Congressos paralelos e outras atividades

Após anos de silêncio por parte dos órgãos oficiais, a FAO, em sua 128a sessão, de junho de 2003, aceitou a tarefa de organizar uma conferência internacional sobre ‘Reforma agrária e desenvolvimento rural’. O governo brasileiro fez a proposta e será a instância anfitriã, de 7 a 10 de março de 2006. Em paralelo, ONGs e diversos movimentos de todos os continentes organizaram um Fórum, de 6 a 9 de março, na mesma pontifícia universidade de Porto Alegre. A bandeira que nos faz convergir, dos quatros cantos da terra, diz: ‘Terra, Território e Dignidade’. A organização do evento está a cargo do Comitê Internacional de Planejamento de Organizações Sociais para a Soberania Alimentar (IPC), que, tal como a FAO, tem sua sede em Roma. O tema comum dos debates é a relação entre ‘Soberania alimentar e reforma agrária’. Há dez anos, este novo conceito foi apresentado pela Via Campesina, no contexto da Cúpula Mundial sobre a Alimentação, em Roma. Desde então o termo apolítico ‘segurança alimentar’ vem sendo substituído, cada vez mais, por ‘soberania alimentar’. O termo traz em si um programa extremamente urgente de mudança no modelo agrícola dominante e no comércio de alimentos. Tal como ocorreu durante os Fóruns Sociais Mundiais, em Porto Alegre, as organizações aproveitam um evento como este para realizar mais reuniões em encontros paralelos, congressos, acampamentos. Nesta ocasião, são principalmente o MST, a Via Campesina e Fetraf-Brasil que organizam suas próprias atividades simultaneamente com os programas paralelo e oficial. A Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) tem como principal tema dos debates e mobilizações a violência e as muitas vítimas no campo. Mas o governo brasileiro também organiza seus próprios congressos, inclusive sobre o combate ao trabalho escravo no Brasil.

 

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Acampamento de jovens, Porto Alegre

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