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Consciência ecológica aliada à prática da compaixão – Tânia Brito

A Construção de um Mundo Novo

Enquanto o homem continuar a ser destruidor impiedoso dos seres animados dos planos inferiores, não conhecerá a saúde nem a paz. Enquanto os homens massacrarem os animais, ele se matarão uns aos outros. Aquele que semeia a morte e o sofrimento não pode colher a alegria e o amor."

Pitágoras

Em nossos dias tornaram-se comuns os conceitos de Ecologia, Ecossistema, Preservação do Meio Ambiente, Biodiversidade, Desenvolvimento Sustentável e outras palavras e expressões afins.

Desejamos fazer uma pequena reflexão a respeito, porém, especificamente, sobre a questão da preservação da vida animal.

Certa tarde, em um Shopping Center nos chamou a atenção, de forma especial, um enorme painel branco à frente de um restaurante que exibia em enormes letras vermelhas a variedade do cardápio oferecido: CODORNA, PERDIZ, PACA, COELHO, CAPIVARA, CORDEIRO, PERU, PORCO, PICANHA, etc…

O que tem isto? Podem perguntar. Afinal estas cenas e fatos são comuns e absolutamente normais.

Desejamos enfocar justamente o aspecto contraditório que, pensamos, reside nesta estranha "normalidade".

Vejamos.

Em 1978, em Assembléia da UNESCO realizada em Bruxelas, foi aprovada a DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DOS ANIMAIS que estabelece seu art. 1°: "Todos os animais nascem iguais diante da vida , e têm o mesmo direito à existência." e em seu art. 20: a) Cada animal tem direito ao respeito, b) O Homem, enquanto espécie animal, não pode atribuir-se o direito de exterminar os outros animais, ou explorá-los, violando esse direito. Ele tem o dever de colocar sua consciência a serviço de outros animais…"

A nossa atual Constituição em seu art. 225 trata dos diversos aspectos relacionados ao meio ambiente e sua proteção. A Lei 6.938/81, chamada Lei de Política Ambiental, complementada pela Lei 7.804/89 dispõem sobre a proteção do meio ambiente e definem como recursos ambientais a fauna e a flora. As leis 7.347/85 e 9.605/98, dispõem respectivamente sobre a ação civil pública e sobre as sanções penais e administrativas em caso de atividades lesivas ao meio ambiente.

Em um tempo em que se ensinam nas escolas conceitos voltados para o desenvolvimento de uma consciência ecológica; em que existe o chamado "Direito Ambiental", e o "Direito Internacional do Ambiente" com toda uma legislação específica; então, alguma coisa parece não "se encaixar direito" quando percebemos que, apesar de tudo isto, o hábito de sacrificar os animais para comê-los continua tão arraigado, tão mentalmente cristalizado, como se isto estivesse totalmente desatrelado dos conceitos atuais de respeito e preservação do meio ambiente.

Os animais não pertencem ao meio ambiente? Por que então não os preservamos, e, ao contrário, continuamos a matá-los, inclusive para comê-los? Continuamos alimentando o preconceito de que o homem necessita de carne para alimentar-se, quando inúmeros estudos científicos têm comprovado que uma boa saúde se obtém através de uma dieta baseada em produtos vegetais, limpos, puros e ricos em nutrientes.

Esse condicionamento mental, embora, felizmente, esteja dando sinais de enfraquecimento, ainda exerce grande efeito socialmente, pois quando se observa as pessoas trocando receitas à base de carne ou combinando um "churrasquinho" para o fim de semana, constatasse que parecem não se dar conta de que o alimento a que se referem, trata-se na verdade, do pedaço do corpo de um animal morto; o mesmo se dá quando se referem aos peixes e aos "frutos do mar" que são, na verdade, animais aquáticos mortos.

Se pensarmos a respeito, livres do condicionamento, podemos perceber que entre as inúmeras formas de violência praticada contra os animais encontra-se talvez a mais perversa delas que é o hábito de comê-los afim de satisfazer um paladar preso ao gosto da mistura de sangue com temperos.

Se desejamos ser "ecologicamente corretos" e estar em sintonia com esse novo pensamento acerca do meio ambiente e de tudo que o compõe, e necessário que adotemos uma nova postura, contrária à crueldade praticada, diariamente, contra milhares de criaturas, em todo o mundo. Claro, quando não houver mais "consumidores" para esses "produtos" eles deixarão de ser encontrados à venda, para felicidade geral do reino animal.

Adotar o vegetarianismo como postura é uma oportunidade de praticarmos a compaixão todos os dias. Oxalá possa chegar logo o dia em que todos estejam pensando como uma adolescente, que declarou corajosamente: "Se eu ajudar a salvar um única vaca que seja, já me sentirei feliz".

O grande filósofo e sábio Pitágoras, disse: "enquanto o homem continuar a ser destruidor impiedoso dos seres animados dos planos inferiores não conhecerá a saúde nem a paz". Continuamos assistindo, a despeito do grande avanço da ciência e da tecnologia, doenças de toda ordem proliferando e continuando a trazer dor; e a paz mundial parece estar longe de ser alcançada.

" Enquanto os homens massacrarem os animais eles se matarão uns aos outros". No início do século XXI continuamos assistindo as guerras e conflitos "pipocando" em diversas partes do mundo, exatamente como há séculos atrás.

"Aquele que semeia a morte e o sofrimento não pode colher a alegria e o amor. Se estamos plantando abacaxi, não podemos colher maçã!

Durante séculos temos "plantado" a morte e o sofrimento dos animais, e estamos percebendo que alguma coisa parece não estar dando certo, pois toda a violência praticada em relação aos animais parece voltar em direção a nós mesmos, como se estivéssemos "arremessando poeira contra o vento" .

Tentemos, pois, todos nós, plantar vida e compaixão para nossos irmãos do reino animal e iniciar a construção de um mundo novo, onde consciência ecológica e compaixão caminham juntas; para que possamos assim poder esperar colher a FELICIDADE e o AMOR!

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