Com agradecimentos às gêmeas Monsanto-Cargill

 

Já se sabe de longa data que Monsanto-Cargill arrasam pelo mundo como gêmeas siamesas. Ambas podem ser encontradas tanto no lado dos insumos (sementes, agrotóxicos, adubos) quanto no lado dos produtos (compra de ‘matérias-primas’ e processamento primário) do(a) agricultor(a). Talvez este seja o fato mais interessante do meu trabalho em ambos os lados do oceano. Você se depara mais rapidamente com suas estratégias internacionais.

O que a Cargill pretende com sua nova fábrica de biodiesel e etanol no porto de Gent? Há alguns meses ela está preparada para produzir 250 mil toneladas de combustível. Se tivéssemos que utilizar como matéria-prima nosso próprio milho, seria necessário cerca de 1/3 da área plantada com milho na Bélgica – ou seja, 300 mil hectares – para atender a demanda de etanol desta mesma Bélgica. Compare isto com os 750 mil hectares de terras agrícolas que, com muito custo, procuramos preservar em Flandres. E quanto à semente de colza para biodiesel? Uma vez que, na Bélgica, não temos só muitos veículos e caminhões (cerca de seis veículos para cada dez habitantes), mas também estômagos de pessoas e ainda mais interesses de exportação de alimentos, jamais aceitaríamos isso. Ou seja, os 300 mil hectares para abastecer a fábrica da Cargill não estão localizados na Bélgica e, sim, no Brasil, Argentina, Paraguai, Bolívia e nos Estados Unidos. Ou no Canadá, pelo fornecimento de sementes de colza. É por isso que a fábrica ‘flamenga’ está localizada próxima ao porto, assim como muitas granjas de suínos e de aves já estão, há 30 anos, agrupadas em torno dos portos. É por isso que o estado brasileiro do Maranhão é tão interessante. Seu porto, em São Luís, é o mais próximo da Europa. Após o ciclo da soja-para-produzir-carne, iniciado na década de 1980, segue agora o ciclo da soja-para-biodiesel. E ambos se fortalecem mutuamente ao passar o rolo compressor sobre a terra e a população local (2).

Please follow and like us: