Commodities repicadas

O foco unilateral na produção de commodities parece uma história de sucesso econômico. Isso garantiu que o Brasil assumisse a posição de maior exportador mundial de soja, café, açúcar, suco de laranja concentrado e que o país esteja entre os três primeiros na exportação de cacau, milho, feijão e carne. Mas esse aparente sucesso tem um lado negativo devastador.

A busca por terras para a produção dessas culturas para exportação faz com que a terra fértil seja subtraída da produção direta de alimentos e que florestas valiosas desapareçam de forma irreversível.

Nos últimos 15 anos, a área agrícola aumentou em 30% às custas da Floresta Amazônica, o maior pulmão verde do mundo, e do Cerrado. A Agricultura Familiar no Brasil ainda representa 84% das propriedades, mas tem à sua disposição apenas 25% das terras agrícolas. Os pequenos agricultores estão sob forte pressão e a pobreza na área rural continua a ser um enorme problema.

Isso tudo também tem a ver com nós, europeus. Graças à importação maciça de soja como ração animal, nós, no Ocidente, conseguimos manter nosso elevado consumo de carne e, assim, impedimos que as terras agrícolas no Sul sejam utilizadas para a produção local de alimentos. A mesma história se aplica também aos biocombustíveis, às plantações de eucalipto e a outros produtos de exportação.

 

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