Com agradecimentos a Kyoto

As florestas já foram queimadas e transformadas em monocultura de soja. Ou seja, precisamos continuar com o grão maravilhoso. Desta vez, por causa do motor a diesel e para os estômagos dos suínos/aves/peixes/gado bovino. Carro particular e consumo elevado de carne: no grão de soja eles se encontram, estes símbolos máximos de nosso modo de vida ocidental e hoje espalhados pelo mundo todo. Ou será que devemos transformar as áreas devastadas em monoculturas de eucalipto ou pinus transgênico?

Isto também está ocorrendo em grande escala e ainda é chamado – inescrupulosamente – de ‘reflorestamento’ e é considerado interessante no combate global ao aquecimento. Portanto, a partir dos acordos de Kyoto, também concedemos subsídios para estes desertos de eucaliptos geneticamente modificados! Árvores geneticamente modificadas vão se tornar interessantes para a ‘segunda geração’ de culturas energéticas.

Mas, por enquanto, vamos ficar com esta febre do biodiesel-de-soja. É louvável que se busque por fontes renováveis de energia, mas do ponto de vista econômico e ecológico toda a história da soja soa um pouco estranha. Enquanto a cana-de-açúcar e sorgo podem produzir até 6 mil litros de etanol por hectare, no caso da soja estamos falando de míseros 560 litros de óleo. O dendê produz até 3,5 toneladas e mamona até 1,7 tonelada por hectare. O girassol também é uma alternativa. Será que o óleo de soja é, realmente, o caminho mais interessante? Deve ser dito: os desertos verdes de cana-de-açúcar e das palmeiras de dendê também têm uma ação devastadora sobre a biodiversidade. Os cultivos exigem uma grande ocupação de terras e a produção de um litro de etanol consome 30 litros de água. Em comparação com o biodiesel-de-soja ainda é (economicamente) defensável. Os fazendeiros, radiantes, lavam as mãos na inocência. “Vamos produzir energia limpa e o Brasil é praticamente o único país no mundo onde a fronteira agrícola pode avançar ainda mais na floresta! Nós somos os novos fornecedores de energia. Os potes de ouro estão à nossa espera.”

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