensino superior em Ashland, na Virginia; é presidente de uma fundação, a Youth Advocates, dedicada à defesa de jovens carentes; já esteve com Bill Clinton, Michail Gorbachev e a rainha Noor, da Jordânia, discutindo o futuro da humanidade; e foi indicado para o Nobel da Paz de 2002 – prêmio que não levou mas ao qual está de novo concorrendo em 2003. E Greg tem apenas 13 anos.

Logo se percebe que se trata de um gênio. E daí? Há muitos iguais a ele, alguém poderia dizer. Há pouquíssimos. Greg tem QI muito acima de 200 e pertence a uma classe de superdotados que representam apenas 0,1% da população mundial. Da estirpe dele, ao que se saiba, só Mozart, que compunha minuetos aos 5 anos e escreveu sua primeira ópera aos 14.

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Greg já esteve com Bill Clinton, Michail Gorbachev e a rainha Noor, da Jordânia, discutindo o futuro da humanidade; e concorreu ao Nobel da Paz de 2002.

   
 

Greg começou a falar com apenas dois meses de idade. Quando completou 1 ano, já resolvia problemas de álgebra e memorizava o conteúdo de livros volumosos – tinha na cabeça a coleção inteira de Júlio Verne. Aos 2, decidiu, por conta própria, abandonar as guloseimas do McDonald´s: tornou-se vegetariano.

Aos 5, terminou o colegial e era capaz de dissecar tudo sobre a Terra – de sua pré-história aos dias atuais. Virou estrela: capa do The Times Magazine, manchete do New York Times e do Washington Post. Foi sabatinado por David Letterman e Oprah Winfrey, anfitriões de dois dos programas de maior audiência nos Estados Unidos.

"Nunca vi um caso como esse em 40 anos de profissão", disse recentemente à ABC News Linda Silverman, diretora do Centro de Desenvolvimento de Superdotados, de Denver, no Colorado.

O próximo alvo acadêmico de Greg é o doutorado – em matemática, biomedicina, engenharia espacial e ciência política. Para o futuro, duas pretensões: primeiro, fazer carreira na diplomacia internacional e depois sentar na cadeira que hoje é de George W. Bush.

Na presidência, poderei trabalhar muito pelo meu país e pelos pobres de todo o mundo", ele antecipa.

Algum problema em ter uma cabeça tão privilegiada? Para Greg nenhum. Muito menos ainda para os pais, o casal Robert e Janeth Smith, que passaram a empresariá-lo. Eles chegam a cobrar 10 mil dólares para Greg fazer uma palestra sobre suas atividades educacionais e filantrópicas. Obviamente, adoram o filho. Robert, porém, admite que às vezes sente uma ponta de inveja de Greg. Janeth o vê como uma bênção.

 

"Greg me transformou. Suas idéias tornaram-me mais dócil, mais fraterna", ela revela.

Greg lê muito, em especial tudo o que se refere a Jesus, Ghandi, Martin Luther King e Platão, que, por sinal, o inspiraram a criar o Youth Advocates e a viajar por muitos países, pregando suas idéias de transformar o planeta numa seara de paz e felicidade.

Em 2000, ele esteve em São Paulo, a convite da Children At Risk Foundation, organismo dedicado a amparar crianças de rua. Viu vítimas do crack e da cocaína. Ouviu relatos de violência, medo e esperanças.

"Prometi a eles que nunca os esqueceria e que estaria sempre pronto a ajudá-los", conta.

Para amenizar o sofrimento dos menos bafejados pela sorte, Greg iniciou um campanha a que batizou de I.E.M, para a Não-Violência. I de Inspiração; E de Educação; e M de Motivação.

 Greg

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Os pais de Greg (acima), o casal Robert e Janeth Smith. Ele acaba de receber o diploma de graduação em matemática no Randolp-Marcon College, escola de ensino superior em Ashland, na Virginia.

 

"A educação leva ao bom senso e este conduz a soluções para qualquer questão", ele ensina.

Fora a inteligência excepcional, Greg é um menino normal. Tem muitos amigos, pratica esportes – gosta de futebol e basquete. Garotas? Por enquanto, não. Ele está terminando um ensaio científico sob o título A História da Síntese das Proteínas, e diz que namorar lhe roubaria muito tempo.

Por e-mail, concedeu uma entrevista à Maga.Zine, em que mostrou seu bom caráter e a convicção de que tem um papel a cumprir, como um dos prováveis grandes líderes do amanhã.

Que tal ser um gênio?

É maravilhoso! Recebi um dom que me deu a incrível capacidade de aprender e guardar o que aprendi. Mas é importante ressaltar que não sou um sabe-tudo. Sou um simples aprendiz na grande jornada para a sabedoria e conhecimento. Não vivo competindo com ninguém para ver quem é o mais esperto ou quem possui os mais altos graus acadêmicos. O que faço é procurar respostas para questões que deixam a sociedade perplexa e que conduzem à violência. Pretendo reverter este ciclo pernicioso.

Você ainda é um garoto mas já viveu momentos memoráveis. Qual foi o que mais lhe encheu de orgulho?

Na condição de Embaixador da Paz viajei para Amaya, distrito do Quênia, na África. Lá, testemunhei o fim dos conflitos entre as tribos Samburu, Turkana e Pokot. Reuni-me com os anciãos e líderes dessas tribos e propus que construíssem uma escola para suas crianças. Eles concordaram. Hoje, a Amani Peace School ensina a seus alunos a conviver com as culturas de suas comunidades e apreciá-las. Fiquei contente não só com isso mas também porque recebi o cetro simbólico de chefe de todas as tribos. Tinha muita gente na cerimônia: nós dançamos, cantamos e compartilhamos uma refeição. Na despedida, lembrei-lhes: "Recebam os punhos cerrados de seu inimigos com as mãos abertas". Fui muito aplaudido.

 

 

O que o levou a lutar pela paz no mundo?

Tinha sete anos quando assisti a um vídeo que mostrava crianças separadas de suas famílias, doentes, mal-nutridas e vítimas de violências. Então, senti que tinha de fazer alguma coisa por elas. Foi a partir daí que comecei a divulgar a I.E.M. pela Não-Violência. Encorajei vários grupos de jovens a fazer da educação a sua prioridade. Acredito que o primeiro passo para a paz se dá por meio da educação. Uma das coisas que impulsionou a I.E.M. foi eu ter terminado o colegial com apenas dez anos. O fato atraiu a atenção da grande mídia e, através dela, pude estabelecer uma plataforma para a missão de proteger as vidas das crianças de todo o mundo.

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Em 2000, Greg esteve em São Paulo, a convite da Children At Risk Foundation, organismo dedicado a amparar crianças de rua.Greg

 

É sabido que você admira Jesus, Ghandi e muitos outros grandes líderes espirituais. Você acha que há neste planeta alguma espécie de conexão divina? Você seria uma delas?

Em primeiro lugar, é preciso esclarecer que não sou um religioso. Buda disse certa vez que ele "era todas as religiões". Penso do mesmo jeito. Mas sei que tenho uma missão sagrada: a de dar um basta aos ciclos de ódio que passam de geração a geração. Creio que a solução está nas crianças. Elas nascem puras e inocentes e somente agem com violência porque assistem diariamente a cenas violentas, seja ao seu redor, seja na televisão, no cinema. Um dos objetivos da I.E.M. é tentar excluir os programas de televisão que mostram a destruição familiar, o sexo a troco de nada, o desrespeito dos filhos para com os pais.

Como foi a idéia de criar a International Youth Advocates?

Eu tive uma visão. Imaginei que nesses tempos em que as pessoas estão inseguras sobre seu futuro, quando o ódio permeia as nossas vidas, seria interessante restaurar a esperança com os jovens se ajudando uns aos outros, tanto no aspecto social e cultural quanto no político e religioso – com eles trabalhando juntos pela liberdade e justiça e por um futuro sem medo nem sofrimento. Jovens que, a meu exemplo, não aprenderam a odiar, que estão consciente de que todos devem ter uma oportunidade de ser feliz. A Youth Advocates foi fruto dessa minha reflexão.

Qual é o seu próximo objetivo acadêmico?

O doutorado em matemática, biomedicina, engenharia espacial e ciência política.

E mais para diante, o que pretende fazer?

Ser presidente dos Estados Unidos.

A idéia que se tem de um gênio é a de alguém reservado, anti-social. Você, como é? Tem amigos?

Claro que tenho amigos. E muitos. Tanto no colégio quanto na vizinhança e no meu time de futebol. Não é porque eu tenha recebido a graça de um intelecto privilegiado que eu vá viver como um ermitão. No mínimo, seria muito egoísmo de minha parte.

Namorada?

Ainda não. Mas tenho uma grande amiga. Ela é uma aluna excepcional, foi da minha classe no Randolph Macon. Quem sabe um dia…

O que você faz para se divertir?

Ao contrário do que podem pensar minha infância foi e é divertida. Ouço música (clássica e rock suave) , pratico esportes – jogo tênis e futebol – e gosto de viajar, conhecer outros países. Já participei de um safári na África, escalei montanhas em Kauai (no Havaí), estive com presidentes, primeiras-damas, líderes religiosos e ganhadores do Nobel, a quem considero meus mentores e com os quais me correspondo regularmente. Minha infância pode não ser exatamente igual a de outros jovens da minha idade mas para mim é perfeita.

Fale-me sobre sua decisão de ser vegetariano.

Bem, sou vegetariano desde os 2 anos de idade. Houve várias razões para essa minha escolha. Mas a mais importante é que eu acho que assim tenho uma vida mais saudável. Se as pessoas ao menos limitassem o consumo de carne a duas vezes por mês estariam em condições de eliminar as doenças que resultam da má alimentação. Estudos têm provado que a nutrição e a boa saúde são elementos vitais no processo educacional.

Você deu muitas entrevistas até agora. Há alguma pergunta, em particular, que você gostaria que lhe tivessem feito?

A pergunta: se você tivesse um desejo que gostaria de ver realizado, qual seria ele? A resposta: desejo que o conhecimento que estou adquirindo transforme-se em sabedoria e que a sabedoria fortaleça meu potencial para convencer os governantes a fazer mudanças positivas, de modo que possamos viver num mundo livre, justo e democrático.

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