Com agradecimentos às sementes crioulas e ao óleo vegetal

Neste meio tempo, surge entre um número considerável de agricultores e consumidores um movimento de resistência. Aparentemente não há mais volta na questão da soja e milho transgênicos. Monsanto, Syngenta & Cia venceram a batalha. Parabéns. A maioria das lavouras está contaminada. A única via de resistência que resta é preservar e recuperar a agrobiodiversidade de sementes. Os agricultores se reencontram na produção e troca de ‘sementes crioulas’: a diversidade das sementes da agricultura familiar, transmitida de geração em geração. Parece ser a grande oportunidade para ficar longe das garras das multinacionais de agrotóxicos e sementes.

 

[Foto 51]

Sementes crioulas promovem a reunião de pessoas.

 

Ao mesmo tempo em que reconquistam a autonomia das sementes (3), os agricultores e consumidores da Rede Ecovida começam a colocar o óleo vegetal – após utilizá-lo na cozinha – nos motores de seus próprios veículos. Os brasileiros consomem muitas frituras. O consumo médio direto é de 6 kg de soja por ano, principalmente para o óleo vegetal. Despejar o óleo usado diretamente no meio ambiente significa poluição. Colocá-lo no tanque de combustível reduz a poluição e contribui para a redução de emissão de CO2. Além disso, tudo é realizado na seqüência correta: a agricultura familiar é voltada, primeiramente, para a produção de alimentos; só depois ela se volta para produtos não-alimentícios. É por isso que Ecovida se recusa a falar de ‘biodiesel’, tratando-o sempre como ‘óleo vegetal’, para se manter independente das novas indústrias que surgem como cogumelos. Fábricas para gerar dinheiro, às custas do agricultor e do meio ambiente. O que Ecovida está criando é comparável com o que buscam alguns agricultores na Europa com obtenção de energia própria a partir de óleo vegetal. Veja, entre outros: <http://www.ppo.be>.

 

Estou curioso em relação ao foguetório que isto ainda vai gerar.

Será que serão fogos de artifício renováveis?

 

Bocaiúva do Sul, 26 de novembro de 2006.

 

(1)   Veja o capítulo ‘Dia Internacional da mulher e… soja’, em Navios que se cruzam na calada da noite. Soja sobre o oceano. Curitiba: Editora Gráfica Popular/Cefuria, 2006.

(2)   Veja o impressionante trabalho de Mayron Régis: ‘Nem à vista e nem a prazo. Os cerrados e suas lutas’. Fórum Carajás, São Luís, 2006. Veja: <http://www.forumcarajas.org.br> e o artigo no interessante site holandês Notícias: <http://www.noticias.nl/milieu_artikel.php?id=1617>.

(3)   Velt, Vredeseilanden [Ilhas de paz], Wervel, Intach e Greenpeace organizaram, no dia 3 de novembro de 2006, uma noite sobre autonomia em relação a sementes, em Leuven. À tarde, também ocorreu uma reunião frutífera com a Administração Flamenga de Agricultura e Horticultura sobre a importância de recuperar e preservar nossa agrobiodiversidade. Como resultado do evento, à noite foi lançada a publicação ‘Biodiversidade’, sobre a recuperação da autonomia das sementes. Pode ser adquirida junto a <http://www.wervel.be>.

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